‘Turismo da vacina’ faz agências criarem pacotes por R$ 15 mil para brasileiros se imunizarem contra a Covid-19 nos EUA

Dono de uma agência explica riscos e afirma que vacinação não é garantida devido a diversos imprevistos que podem acontecer durante a viagem.

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Agências de turismo em Santos, no litoral de São Paulo, estão lançando pacotes de viagem para dois países com o objetivo de vacinar brasileiros contra a Covid-19 no exterior. Com preços a partir R$ 15 mil, o pacote consiste em uma quarentena em um país na América Central e, em seguida, um voo para os Estados Unidos, onde a vacina é aplicada em turistas.

Em Santos, pelo menos duas agências oferecem os pacotes de viagem. O brasileiro sai do Brasil para Cancún, no México, e faz uma quarentena por 14 dias. Depois, ele recebe a autorização de embarcar para os Estados Unidos, onde deve realizar o exame PCR e testar negativo, conforme as normas internacionais.

O roteiro segue para Nova York, onde o brasileiro terá a oportunidade de receber a dose única da vacina desenvolvida pela Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson. Em seguida, é marcada a volta para o Brasil. O viajante precisa já ter o visto americano validado.

O lançamento desse tipo de pacote foi impulsionado pela declaração do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, feita nesta semana, sobre a ideia de vacinar turistas em pontos conhecidos da cidade. Segundo ele, o plano “está pronto para começar” e já tem a aprovação do governo estadual para seguir adiante.

O prefeito nova-iorquino chegou a citar os brasileiros em sua declaração. “Meu coração está com os brasileiros. Há tanta dor, tanta dificuldade. Acho que o que pudermos fazer por quem está nos visitando, para dar boas-vindas, é mostrar que nós nos importamos com todos que estão aqui”.

Segundo informações obtidas, os pacotes incluindo os dois países já existiam logo após o início da pandemia, antes da vacina. Contudo, a possibilidade de receber o imunizante na viagem se tornou um atrativo a mais para os viajantes.

O proprietário da agência Braun Turismo, Pedro Braun, de 41 anos, informou que oferece o pacote. Ele explicou que, apesar de a programação do pacote ser rígida, a vacinação não é garantida, uma vez que diversos imprevistos podem acontecer, como a contaminação do brasileiro pela Covid-19 ao longo do trajeto ou a falta de doses no destino final.

Vacinação não é garantida

Braun afirma que a venda dos pacotes deve ser feita de maneira responsável e bem esclarecida, uma vez que a vacinação não é garantida, apesar dos esforços. “Está todo mundo empolgado, mas precisa entender o que tudo isso envolve. Existem riscos nessa viagem“.

Além da possibilidade de o viajante contrair Covid-19 em data próxima à viagem, com saídas marcadas a partir de julho, há ainda a chance de contaminação em solo mexicano, e do brasileiro testar positivo para a doença após os 14 dias, não conseguindo embarcar para os EUA.

Há a possibilidade, ainda, de não haver doses disponíveis nos postos destinados aos turistas na cidade na data em que o grupo estará em solo norte-americano. Tudo isso, no entanto, não desestimula a maioria dos clientes, segundo Braun conta. “Foi impressionante o número de pessoas que me procuraram desde que comecei a divulgar”.

O pacote de viagem está previsto para custar em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil para um adulto, em um “orçamento conservador”, como explicou. “Ajuda a ativar o setor do turismo, que está cambaleando desde o início da pandemia. O turismo de vacinação se tornou uma possibilidade para nós”, conclui Braun.

Em nota, a CVC informou que, como operadora de viagem, oferece pacotes internacionais para países em que os brasileiros estão autorizados a entrar, como é o caso do México. Ao ficar em quarentena por 14 dias ou mais fora do Brasil, o cidadão brasileiro poderá solicitar autorização para entrar nos Estados Unidos. Em solo americano, se ele quiser tomar a vacina, isso é de inteira responsabilidade do viajante. O serviço não é oferecido por conta da vacinação.

Via G1