Atletas denunciam professor de caratê por assédio sexual em Içara

Jovens registraram ocorrência na Polícia Civil e no Fórum da cidade contra supostos abusos cometidos pelo ex-treinador de projeto social

Foto: Pixabay

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Maíra Rabassa
Içara

Duas adolescentes procuraram as autoridades policiais de Içara com uma denúncia grave contra um professor de caratê da cidade. Elas informaram para a Polícia Civil e a Promotoria, de que o homem, de 43 anos, as abusou sexualmente enquanto era instrutor da modalidade em projeto social da Prefeitura Municipal. Elas relataram que o suposto ataque aconteceu em 2021, depois que foi retomada as aulas na pandemia.

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“Ele me mandou tirar a blusa e me pediu sexo oral. Depois de eu ter recusado ele se masturbou olhando pra mim”, revela Amanda*, de 14 anos, que estava com 13 anos de idade quando ocorreu o fato. Na época, o suspeito convenceu a garota a ir na casa dele para falar sobre o esporte. Na oportunidade, o homem lhe ofereceu bebida alcoólica (vodka), recusado pela jovem. “Ele me levou para o quarto dele, tocando em suas genitais e colocando para fora. Como recusei a fazer o oral, ele começou a se masturbar olhando para o meu corpo. Essa cena me traumatizou. Cansei e gritei: para! Eu não quero ver”, conta Amanda em depoimento para a Promotoria de Justiça.

Outra atleta, de 16 anos – que tinha recém feito 15 anos quando aconteceu o fato – teve conjunção carnal com o acusado. Ela estava no ponto de ônibus, quando o professor lhe ofereceu carona. Então ele a levou para sua casa com a desculpa de que teria que buscar dinheiro para colocar combustível no carro. “Eu pedi um copo de água. E ele me levou para dentro de casa. E começou a tirar a minha roupa e a dele. Colocou camisinha. Eu pedindo para parar. Para ele não fazer aquilo comigo. Depois de um tempo ele parou e foi para o banho. E depois tomou uma cerveja e me ofereceu uma. Me levou para casa como se nada tivesse acontecido”, relembra emocionada.

Medos e traumas para a vida

A menina Amanda conta que passou por uma fase horrível depois que foi assediada. “Reprovei na escola, pois não tinha mais vontade de fazer nada. Tive que fazer várias consultas com psicólogos e psiquiatras. Não consegui mais voltar para as aulas de caratê. Só vou conseguir quando ele não estiver mais atuando em campeonatos”, declara a garota.

A outra adolescente, de 16 anos, diz que levou um tempo para conseguir contar para alguém o que lhe tinha acontecido. “Eu me fechei. Mas, agora eu vi outras meninas contando, e então, resolvi me abrir. Eu tinha medo de ele me pegar depois do treino e me matar, sei lá. Eu me sinto muito mal, assustada, e culpada por não ter falado antes e ter salvo outras meninas”, desabafa a atleta.

*Nome fictício para não comprometer a jovem.
Polícia abre inquérito para investigar casos

A Polícia Civil de Içara abriu inquérito para investigar as denúncias realizadas pelas garotas contra o professor. De acordo com o delegado Rafael Iasco, esse é um crime muito grave e tem que ser averiguado com cautela. “Vai ser instaurado um inquérito policial para a apuração dos fatos relatados pela jovem. Em pouco tempo chamaremos os envolvidos no caso. Vamos coletar as provas. Caso ficar comprovado o crime, vamos pedir a prisão e o indiciamento dele”, completa Iasco.

Academia e projeto desligam acusado

O acusado também não faz mais parte do quadro de funcionários do projeto social de caratê em Içara, conforme comunicado da Prefeitura Municipal. “A Associação Team Everaldo Karatê vem a público declarar que o ‘professor’ acusado por assédio não faz mais parte da associação Team Everaldo, ou qualquer grupo de karatê que tenha ligação com o projeto de karatê de Içara. A Team Everaldo recrimina qualquer tipo de abuso e exploração sexual, esperamos que sejam apurados todos os fatos e que a justiça seja feita”, publicado na rede social da Associação na noite de quarta-feira, 18.

Ele também trabalhava como instrutor em uma academia de musculação. Em nota, o dono do da empresa informou que mediante ao ocorrido o professor não faz mais parte do quadro de funcionários da academia. “A academia não compactua com nenhum comportamento que viole a integridade de uma pessoa, Nosso foco é total em nossos alunos e por isso nossa decisão”, diz a nota.

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