28 outubro, 2020

Cultivo que auxilia a saúde

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O afastamento do trabalho formal, por conta de uma trombose na perna, acabou abrindo uma possibilidade para o produtor Valdecir de Aguiar, o Xisquite, de Turvo. Ele é funcionário de uma construtora, onde trabalha como Mestre de Obras, mas está afastado devido ao problema de saúde.

Assim, ele, que já plantava alfaces comuns e vendia para os vizinhos, acabou adaptando a atividade e investindo no cultivo de alfaces hidropônicas, que servem também como alternativa financeira. “A plantação serve para se manter e para passar o tempo. Eu gasto muito com remédios e tem uns medicamentos que o governo não me dá. Eu pedia para o prefeito e para o meu chefe, mas agora está dando certo”, comenta.

A hidroponia é um sistema que busca qualidade de vida e a produção de alimentos de saudáveis. Economiza água, tempo e espaço. Independente de chuva ou de sol, a safra está garantida. “A hidroponia pode ser feita por uma pessoa doente, como eu. Os canos ficam a um metro do chão e não tem manutenção na terra, não precisa afofar, nada. O único procedimento é, enquanto a água vai evaporando, ter que medir a quantia da água que vai colocar para saber a quantidade do produto (fertilizante)”, comenta Xisquite.

O tempo de evaporação é medido por um relógio com timer. “Ele liga e desliga o motor para mim, conforme a programação. No momento, funciona 15 minutos e fica meia hora parado. À noite, para à uma hora e liga às 6 horas”, explica.

As facilidades da produção de alface hidropônica não param por aí. “Como não há trabalho para limpar e cultivar nada, fica fácil para quem tem alguma dificuldade, como eu. O cano dá na altura da minha cintura e eu consigo plantar e colher com tranquilidade”, comenta.

Os testes e o crescimento da horta

Xisquite começou a aprimorar o plantio há uns seis meses. Ele conseguiu adaptar o cultivo sem agrotóxicos e com baixo índice de fertilizantes. “Eu estava tentando fazer apenas com esterco de codorna e consegui, mas demorou muito e ela ficou muito dura e firme. Então, comecei a comprar uns produtos para hidroponia mesmo, mas eu queria fazer sem fertilizante e sem agrotóxicos. Estou conseguindo fazer sem agrotóxicos, mas o fertilizante eu uso, em uma quantia menor”, explica.

A produção está em constante crescimento.“Eu tirei uma safra, faz 45 dias, de 400 pés e, agora, estou com mais 600 pés. Vou abrir venda novamente”, conta, empolgado. Aos 53 anos, Valdecir espera aumentar a produção em breve. “No momento, se eu produzir bastante e vender bastante, vou aumentar a estufa, mas estou vendendo para vizinhos e no comércio em Turvo. Algumas lanchonetes e mercados compram de mim”, pontua.

O início módico já ficou para trás. “Comecei com 48 pés, em um cano, para fazer o teste. Era uma estufa pequena com plástico. Quando eu acertei e vi que iria dar, investi mais. O custo é alto”. “Ela demora a dar lucro, mas depois que engrena só vai”, finaliza.

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