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quarta-feira, fevereiro 28, 2024

Violência doméstica: grupo de apoio leva prevenção às escolas

O projeto Adinkras, de Forquilhinha, também aborda as formas de identificar relacionamentos abusivos e discute a gravidez na adolescência

Forquilhinha
Alexandra Cavaler
cidades@tnsul.com

O projeto Adinkras, ou grupo de apoio às mulheres vítimas da violência, realizado em Forquilhinha desde 2018, ganhou neste ano uma nova missão. Há seis meses, a proposta que visa atender mulheres no período da pós-denúncia para auxiliá-las na recuperação da autoestima e recomeço da vida, reúne meninas da Escola Estadual Luiz Tramontin, com foco na prevenção das violências, identificação de relacionamentos abusivos e gravidez na adolescência.

Quem explica a proposta e o sucesso dos encontros é Andreza de Oliveira, cocriadora e coordenadora do projeto Adinkras. “Nossa experiência com as mulheres que já foram vítimas da violência nos mostrou como é difícil superar os traumas que a violência gera e por isso pensamos em atuar com as meninas para evitar que vivam essas situações violentas. Assim, desde julho deste ano estamos atendendo adolescentes da Escola Estadual Luiz Tramontin, com objetivo de tratar da prevenção das violências, mostrar as maneiras de identificar relacionamentos abusivos e evitar a gravidez na adolescência”, explicou. O Adinkras atua com quatro profissionais: duas psicólogas, uma advogada e uma mestra em Educação.

O projeto, que é financiado pelo Fundo para Infância e Adolescência do Município (FIA), por meio do Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente (CMDCA), em parceria com a Associação de Pais e Professores (APP) da escola, atende 20 meninas com idade entre 13 e 16 anos, estudantes do Ensino Fundamental 2. Andreza revela como foi iniciado o projeto na escola. “As meninas foram convidadas pela equipe de professores e a gestão escolar para participar e poderiam não aceitar, mas a proposta foi bem aceita. Importante assinalar que as participantes não estão envolvidas por serem vítimas de violência, ao contrário, elas fazem parte, justamente, para que a violência seja evitada, para que saibam como lidar ou identificar situações delicadas. Esse é  um projeto de prevenção no qual abordamos, além do que já mencionei o sexting (crime de vazamento de imagens intimas)”.

Joseane Nazário, psicóloga e coordenadora do projeto Adinkras, conta que o projeto envolve também a questão do autocuidado. “O projeto Adinkras, com as adolescentes, visa trabalhar com a prevenção de relacionamentos abusivos e promoção do autocuidado. É um espaço de combate a todos os tipos de violência por meio da apropriação de conhecimento, possibilitando meios de acesso aos direitos, construção da autonomia e cuidado. É de grande importância focar na prevenção considerando as consequências catastróficas que a violência causa na vida de muitas mulheres”.

Participantes falam de mudanças 

Entrar no grupo, para Izadora (nome fictício), de 16 anos, não foi algo que aconteceu no primeiro chamado, mas ao perceber o propósito do mesmo se envolveu e aprovou. “No começo eu não iria ficar no projeto, mas depois eu entendi que ele era muito bom e que ia me ensinar bastante coisa. Posso, inclusive, afirmar que a minha vida mudou. Antes do projeto era simplesmente ir para escola e voltar para casa, eu não conversava com ninguém, não me abria. Depois que me chamaram e que eu resolvi ficar nele, estou me abrindo mais, conversando mais e até falando sobre a minha vida e até se tiver algo me incomodando eu falo, ou seja, mudou a minha cabeça e me ensinou a entender um pouco mais sobre abusos, violências domésticas e mais algumas coisas”, assinalou.

Graziela (nome fictício) também de 14 anos, que já passou pela experiência da violência doméstica, além de ter conhecidas que sofreram o mesmo, a decisão de participar se deu por causa da importância de aprender sobre os próprios direitos. “Já sofri violência e conheço outras pessoas que também passaram por isso. Eu decidi participar por que achei interessante aprender sobre os meus direitos, poder me abrir com as pessoas e falar sobre o assunto. Posso garantir que minha vida mudou bastante”. “Essa proposta me fez entender quais são os meus direitos como mulher e, além disso, me trouxe novas amizades”, emendou Sofia (nome fictício).

Direção e APP avaliam os meses de atividades

Darcy Gomes, professor e diretor da escola estadual Luiz Tramontin conta que o Adinkras se tornou um importante auxílio de empoderamento. “Percebemos que nossas alunas estavam com muita dificuldade em ter que lidar com os anseios e complexidades da fase da adolescência. Por isso sentimos a necessidade de trabalhar um projeto que pudesse auxiliá-las. E o Adinkras, por meio de rodas de conversa, atividades educativas e produção de texto, discute assuntos que envolvem gravidez na adolescência, ansiedade, uso de drogas e álcool. E dessa forma desenvolve uma ferramenta de empoderamento para que elas possam, de forma responsável, assumir os seus compromisso no desenvolvimento das suas potencialidades”, enfatizou.

Foto: Nilton Alves/ TN

Para Rosimeri Fátima, presidenta da APP, os encontros contribuíram com a formação globalizada do cidadão. “A escola Luiz Tramontin foi contemplada nesse ano de 2023 com o projeto Adinkras que veio para contribuir com a missão da escola que é a formação globalizada do cidadão, pois a falta de conhecimento sobre os relacionamentos abusivos e gravidez na adolescência são causas de preocupação da comunidade escolar e de toda a sociedade. Nossas adolescentes estão motivadas e participaram ativamente de todas as atividades oferecidas. O resultado tem sido relevante e com certeza todas as informações que adquiriram nesses meses do projeto, proporcionarão mudanças no futuro de cada uma”, concluiu.

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