Avaliação: Jeep Commander Overland traz luxo por R$ 251.990

Topo de linha do maior e mais sofisticado Jeep nacional mostra que, no Brasil, SUVs assumem o papel dos sedãs luxuosos

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Foto: Henrique Koifman

*Avaliação por Henrique Koifman, da iCarros

Versão flex mais sofisticada de tração apenas dianteira do maior modelo que a Jeep produz aqui no Brasil, o Commander Overland impressiona pelo acabamento esmerado e variado cardápio de recursos e acessórios, dignos dos melhores sedãs de luxo importados. Mas será que isso faz sentido para os R$ 251.990 cobrados por essa versão atualmente?

Basta a gente sair para dar uma volta em qualquer grande cidade brasileira, hoje, para comprovar que estamos vivendo a “era dos SUVs”. Há tempos ocupando as posições mais altas entre os modelos de passeio mais vendidos no país acima do segmento de entrada, eles se tornaram uma espécie de padrão.

Padrão para carro de família – em lugar das peruas e das minivans –, para dois volumes de porte médio – substituindo os hatches – e, também, para grandes sedãs de luxo. É desse último grupo que o Jeep Commander faz parte. Especialmente nessa versão Overland T270 flex.

A começar pelo caprichado acabamento interno, que impressiona os recém-chegados – meu caso, quando fui retirá-lo da concessionária, para nossa semana de convivência. Por ter já ter avaliado a já caprichada versão mais simples desse modelo, a Limited, não faz muito tempo, meus parâmetros ainda estavam bem “frescos” na memória.

Nesta, os bancos têm revestimentos que combinam couro e suede (que lembra camurça) em duas cores – branco e preto, na que guiei – e ambos os dianteiros vem com regulagens elétricas para uma grande quantidade de ajustes. Somando a isso a altura e a profundidade (com longo curso) da direção, foi bem fácil encontrar boa posição para dirigir.

Outra diferença gritante – com o perdão do trocadilho – é o sistema de som, aqui da marca Harman Kardon e que dá à cabine ares (ou notas) de sala de conserto. E, saindo à rua, a cereja do bolo: o teto solar panorâmico, que permitiu a entrada, em tons impressionistas, da luz do belo dia de começo de outono – deixando do lado de fora a temperatura ainda não tão bucólica assim.

No mais, o Commander se move com suavidade, impondo no trânsito o respeito que seu tamanho traz junto. Suavidade que, nesta versão com motor flex, é ainda maior do que na 4×4, puxada por um ótimo – mas mais sonoro – motor a diesel. E foi já nesse ponto – com menos de 100 metros rodados – que comecei a formular a minha conclusão sobre esse test-drive.

Para ouvir, de fato, o som do motor 1.3 turbo, que gera até 185 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, é preciso pisar mais fundo no acelerador, de um modo que quase nem combina com esse jeitão confortável dele. Fiz isso pouco depois, em uma via expressa, aproveitando para experimentar a tecla “sport”, plantada no console, junto ao seletor de câmbio.

Ele, o câmbio, é automático e – perdão pela repetição – suave, só ganhando um pouco mais de dinamismo com a tal teclinha acionada. Aí, permite que os giros do motor subam um tanto mais, o que se reflete em reação mais rápidas e, claro, também mais ruidosas. Além disso, no “sport” a direção fica um pouquinho mais direta.

Mais pesado que seus irmãos menores – na ordem decrescente, o Compass e o Renegade –, com versões empurradas pelo mesmo motor –, O Commander não é tão ágil quanto eles, claro. Esse peso maior é perceptível não só na aceleração, mas também no comportamento dinâmico do carro como um todo, especialmente quando você tem a bordo mais passageiros, e ele pode levar sete pessoas.

Não que o carro seja lento, mas definitivamente não é esse o espírito da coisa. Assim como naqueles grandes sedãs de luxo, o desempenho está mais ligado a momentos muito específicos, manobras pontuais… ou num domingo qualquer, em que o dono dispense o motorista (e/ou a família) para se divertir um pouco.

Nos 99% restantes do tempo, passeando ou viajando com a família, o que se vai precisar é de potência e torque suficientes para manter boas médias de velocidade, mesmo em subidas de serra, fazer retomadas e ultrapassagens com segurança e rapidez, sem maiores preocupações.

E, nesse sentido, o desempenho dessa versão é mais do que suficiente, reforçado por um conjunto de suspensão, freios e controles eletrônicos que fazem dele um carro extremamente dócil e fácil de conduzir e até bastante estável, levando-se em consideração seu porte e altura.

E ainda por cima, com um consumo de combustível bem mais baixo que o de concorrentes com motores maiores (minha média, com gasolina, ficou em cerca de 10 km/litro, entre ruas e vias expressas urbanas).

Recursos & acessórios 

Ainda em relação ao irmão mais simples, o Limited (também disponível com motores flex ou a diesel, neste caso com tração 4×4), o Overland tem também como bônus sensor de presença que abre a tampa do porta-malas (passando o pé sob o para-choque), onde há tomada de 127v.

E também um sistema por aplicativo chamado Adventure Intelligence Plus com Alexa in Vehicle que, traduzindo, é uma espécie de mordomo virtual, capaz de receber e executar comandos por voz para dar informações sobre o percurso, ligar o motor do carro, abrir e fechar vidros, acender faróis e, se for integrada ao domiciliar, até abrir a porta da garagem.

Esses itens não são sequer opcionais na versão inferior. E, claro, o Overland incorpora tudo o que a outra já tem, como park-assist, chave presencial com partida remota do motor aos sete air-bags, alerta de colisão com frenagem de emergência, assistente de manutenção de faixa e detector de cansaço do motorista e toda uma coleção de recursos de segurança.

Isso e mais uma infinidade de outras coisas, entre elas, praticamente tudo de mais importante que se esperaria encontrar em um sedã de luxo, o que nos faz retornar ao que mencionei lá no começo do texto. Na prática – pelo menos aqui no Brasil, hoje –, SUVs como o Commander ocupam o lugar daqueles modelos de três volumes.

E, seguindo esse raciocínio, faz sim, todo o sentido produzir uma versão mais luxuosa de um SUV, equipada apenas com tração dianteira e mecânica suave e silenciosa.

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