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quarta-feira, fevereiro 28, 2024

Na dor da perda, a força de um avô que se tornou pai

As histórias de pais também são representadas por aqueles que se tornam ‘paidrastos’ e cumprem o importante papel

Içara
Alexandra Cavaler
cidades@tnsul.com

O ano era 2021; o mês foi o de março; o dia, 24. Foi nessa data que a vida de Rosinei Inácio, o Nei, pai de um casal e avô de dois meninos se transformou. Poucos dias antes, no Dia Internacional da Mulher, nascia a netinha Isabele. A felicidade chegou em forma de criança, mas o que ninguém esperava, uma vez que estávamos no auge da pandemia da Covid-19, é que tudo mudaria e daria lugar a sentimentos múltiplos com a dor da perda, a responsabilidade de ter um bebê prematuro para criar. E foi isso que ocorreu, pois a mãe da bebê, a bela Amanda, não resistiu ao agravo de saúde provocado pelo vírus.

Passados todos os momentos difíceis e delicados a ‘ficha teve que cair’, a vida precisa seguir, pois um serzinho totalmente dependente integrava à família. E as boas histórias começaram a ser contadas, os lindos momentos começar a ganhar espaço. Isabele recebe alta hospitalar, chega para ficar na casa dos avós maternos, ganha seu espaço e conquista todos os corações. Ela se torna a dona da coisa toda!

E nasce um pai/avô

Vovô Nei conta que a família não mede esforços para que a pequena tenha tudo o que um bebê precisa. “É complicado, pois temos que lidar com várias coisas e sentimentos, mas estamos vivendo momentos incríveis ao lado dela. Ela virou tudo de ponta cabeça e eu precisei voltar há quase 30 anos atrás. Reaprendi a dar banho, trocar fralda, dar remedinhos. Afinal, éramos apenas eu e a esposa; os filhos já criados, e de repente temos um bebê em casa que depende totalmente de nós”, assinalou, lembrando: “Temos dois filhos. A Amanda, uma filha linda, maravilhosa, recém formada e em 22 dias você perde a sua filha, chega um nenezinho. Então, mudou tudo. Nossa vida se voltou aos cuidados com a nossa neta até porque nasceu prematura, e quando recebeu alta, com apenas 2 kg, exigiu cuidados mais específicos”.


O pai/avô também conta que a pequena princesa já está na escolinha, é cheia de vida e vende saúde. Ele ainda diz que ela tem o temperamento idêntico ao da mãe. “Ela quer brincar o tempo, mas às vezes fica irritadinha como a mãe dela fazia. Dizemos que ela é a mini Amanda, parece que estamos criando a mesma pessoa pela segunda vez”, lembrou emocionado e respondendo a pergunta sobre o que deixaria escrito para Isabele numa cápsula do tempo falou: “Seja exatamente como a sua mãe foi: íntegra, sincera, honesta, de coração bom. É isso vamos ensinar a ela, eu e minha esposa, enquanto estivermos aqui. Até porque ela vê a foto da mãe, sabe qual é o quarto, beija a foto, só não sabe ainda o que realmente aconteceu, pois achamos cedo. Mas o que ela já tem certeza é de que a mamãe dela foi uma pessoa incrível”.

Foto: Nilton Alves/TN

Parque Altair Guidi, o quintal de casa

Aos 33 anos, Ederson Pizoni dos Santos, técnico em mecânica industrial, afirma que ter filho é ter um coração fora do peito. Assim ele se refere à Alice, sua filha de seis anos de idade. “Ela chegou e nos ensina todos os dias o verdadeiro significado da palavra amor. Ela é o meu coração fora do peito. Nossos momentos pai e filha são sempre incríveis e o que mais gostamos de curtir juntos são os passeios no parque municipal. O nosso quintal de casa, local aonde jogamos bola, andamos de bicicleta, e a percebo livre e feliz. Isso não tem preço”.

Foto: Divulgação

‘Paidrasto’ também é pai

Essa história muito fofa fala das gêmeas Maria Cecília e Valentina, de oito anos, filhas da Sabrina e que há quase oito anos está casada com o jornalista Paulo Paixão, colega aqui da redação. Ele conta que quando o relacionamento começou as meninas tinham pouco mais de dois aninhos. “Então, praticamente vi elas crescerem. Desde pequenas sempre foram nossas companheiras em viagens, passeios, em praticamente tudo o que permitia que elas pudessem estar. A convivência que temos sempre foi muito boa”, revelou.


Já as meninas relatam o que é ter um padrasto e se declaram. “Ele é um segundo pai. Às vezes pode ser legal ou ruim, mas o meu é muito bom. E vocês deveriam achar o padrasto de vocês muito bons também, pois o meu é muito carinhoso e eu amo o muito”, disse Valentina. “Eu vejo ele como uma pessoa que substitui o meu pai só que ele é bem mais legal eu gosto muito, porque sempre me deu muito amor e carinho. Quando ele começou namorar a minha mãe eu estranhava, mas depois eu aprendi a amar ele demais”, contou Ceci, acrescentando que se diverte muito nas brincadeiras e gosta quando assistem junto à TV. “Também gostamos de ficar zoando porque ele é pançudo”, fez questão de completar Valentina.


Presente

Paulo também fala que não tinha filhos, mas que ganhou duas de uma só vez. “Eu não tinha filhos e acabei ganhando duas de uma só vez. Dá para se dizer que neste tempo em que estamos convivendo elas aprendem algumas coisas comigo e eu aprendi muitas coisas com elas também. É uma troca diária da carinho, amor, aprendizado e muita diversão”, concluiu.

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