Resgate histórico é a marca da Sociedade Recreativa União Operária

A história do clube União Operária como é mais conhecido, começou no dia 14 de abril de 1937

Foto: Nilton Alves/TN

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Letícia Ortolan
Criciúma

Um lugar de resgate histórico e de resistência contra o racismo. A frase descreve a Sociedade Recreativa União Operária(SRUO), que coleciona momentos há 85 anos. Localizado no bairro Santa Bárbara, em Criciúma, o clube foi fundado por um grupo de amigos para um espaço de lazer, diversão e jogos. Atualmente conta com mais de 100 sócios, que junto à diretoriabuscam pela preservação do patrimônio sociocultural. Fechar as portas, não é uma opção.

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A história do clube União Operária como é mais conhecido, começou no dia 14 de abril de 1937. Inicialmente, funcionava em uma casa de madeira pequena, no Bairro Vila Operária, tendo pouco espaço para o público. “Sempre foi um lugar de cultura e luta dos negros. A gente freqüentava aqui, porque não éramos aceitos em outros clubes. Já nos procuraram para vender o ponto, mas para nós, representa muitas coisas”, disse Iara Odila Nunes, presidente do SRUO.

Com o sucesso do local, foram criadas categorias aos associados: sócios patrimoniais, especiais, honorários, temporários e sócios contribuintes. Em 1972, o local tornou-se de utilidade pública municipal, por meio da lei nº 912/72. Segundo Odila Alano da Rosa, sócia benemérita do SRUO, no ano seguinte, o primeiro deputado estadual negro do Rio Grande do Sul, Carlos Santos, sugeriu a construção da atual sede. Logo após, veio o título como um dos lugares mais badalados da cidade.

O primeiro baile de debutantes do espaço foi realizado em setembro de 1980.  A Escolha da Mulata da Difa, A Escolha da Mais Bela Estudante, o Baile de Pelúcia, Baile da Festa de Santa Bárbara, O Baile Até o Sol Raiar, foram apenas alguns dos eventos que movimentavam o União Operária. Na época, eram feitas excursões de outros Estados para marcar presença.

Dona Odila, que também esteve à frente da presidência do clube, relembra emocionada de todos os detalhes dos momentos já vividos lá dentro. “É de bater no peito quando contamos toda a história e o que tivemos que fazer para o União Operária ser levantado e ter uma das melhores estruturas da época. Lembro que conseguimos trazer grandes artistas, como o Agepê, Sandra de Sá, e Alcione”, explicou.

O grande sucesso do clube, iniciado já na década de 80, perdurou até 2005. Neste ano, dificuldades financeiras começaram a ser enfrentadas devido à falta de pagamento das mensalidades dos sócios. E, em 2013, o local foi invadido por sócios inadimplentes que em dezembro, abandonaram totalmente a sociedade.

O resgate

De 2014 até 2016, o União Operária ficou abandonado. Durante esse período, o local teve vários itens furtados, como móveis, aparelhos de som e eletrodomésticos. O clube foi totalmente destruído, tornando inviável o acesso do público para eventos.

“Montamos a comissão do movimento negro, junto com representantes da Unesc [Universidade do Extremo Sul Catarinense] e começamos o processo de revitalização do clube. Conseguimos realizar pinturas, fizemos mutirão para a retirada de lixos que depositaram, negociamos conta de energia e água”, explicou Iara.

Em 2020, com a pandemia do coronavírus, o SRUO precisou ser fechado novamente. “Ficamos durante dois anos com as portas fechadas, o que atrasou o nosso processo. Estamos fazendo tudo aos poucos, pois precisamos de ajuda, nós sobrevivemos de doações e mensalidade dos sócios”, salientou a presidente.

O clube União Operária está vivo

Desde o ano passado, as atividades realizadas dentro do clube União Operária foram resgatadas. A diretoria que é composta por 16 membros, realiza encontros quinzenais na sede, com o intuito de discutir sobre melhorias e montar planos futuros.

“Nós demos uma parada na venda dos títulos, mas já estamos retomando. Tem pessoas que comprar só para nos ajudar. Está tudo um pouco defasado ainda, estamos fazendo tudo conforme conseguimos e vamos recebendo de doações e parcerias. Temos o sonho que volte a ser bem freqüentando, como antigamente”, enfatizou a presidente.

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