Tigre: Uma história de 76 anos com alma, garra e coração

Fundado em 13 de maio de 1947, Tigre completa mais um ano de existência, vivendo um momento especial na trajetória. Tudo começou com o Comerciário, passando pelo azul e branco e se consolidando no amarelo, branco e preto

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Tiago Monte

Criciúma

Neste sábado, dia 13, o Criciúma completa 76 anos de história. Para comemorar a data e celebrar o momento positivo vivido pelo clube, o jornal Tribuna de Notícias e o portal TNSul.com lançam, nesta edição, o projeto Tigre 76 Anos. O objetivo é contar, em matérias semanais, divididas por períodos históricos, desde a origem do clube, ainda como Comerciário, passando pelo Criciúma em azul e branco e consolidando no amarelo, preto e branco.

Tudo começou em 1947. O Comerciário foi fundado em 13 de maio, recebendo, no batismo, o nome completo de Comerciário Esporte Clube. Entretanto, a organização foi iniciada um pouco antes. Exatamente quando, ninguém sabe precisar, mas todos tem absoluta certeza de que tudo iniciou debaixo da centenária figueira da praça Dr. Nereu Ramos, local onde um grupo de jovens idealistas, de tradicionais famílias de Criciúma, reuniram-se pela primeira vez com a finalidade de formarem um time de futebol para fazerem suas peladas nos finais de semana.

Estiveram presentes nesta primeira reunião: Lédio Búrigo, Carlos Augusto Borba, Hercílio Guimarães, Mário Tuffi, Homero Borba, Ruy Possavante Rovaris (Carlitos), José Carlos Medeiros, Nelson Garcia e Jacó Della Giustina. A notícia da criação de um novo time de futebol repercutiu intensamente nos meios sociais da cidade, principalmente nas rodas de café e dentre os quais, no tradicional Café São Paulo, o ponto de encontro de toda a Criciúma, e onde mais se comentava sobre futebol.

Os primeiros mandatários do então novo clube

Após aquele primeiro encontro, sucederam-se muitos outros, até que os rapazes conseguiram chegar a fase de definições como a escolha do nome da nova agremiação, cores do uniforme e outros assuntos de relevante interesse para o novo time. Depois de acertado que o nome do novo time seria Comerciário Esporte Clube e oficializada a data de fundação em 13 de maio de 1947, partiu-se então para a escolha da primeira diretoria, que foi constituída por Antenor Longo – Presidente de Honra, Sinval Rosário Bohrer – Presidente, Honório Búrigo – 2º Presidente, Eddio Barreiros Mello – 1º Secretário, Salentino Ramos – 2º Secretário, Jurê João Borba – 1º Tesoureiro, José Carlos Medeiros – 2º Tesoureiro e Carlos Augusto Borba – Técnico.

Esta diretoria ficou encarregada de redigir o primeiro estatuto do Comerciário Esporte Clube, e a 8 de setembro de 1947 aconteceu a primeira Assembleia Geral, quando na oportunidade foi aprovado o primeiro estatuto do clube contendo sete capítulos e 21 artigos.

Jogo de estreia no estádio do Ouro Preto

No dia 15 de maio de 1947, aconteceu a primeira partida do recém fundado clube. O adversário foi o já tradicional São Paulo Futebol Clube, da Vila Operária. O jogo aconteceu no estádio do Ouro Preto e a jovem equipe foi derrotada por 4 a 0.

A primeira bola do time foi comprada por 17 contos e 500 réis e o primeiro terno, listrado de azul e branco, adquirido após uma coleta no comércio. No dia 8 de junho, as duas equipes voltaram a se defrontar no mesmo local. O time do São Paulo voltou a aplicar outra goleada, 4 a 1, sendo que o zagueiro, Carlitos, foi o autor do primeiro gol do time do centro.

A primeira vitória só aconteceu na terceira partida, também diante do São Paulo, o Comerciário venceu pelo placar de 3 a 2. A primeira viagem foi para Siderópolis, onde o time enfrentou o Grêmio Esportivo Macedo Soares, onde a equipe de Criciúma Esporte Clube empatou com os donos da casa.

No final da década de 40, um dos primeiros times do Comerciário teve Romancini, Colombo, Vante, Muricy, Zoile e Ari. Carlitos, Eraldo, Detefon, Anibal e Bigode.

Títulos no Campeonato Regional da Larm

O primeiro título do Comerciário foi conquistado em Siderópolis, em 8 de fevereiro de 1948. O time era considerado a zebra do torneio, por ser o caçula da região. Em 1949, o Comerciário venceu o Campeonato Regional da Liga Atlética da Região Mineira (Larm). Depois de ser vice-campeão em 1948, no ano seguinte, o time entra em campo e conquista o primeiro título da competição. A equipe azul e branca derrotou o Atlético Operário em duas oportunidades, por 3 a 1 e 6 a 1. O esquadrão campeão era formado por: Mário; Colombi, Vante, Muricy e Zoile; Ary, Carlitos e Eraldo; Detefon, Aníbal e Bigode. Nos dois anos subsequentes, conquistou também o bi e tricampeonato.

Em 1950, os titulares tinham Mário Romancini, Luiz Colombi, Vante Rovaris, Zoile Thomé, Muricy e Ary Búrigo. Dilto Rovaris, Eraldo Souza, Carlitos Rovaris, Anibal Bernardino e Durval (Bigode). O técnico era Ademar Canarin. O jogo final foi realizado em 21 de abril contra o Hercílio Luz.

Na década de 50, o Comerciário conquistou o bicampeonato do Regional da Larm. Mais precisamente nos anos de 57 e 58. No final daquele período, o Atlético Operário fez a entrega de faixas ao time do Centro.

Vitória no Campeonato Catarinense

A principal façanha do time do centro foi a conquista do primeiro título estadual, que aconteceu no ano de 1968. Naquele tempo, estava despontando para o futebol nacional o ponteiro direito Valdomiro Vaz Franco, que depois foi um dos grandes ídolos do Sport Club Internacional de Porto Alegre.

O título foi ganho em uma partida extra, contra o Caxias de Joinville, no Estádio Adolfo Konder, em Florianópolis. O time campeão era este: Batista; Alemão, Lili, Conti e Toco; Bita, Ivanzinho e Sado; Valdomiro, Chiquinho e Bossinha. O Caxias foi derrotado por 2 a 0 e a vitória ratificou o título dos Comercialinos.

Em 1970, atingido por uma séria crise financeira, o Comerciário Esporte Clube foi obrigado a encerrar as atividades no departamento de futebol profissional, só retornando a disputar o Campeonato Catarinense em 1977.

Uma nova era: surge o Criciúma Esporte Clube

No ano de 1977, o Comerciário resolveu voltar às atividades profissionais. Sob a tutela de Osvaldo Patrício de Souza, o clube queria recriar o passado de glória que o futebol havia vivido na cidade.

Mesmo contando com um bom apoio financeiro, o Comerciário não conseguia reagir naquele primeiro ano de retorno. Em virtude de uma briga com a federação em função de confusões que aconteceram no primeiro jogo do campeonato estadual daquele ano, em que o Comerciário perdeu para o Avaí por 2 a 1, o clube acabou perdendo o mando de campo em dois jogos decisivos que definiram a classificação para a fase final. Assim, o Comerciário acabou perdendo a vaga e foi obrigado a disputar uma deficitária repescagem.

Havia, no entanto, um outro grande problema que o clube tinha que enfrentar e não vinha obtendo resultados: a falta de torcida. O fantasma do Esporte Clube Metropol ainda habitava a cabeça dos criciumenses. Conhecido como o “time dos mineiros”, o Metropol foi diversas vezes campeão estadual, excursionou pela Europa e representou por cinco vezes o estado na Taça Brasil sendo que, em uma delas, chegou às finais. Com tudo isso, a comparação era inevitável, e o Comerciário sempre saia perdendo.

Foi então, que surgiu a ideia de se trocar o nome para Criciúma Esporte Clube, no intuito de trazer para o estádio os torcedores dos extintos Ouro Preto, Atlético Operário, Próspera, Boa Vista e até o Metropol. Assim, em 2 de abril de 1978, o clube passava a se chamar Criciúma Esporte Clube.