Produção de feijão perde espaço para a soja no Sul catarinense

A mão de obra cara e a instabilidade no preço do feijão são os principais motivos da queda

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Foto: Nilton Alves/TN

Letícia Ortolan/Tribuna de Notícias
Içara
cidades@tnsul.com

Por mais que o feijão seja um dos alimentos mais consumidos pelo brasileiro, a produção em Santa Catarina vem tendo queda nos últimos anos. O alimento está perdendo espaço para a soja, que traz maior segurança de estabilidade de preço aos produtores.

Sérgio Budny, de 50 anos, e o filho, Marcelo Almeida Budny, de 19 anos, são dois exemplos de agricultoresque investem na nova aposta. “A produção de soja tem tido mais resultado. Estamos recebendo um ótimo apoio das cooperativas regionais. O grão é mais resistente ao clima e pragas, ao contrário do feijão. Começamos com o plantio para experiência, mas gostamos dos resultados e estamos há seis anos vendendo soja”, explicou o produtor Marcelo Almeida Budny.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, por meio de relatório Infoagro, a safra de soja referente à 2018/2019, na região Litoral Sul, teve 1.938 hectares de área plantada. Número que em 2021/2022 aumento para 8.735 hectares.

Já o feijão atingiu 5.812 hectares plantados em 2019/2019 e 4.123 em 2021/2022. A conclusão é que os ganhos com a produção não compensa, fazendo a soja ser a maior fonte de renda de muitos produtores.

Atualmente, a família Budny aposta 50% dos hectares para o cultivo da soja e 20% para do feijão. Há cerca de três anos, essa porcentagem era totalmente diferente. O feijão ocupava mais da metade da produção dos agricultores.

“A soja produz em média 60 sacas por hectares, é claro que isso pode variar por produtor. Do feijão rende cerca de 30 sacas”, informou Marcelo. “A soja tem avançado em áreas de cultura básica, por causa do mercado internacional, o preço é garantido, não tem tanta instabilidade”, completou Haroldo Taveres Elias, proprietário do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

Preço

A estimativa de preço da saca de soja (60 quilos), é de R$ 180. Enquanto do feijão, é de R$ 300. “A diferença do preço é grande, mas a mão de obra da produção da soja é mais barata, a colheita do feijão é feita de forma manual”, salientou Edson Borba Teixeira, gerente regional da Epagri de Criciúma.

Teixeira ainda faz um alerta para possível aumento de preço. “Quanto menos produtores de feijão nós tivermos, mais aumentará o preço. A soja é mais vantajosa para quem cultiva, mas não é consumida por todos os catarinesnes e brasileiros”, explicou.

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