23 outubro, 2020

Maracujá rompe as fronteiras do país

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Se você, por acaso, estiver em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis ou Porto Alegre e consumir um maracujá, ou algum derivado, é bem provável que esta fruta tenha sido cultivada em Sombrio. Ela é produzida em grande quantidade na região e vendida para os maiores centros do país. “O maracujá é uma cultura que a gente colhe toda a semana. De duas a três vezes por semana. Na maioria, duas. Tipo: segunda e quinta. Então, embarca ele para viajar na terça e na quarta. Sexta e sábado também. Chega aos mercados na segunda-feira e na quarta. Ele é comercializado com o Ceagesp, em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Mandamos também para o interior de São Paulo e Paraná. Não só eu, como a região toda”, explica Marcelo Bendo, de 47 anos, e que produz a fruta há 25 anos. Como é tradicional, ele dá sequência em um negócio da família.“O meu pai foi o primeiro plantador. Hoje, ele tem 67 anos e ainda trabalha, mas eu assumi o posto de chefiar”, explica.

O início foi com um hectare. O negócio deu certo e cresceu. Bastante. “Eu tenho 15 hectares plantados. A média dá umas 50 mil caixas. Em cada caixa tem 40 frutas de tamanho médio ou grande. Se for pequeno vai 60. O tamanho que a gente baseia é 40. Em tonelada, se for fazer a conta, dá 550 mil quilos de maracajá. Isso por ano”, enfatiza.

Mensalmente, o número é variável, mas o ciclo da fruta é cumprido de agosto até junho do ano seguinte. “A gente aduba, poda, conduz ela para subir e emprega bastante gente para fazer flor, embalar e colher”, pontua Marcelo.

Emprego para diversas pessoas

Em época de entressafra, como neste mês de julho, apenas oito funcionários trabalham com Marcelo. Porém, o número cresce muito em outros momentos do ano. “Quando eu faço a flor, são 30 ou 40 pessoas. Tem uma parte das pessoas que é só à tarde. A gente leva uma muda maior e ela dá mais cedo. Em dezembro, é uma época com o pessoal parado, com férias em empresas, e tu consegues mais gente para fazer a flor. Precisa de muita gente”, comenta. “Durante a safra, chega até a 60 pessoas, mas, em média, entre 20 e 40 pessoas”, completa.

Marcelo também compra maracujás de toda a região. Apenas o plantio não dá conta da grande demanda que ele tem. “Eu compro da região toda. Tem desde Tubarão, Urussanga, até Osório(RS). Toda a região litorânea tem. Eu compro porque fui um dos pioneiros. Então, na época, a gente vendia para algumas pessoas, mas sobrava muito. As pessoas, então, pegavam muda e perguntavam: se eu plantar, tu compras? Eu comecei a comprar e fomos crescendo. Degrau por degrau. Hoje, eu sou um dos maiores compradores do Sul”, conta.

Ele prefere comercializar apenas com o Ceasas. “Mercado é mais complicado, porque eles querem que tu dê o ano inteiro e aqui não dá. Então, não há capacidade. É muita exigência. Teria que buscar a fruta na Bahia, mas prefiro não comprar de lá. Fico só com o Ceasa, que serve o mercado. Vendo para cliente final também, mas não tem muito. Nem contabiliza. A procura é baixa”, comenta.

Alguns derivados também fazem parte da lista de Marcelo. “Eu vendo também para fábrica de suco. Eu tenho alguns freezers, faço alguns aproveitamentos e poupa, então vendo. Mas pouquinho também. Não representa muito. O que vale mesmo são os Ceasas”, diz.

Respeito ao vazio sanitário

Em julho, os produtores respeitam o vazio sanitário: período que serve para combater uma doença, uma virose, que surgiu em mudas vindas de fora de Santa Catarina. “O único jeito de combatê-la é pelo vazio sanitário. Ela não tem cura, remédio, nada. Assim, a gente convive com a doença. Então, passamos a adotar o vazio, durante o mês de julho. Em agosto, começa o plantio. A colheita e o corte dos pés têm que acontecer até junho. Nesse período, em julho, só pode ter mudas em estufas com telas contra o inseto. Em agosto, libera para qualquer tamanho e pessoa”, comenta Marcelo.

A produção começa em agosto com o plantio. “A gente guia por um cordão, uma taquara, até o ponto de colheita, que inicia no final de dezembro e segue até junho. Agora temos uma lei que obriga cortar os pés em junho. Antes, a gente colhia até agosto”, explica.

A pandemia do coronavírus atrapalhou os planos de Marcelo. A expectativa era por uma safra recorde de preços, mas isso não se confirmou. “O ano não foi bom. Começou com uma estiagem grande: de agosto a dezembro, praticamente não choveu. No final de dezembro, época da flor, choveu demais. Assim como janeiro e fevereiro. Daí tu não consegues fazer pela chuva. Mas, mesmo assim, foi satisfatório. Depois, deu uma enchente no Ceasa de São Paulo e derrubou os preços. Ficou tudo embaixo d’água. Perdi até caminhão. De lá para cá, entrou a pandemia e as vendas caíram muito”, lembra.

A esperança é de um ciclo melhor que se concluirá em 2021. “No final, terminou bem difícil a venda, tanto para a industria, com o prazo esticado demais, até 180 dias, então complicou para o produtor. O preço não ajudou. A safra foi ruim. Expectativa de uma safra melhor em 2021”, finaliza.

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