21 setembro, 2020

Islândia em 8 dias no inverno

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Islândia, a terra do fogo e do gelo mostra como os opostos realmente se atraem: vulcões ativos se misturam com geleiras, geysers, fontes termais, cachoeiras, campos de lavas, praias de areia preta, numa simbiose antagônica perfeita, criando um dos cenários mais surreais do planeta.

No verão tem sol da meia noite, no inverno tem aurora boreal. O que falta de beleza e fenômeno natural nesse país é realmente difícil dizer. E o melhor dessa história é que, apesar de ser um país exótico, com língua diferente e poucos habitantes, planejar uma viagem para Islândia não é difícil, como você verá nesse post.

Islândia é considerado um país exótico e, de certa forma, ainda pouco explorado pelos brasileiros, mas três fenômenos fizeram com que passasse a ser um destino mais buscado pelos turistas a partir de 2008.

crise econômica mundial de 2008 tornou a Islândia um país mais acessível financeiramente. Não podemos dizer que é um país barato para brasileiros, mas é possível fazer uma viagem econômica, principalmente na baixa temporada. A Islândia te dá a possibilidade de modular os gastos da viagem de forma bem simples.

Outros fatores que popularizaram ainda mais o país foram a erupção do vulcão Eyjafjallajökull em 2010, e o aumento das gravações em paisagens islandesas, posteriormente utilizadas como locações de filmes, séries e clipes musicais. Posso citar e título de exemplo: Trapped, Passageiros da Vida, Sobrevivente, Viagem ao Centro da Terra, Metalhead, Coração de Pedra, Game of Thrones, Interestelar, Batman Begins, Thor.

E para já te animar logo de cara, digo com certeza: cansei de ouvir por aí que a Islândia é um país caro para fazer turismo. Mas, a verdade é que fiz uma viagem de 8 dias no país, com bastante conforto, e voltei para desmistificar essa lenda, mostrando que da para modular a viagem conforme seu orçamento com facilidade.

Claro que não estamos falando de um país da lista dos países mais baratos do mundo para brasileiro turistar, mas com o planejamento adequado e escolhendo um período de baixa temporada, sua viagem provavelmente ficará mais em conta do que para países tradicionais, a exemplo da Itália.

Motivo da escolha e curiosidades sobre a Islândia

Minha viagem aconteceu entre fevereiro e março de 2020 (inverno) e teve duração de 8 dias.

Era hora de buscar algo novo, viajar para um país que desperta a curiosidade, levar ao conhecimento das pessoas que me acompanham no Instagram, em tempo real, aquilo que eu estava vivendo (todos os Stories da Islândia estão salvos nos destaques).

O motivo inicial que me levou a escolher a Islândia como destino foi a facilidade de chegar até lá. Pois é, ao contrário do que muitos pensam, chegar no país é bem simples: um primeiro voo até Londres (inclusive nem gastei com esse voo, pois resgatei milhas Latam) e depois um voo com companhia lowcost (voei de EasyJet) até a Islândia. Fácil e barato. Vou falar melhor sobre isso adiante.

Depois que analisei a facilidade de acesso, passei a pesquisar sobre o país e fui me apaixonando antes mesmo de pisar em solos islandeses. E um pouco do que aprendi, venho agora compartilhar com você.

A Islândia já foi um dos países mais pobres da Europa. Sua evolução econômica teve início com o Plano Marshall, ao final da Segunda Guerra. O desenvolvimento veio acompanhado da redução do desemprego e distribuição de renda igualitária, sendo hoje um dos países com menor desigualdade social.

Já foi eleito o melhor país da Europa para se viver, é extremamente seguro, com criminalidade baixa (crimes com violência são praticamente inexistentes). Nem mesmo a polícia usa armas.

Situada ao sul do círculo polar ártico, integra a lista dos países nórdicos: Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, além das regiões autônomas: Ilhas Faroé, arquipélago da Aland e Groenlândia. A Groenlândia é sua vizinha mais próxima (286 km de distância).

A Islândia é a décima oitava maior ilha do mundo e a segunda maior ilha da Europa (menor que a Grã Bretanha apenas). Aproximadamente 11% do país é coberto por glaciares.

A capital, Reykjavík, possui aproximadamente 2/3 de toda a população do país, e somente 20% do território islandês é habitado. Trata-se de um dos países menos populosos do mundo, com pouco mais de 362 mil habitantes.

Fato curioso é que existem muito mais ovelhas do que pessoas na Islândia. São mais de 800 mil ovelhas islandesas, que ficam confinadas em razão do frio (por essa razão não vi nenhuma ovelhinha por lá).

O país está localizado na cordilheira Dorsal Meso Atlântica, que divide as placas tectônicas que separam a Europa da América do Norte. Como resultado, tem-se uma região com alta incidência sísmica (terremotos).

É possível mergulhar (com roupa especial) na fenda entre essas placas tectônicas, que fica no Parque Nacional Thingvellir (patrimônio mundial da UNESCO localizado no sudoeste do país). Inclusive, nesse local foi fundado o primeiro parlamento do mundo, em 930 D.C.

Além da alta incidência sísmica, a Islândia também é um país extremamente vulcânico (há 35 vulcões ativos). O ano de 2010 foi marcado pela erupção do vulcão glacial Evjafillajkull, que gerou o cancelamento de milhares de voos na Europa durante cinco dias, devido ao receio de que as cinzas vulcânicas espalhadas no ar estragassem os motores dos aviões.

Um dos benefícios da grande quantidade de vulcões, é o fornecimento de energia geotérmica. Mais de 90% das habitações na Islândia são aquecidas pelo calor geotérmico natural e há cerca de 800 fontes termais espalhadas pelo país.

Além disso, a água derretida criada por vulcões subglaciais fornece ao país fonte de energia hidrelétrica. Toda essa energia limpa, fez da Islândia um dos países menos poluídos do mundo.

Considerando que a água quente vem de fonte geotermal, é comum sentir cheiro de enxofre vindo da água. Isso é normal e a água é muito limpa, ainda que tenha um cheiro ruim.

O cheio de enxofre está apenas na água quente, pois a água fria vem de fonte hidrelétrica. Pode beber água da torneira sem se preocupar.

No auge do verão os dias têm 24 horas de sol (a esse fenômeno se da o nome de sol da meia noite), enquanto no auge do inverno, apenas 4 horas, e é a época da aurora boreal.

Não é permitido comprar álcool em supermercados na Islândia. Bebidas alcoólicas só podem ser compradas nas lojas chamadas Vinbúðin, que pertencem ao governo. Em restaurantes você pode consumir bebida alcoólica normalmente.

Não existem mosquitos na Islândia, pois as mudanças no clima são tão rápidas, que os mosquitos não têm tempo para completar o ciclo de vida.

A Islândia publica mais livros per capita do que qualquer outro país. Presentear com livro é tradição no país.

A maioria da população acredita que existem “povos escondidos” que vivem no país, longe dos olhos dos humanos. São elfos, duentes, trolls, que determinam inclusive construções e edificações na Islândia.

Entrada da Blue Lagoon
Entrada da Blue Lagoon – essa parte é acessível a todos, pois fica fora do complexo

Organizando a viagem para Islândia

Moeda

A moeda na Islândia é a Coroa Islandesa (ISK). Dizem que trocar euro por ISK é meio chatinho, pois a troca deve ser feita no banco e há horários determinados.

Eu nem esquentei com isso (e a maioria dos turistas faz como eu): usei apenas cartão de crédito.

Sim, você consegue pagar com cartão de crédito tudo! Até banheiro, quando pago, você pode pagar com cartão.

Pelo que pesquisei, o único lugar que não dá (ou dava) pra pagar com cartão de crédito é ao utilizar os ônibus da cidade, sendo necessário pagar a quantia exata, pois não dão troco. Não usei ônibus e não sei até que ponto essa informação procede, mas resolvi constar aqui como um alerta, assim quem pretende usar ônibus já fica mais esperto.

A conversão do ISK para euro é: 1 euro vale 150 ISK (sim, você vai ver muitos números e zeros quando se deparar com preços).

Idioma

islandês é derivado da língua nórdica antiga e, até hoje, é o idioma oficial. Todavia, a maioria da população fala inglês, principalmente pessoas jovens e nos locais turísticos, hotéis e restaurantes.

Se você se sente inseguro(a) em viajar para algum país por não sentir familiaridade com a língua, ter um celular com internet vai te ajudar.

Viajar com internet em tempo integral não é apenas um capricho, mas sim uma questão de necessidade.

Muita gente me pergunta se é tranquilo viajar para outro país ainda que você não fale a língua nativa ou pelo menos inglês. E para essa pergunta eu mantenho sempre a mesma resposta: não deixe de viajar porque você não fala outro idioma, mas não viaje sem internet no seu celular.

Pensando no conforto da minha viagem, na segurança de ter tudo ao meu alcance quando precisar, bem como no meu desejo em compartilhar todos os acontecimentos em tempo real com vocês, é que sempre utilizo em minhas viagens o chip de internet da SimPremium.

A SimPremium me envia o chip ainda no Brasil, recebo-o na minha casa e quando desembarco no destino final, já estou conectada. A empresa é parceria do blog MV e me acompanhou também na Islândia.

Nem preciso tecer mais elogios acerca da qualidade do produto, pois quem acompanhou minha viagem e todos os Stories que fiz no Instagram @maladeviagem viu o como a internet funciona bem!

Padrão das tomadas e voltagem

A voltagem na Islândia é 220 volts e as tomadas são do padrão europeu, com dois pinos redondos (adaptador em T já resolve o problema).

Na maioria dos países do continente europeu são usados os plugues e as tomadas tradicionais do tipo C e F, ambos com dois pinos redondos.

Fuso horário

Para minorar os efeitos do jet lag (mudanças no fuso horário que provocam alterações no ritmo biológico), é importante, ainda no Brasil, ir aos poucos se adequando ao fuso do país de destino, e uma boa forma de fazer isso é dormir mais cedo ou mais tarde nos dias que antecedem a viagem para se acostumar com o fuso do destino.

No caso dos dias que antecedem sua viagem para Islândia, tente dormir e acordar mais cedo.

O horário da Islândia é UTC/GTM +0. Portanto, a diferença de fuso horário entre Brasil (considerando horário de Brasília) e Islândia é de 3 horas.

Documentos

Passaporte válido e seguro viagem obrigatório. Não precisa de visto nem de vacina contra febre amarela.

O passaporte, por óbvio, é sempre solicitado na alfândega, mas o seguro de saúde nunca me pediram para mostrar. O problema é que se você viajar sem ele e for o escolhido para mostrar (escolha por amostragem), provavelmente não ingressará no país.

O Tratado de Schengen é um acordo firmado entre 26 países europeus, que visa estabelecer a livre circulação dos visitantes nos países participantes. Esse Tratado também estabeleceu a obrigatoriedade da contratação de um seguro viagem no valor mínimo de € 30.000 euros para todos os turistas. O objetivo dessa regra é garantir que o visitante possa pagar as possíveis despesas médicas surgidas durante a viagem, inclusive em caso de óbito.

Os seguintes países participam do Tratado: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Suécia, Suíça, Liechtenstein, Chipre.

Os únicos países europeus que não participam do Tratado atualmente são: Reino Unido, Irlanda, Croácia, Romênia e Bulgária.

Passagens

O melhor jeito de chegar na Islândia é fazendo um procedimento com 2 voos distintos: primeiro compre um voo para alguma cidade europeia, a exemplo de Londres, Genebra, Paris ou Amsterdã. Depois compre um voo separado até a Islândia.

Isso é interessante fazer se você quiser gastar menos, pois a partir das cidades europeias você pode voar com uma companhia lowcost e pagar barato na passagem. Se você cotar um voo do Brasil para Islândia, fazendo somente conexão em outro destino da europa, provavelmente sairá mais caro.

Tem gente que voa a partir dos EUA e Canadá. Tudo dependerá das cotações na época da sua viagem.

Eu optei por voar até Londres e depois comprei um voo da EasyJet até a Islândia. Foi a opção mais em conta que encontrei para o período da minha viagem.

Se você optar por fazer como eu, tenha em mente que companhias lowcost como a EasyJet apresentam preços atrativos, mas com serviços limitados. Se você for precisar despachar bagagem ou quiser reservar assento, precisa comprar separadamente.

Se optar por viajar apenas com bagagem de mão, fique atento que só é permitido 1 item: 1 bolsa ou 1 mochila ou 1 mala de bordo nas dimensões permitidas pela empresa. A fiscalização no embarque é rígida.

Meu custo com a EasyJet: de Londres para Keflavik (ida e volta) saiu 276 £ para 2 pessoas, incluindo 1 bagagem despachada e reserva de assentos na ida e na volta.