23 junho, 2021

‘Turismo da vacina’ faz agências criarem pacotes por R$ 15 mil para brasileiros se imunizarem contra a Covid-19 nos EUA

Dono de uma agência explica riscos e afirma que vacinação não é garantida devido a diversos imprevistos que podem acontecer durante a viagem.

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Agências de turismo em Santos, no litoral de São Paulo, estão lançando pacotes de viagem para dois países com...

Agências de turismo em Santos, no litoral de São Paulo, estão lançando pacotes de viagem para dois países com o objetivo de vacinar brasileiros contra a Covid-19 no exterior. Com preços a partir R$ 15 mil, o pacote consiste em uma quarentena em um país na América Central e, em seguida, um voo para os Estados Unidos, onde a vacina é aplicada em turistas.

Em Santos, pelo menos duas agências oferecem os pacotes de viagem. O brasileiro sai do Brasil para Cancún, no México, e faz uma quarentena por 14 dias. Depois, ele recebe a autorização de embarcar para os Estados Unidos, onde deve realizar o exame PCR e testar negativo, conforme as normas internacionais.

O roteiro segue para Nova York, onde o brasileiro terá a oportunidade de receber a dose única da vacina desenvolvida pela Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson. Em seguida, é marcada a volta para o Brasil. O viajante precisa já ter o visto americano validado.

O lançamento desse tipo de pacote foi impulsionado pela declaração do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, feita nesta semana, sobre a ideia de vacinar turistas em pontos conhecidos da cidade. Segundo ele, o plano “está pronto para começar” e já tem a aprovação do governo estadual para seguir adiante.

O prefeito nova-iorquino chegou a citar os brasileiros em sua declaração. “Meu coração está com os brasileiros. Há tanta dor, tanta dificuldade. Acho que o que pudermos fazer por quem está nos visitando, para dar boas-vindas, é mostrar que nós nos importamos com todos que estão aqui”.

Segundo informações obtidas, os pacotes incluindo os dois países já existiam logo após o início da pandemia, antes da vacina. Contudo, a possibilidade de receber o imunizante na viagem se tornou um atrativo a mais para os viajantes.

O proprietário da agência Braun Turismo, Pedro Braun, de 41 anos, informou que oferece o pacote. Ele explicou que, apesar de a programação do pacote ser rígida, a vacinação não é garantida, uma vez que diversos imprevistos podem acontecer, como a contaminação do brasileiro pela Covid-19 ao longo do trajeto ou a falta de doses no destino final.

Vacinação não é garantida

Braun afirma que a venda dos pacotes deve ser feita de maneira responsável e bem esclarecida, uma vez que a vacinação não é garantida, apesar dos esforços. “Está todo mundo empolgado, mas precisa entender o que tudo isso envolve. Existem riscos nessa viagem“.

Além da possibilidade de o viajante contrair Covid-19 em data próxima à viagem, com saídas marcadas a partir de julho, há ainda a chance de contaminação em solo mexicano, e do brasileiro testar positivo para a doença após os 14 dias, não conseguindo embarcar para os EUA.

Há a possibilidade, ainda, de não haver doses disponíveis nos postos destinados aos turistas na cidade na data em que o grupo estará em solo norte-americano. Tudo isso, no entanto, não desestimula a maioria dos clientes, segundo Braun conta. “Foi impressionante o número de pessoas que me procuraram desde que comecei a divulgar”.

O pacote de viagem está previsto para custar em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil para um adulto, em um “orçamento conservador”, como explicou. “Ajuda a ativar o setor do turismo, que está cambaleando desde o início da pandemia. O turismo de vacinação se tornou uma possibilidade para nós”, conclui Braun.

Em nota, a CVC informou que, como operadora de viagem, oferece pacotes internacionais para países em que os brasileiros estão autorizados a entrar, como é o caso do México. Ao ficar em quarentena por 14 dias ou mais fora do Brasil, o cidadão brasileiro poderá solicitar autorização para entrar nos Estados Unidos. Em solo americano, se ele quiser tomar a vacina, isso é de inteira responsabilidade do viajante. O serviço não é oferecido por conta da vacinação.

Via G1