Em estados de abandono, antigos escritórios da CSN terão novos rumos

Estruturas comprometidas viraram motivo de preocupação para os governos de Criciúma e Siderópolis

Foto: Nilton Alves/TN

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Gustavo Milioli

Criciúma/Siderópolis

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A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi por décadas o maior ícone da economia regional. A transnacional ficou entre as décadas de 1940 e 1980 explorando o solo rico em minério do Sul catarinense. Quando encerraram as atividades, além do legado de desenvolvimento, a estatal criada por Getúlio Vargas deixou dois grandes escritórios. Depois de quase 40 anos de inatividade, a estrutura localizada em Siderópolis deve virar uma área de cultura e lazer. Já a de Criciúma foi derrubada pela Defesa Civil na última semana e ainda não tem planos para o futuro, já que pertence ao setor privado.

O Executivo sideropolitano está perto de finalizar o projeto responsável pela revitalização e reforma do espaço. A vontade do prefeito Franqui Salvaro é criar um ‘museu do carvão’ e, depois, aproveitar os terrenos localizados ao redor, no bairro Rio Fiorita, para construir um parque. O espaço já passou por uma limpeza interna e externa nos últimos dias.

“A recuperação do antigo escritório da CSN é um comprometimento de campanha nosso e em breve daremos início”, anunciou o prefeito em um vídeo publicado nas redes sociais. O projeto proposto mantém a parte arquitetônica e suas particularidades, ou seja, o local não perderá a sua característica histórica.

“Nós queremos fazer um resgate cultural, onde teremos auditório, salas do nosso centro operacional e estacionamento. No entorno teremos pista de caminhada e quadras de areia para o pessoal jogar futebol, vôlei e beach tennis. Em breve será licitado”, acrescenta.

 Contexto histórico importante

A CSN esteve na região de 1943 até 1989. O escritório de Siderópolis, que comportava o engenheiro-chefe, todos diretores, encarregados, contabilistas e funcionários administrativos, chegou a ter cerca de 200 colaboradores no auge. Desde então, está inativo. A estrutura foi doada à prefeitura, que não realizou nenhuma movimentação até o momento.

“O local foi invadido por pessoas que arrancaram portas, teto, madeiras nobres… Virou um antro de marginais, que iam lá para usar drogas. Já foram feitas mais de duas mil denúncias, mas nada mudou o desprezo absoluto do governo. O escritório foi caindo aos pedaços com o passar do tempo até chegar a triste situação atual”, lamenta o historiador e escritor Ronaldo David, nascido e criado no Rio Fiorita. Ele lembrou que em frente ao escritório existia um hospital para tratar os milhares de funcionários da CSN, que também está abandonado.

“Ali deveria existir, além do museu, um centro de ensino profissionalizante. Embora não exista planos para isso, poderia ser até a sede da Câmara Municipal, para não precisar ficar mudando de um lado para o outro, gastando fortunas com o aluguel de imóveis”, reflete.

A alta patente da CSN que chegava a Siderópolis de diferentes partes do Brasil morava na chamada Vila Residencial, uma espécie de condomínio de luxo elaborado pela companhia. “Em um belo dia, descobriram que embaixo dali também tinha carvão e liquidaram com todas as casas”, comenta.

Descaso que veio de todos             

Na opinião do historiador, o que fez o local chegar ao estado degradante de hoje, além da negligência do poder público, foi a falta de fiscalização da comunidade. “O pessoal foi deixando de lado. Poquíssimas vozes lutaram para tentar empreender alguma melhoria, dá para contar nos dedos de uma mão”, pensa.

Em Criciúma, prefeitura põe prédio abaixo

As equipes da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Compdec) e da Secretaria de Infraestrutura, Planejamento e Mobilidade Urbana realizaram na última demolição a demolição de um prédio que serviu como sede da CSN. O imóvel ficava localizado no bairro Próspera, às margens da Avenida Centenário, e serviu para outras finalidades depois que a estatal deixou a região. O espaço estava abandonado há mais de 10 anos.

O prédio foi motivo de um imbróglio judicial por um longo período. Segundo a Compdec, a estrutura, que tinha mais de 1,6 mil metros quadrados, vinha sendo usada para a prática de crimes, como tráfico de drogas. O Governo Municipal informou que os custos da operação serão cobrados diretamente do proprietário por meio do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Caberá ao dono do terreno decidir o que fazer com o emblemático lugar a partir de agora.

“Aqui prospectou-se grandes volumes de riqueza e trabalho, mas nos últimos tempos, esse prédio tem colocado em risco a saúde da população, a segurança da população. Tem puxado a cidade para baixo. Assim como estamos fazendo em outros pavilhões, casas abandonadas, colocamos no chão”, justificou o prefeito Clésio Salvaro em uma rede social.

A matéria completa você lê na edição desta quinta-feira do Jornal Tribuna de Notícias

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