“Tem condição de sobreviver”, afirma professor sobre o Rio Criciúma

Rio degradado pela poluição e afetado por minas de carvão ainda pode ser despoluído segundo o professor Carlyle Torres Bezerra de Menezes

Foto: Nilton Alves/TN

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Thais Borges/Especial Tribuna de Notícias
Criciúma

Apesar de muito sujo, o Rio Criciúma ainda tem chances de ser recuperado. A afirmação é de Carlyle Torres Bezerra de Menezes, professor do programa de mestrado e doutorado em Ciências Ambientais e do curso de Engenharia Ambiental e sanitária da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), e presidente da Comissão de Meio Ambiente e Valores Humanos da instituição. “Ele tem condição de sobreviver”, defende.

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Menezes faz parte de iniciativas e projetos dentro da universidade que estudam o rio. São analisadas as condições de limpeza, acidez, identificação de poluentes, metais pesados e lançamentos irregulares de esgoto doméstico e industrial. “São procedimentos que a gente sabe que os órgãos responsáveis estão fiscalizando, mas, infelizmente, o rio ainda apresenta uma qualidade muito ruim”, relata. Ele ainda ressalta que para o rio manter a sua conservação é necessário preservar as nascentes que dão a sua origem. “Ele ainda tem vida. Se destruir as nascentes, aí se acaba o rio”. O professor destaca que é preciso proteger o Morro do Céu, local onde se encontram as principais nascentes do rio.

Ele informa mais duas maneiras de manter o curso de água: estancar toda forma de poluição e recuperar as partes que têm ácido de mina, que ficam localizadas no Morro Cechinel. Além de toda a parte hídrica, a mata no entorno do rio também participa de um ecossistema que permite o desenvolvimento de animais nativos. Para Carlyle, faltou atenção à situação durante anos. “A cidade cresceu escondendo o rio”.

Eduardo Fernandes Martinello, de 23 anos, é engenheiro ambiental e sanitarista formado pela Unesc e participou de projetos da organização junto de Menezes. Em um deles, Martinello foi responsável por detectar poluentes em cinco regiões. “Em todos os pontos, praticamente todos deram alterados. Principalmente os que tinham relação com coliformes e também relacionados à acidez da água, sejam por metais pesados ou o próprio Ph”, explica.

Segundo o engenheiro ambiental, a situação do rio é extremamente degradante. “São dois os fatores mais importantes de degradação do rio: a mineração de carvão, que acidifica o rio”, revela, sendo esse um dos motivos da falta de presença de peixes. “Além disso, o despejo inadequado de esgoto. Isso está lançando muito coliforme no rio e está ajudando na acidificação também”, confirma.

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