Criciúma: qualificação profissional é cada vez mais evidente

Dia do Trabalho é celebrado neste domingo, 1º de maio, em todo o mundo

Foto: Nilton Alves/TN

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Gustavo Milioli

Criciúma

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“Trabalhar é a melhor coisa que tem”. Não é à toa que Felipe Brandão da Silva, de 63 anos, resolveu voltar a frequentar uma sala de aula depois de cinco décadas. O aposentado se matriculou em um curso profissionalizante de mecânica automotiva no Bairro da Juventude para continuar na ativa.

Brandão conta que, durante a vida, já exerceu diversas profissões. Após chegar à aposentadoria, o gaúcho radicado em Criciúma decidiu se profissionalizar em uma área que gosta. A intenção é, após conseguir o certificado, trabalhar em oficinas mecânicas.

“Eu adoro carros. Já fiz um motor sozinho, 2.0. O meu colega se matriculou aqui e me incentivou a vir também para nos aperfeiçoarmos”, afirma. O aposentado percebe que o mercado de trabalho mudou drasticamente com o passar do tempo. “Hoje em dia, quem não correr atrás do estudo, se atualizar, fica de fora. Em todas as aulas, primeiros temos a parte teórica, e depois vamos para a prática”, relata.

Além de mexer com instrumentos do seu feitio, Brandão espera conseguir uma renda extra. “O meu aposento, é um aposentinho pequeno. Se entrar um dinheirinho a mais para mim, fico satisfeito. Qualquer serviço de ajudante de mecânico que eu encontrar, vou agarrar”, pontua. As aulas começaram há cerca de um mês e meio e seguem até o final do semestre.  “Hoje temos oportunidades que no meu tempo de juventude não existiam. Quando eu era moleque, esses cursos só eram pagos. Minha mãe não tinha condições, assim eu não nunca fiz. Agora está muito mais fácil para se preparar”, observa. Brandão é um grande exemplo de perseverança neste Dia Internacional do Trabalho.

Professor mostra as principais tendências do mercado de trabalho atual

Brandão não está errado quando diz que, atualmente, o conhecimento é o melhor caminho para o sucesso profissional. Pós-doutor e professor do curso de Administração da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Thiago Francisco explica que esta vontade de adquirir novas competências é uma das principais qualidades dos profissionais no mercado de trabalho contemporâneo.

Outro fator muito levado em conta por empresas tem sido a polivalência do colaborador, ou seja, a capacidade de desempenhar diferentes funções. No entanto, é preciso ter cuidado para não se prejudicar em meio a tantas tarefas atribuídas para si. “Muitas vezes, isso pode ser um tiro no pé. É algo importante, desde que a empresa tenha projetos muito bem definidos onde essas pessoas tenham de fato condições de contribuir. Não basta apenas delegar tarefas se não existe um projeto em que se possa trabalhar de maneira consistente”, salienta ele, acrescentando que, no fim das contas, o que realmente importa é a qualidade do serviço.

Lá e cá

No caso das pessoas que ainda estão começando a carreira, dois elementos mais as atraem no momento de escolher um emprego: o aprendizado e a estabilidade. “Pesa o fato de o trabalho ter um propósito, ser algo que irá contribuir para a formação profissional. Como passamos por tempos de severas mudanças econômicas, também tem-se a preferência de ficar em lugares mais estáveis”, explica.

No caso das empresas, um dos aspectos mais bem avaliados pelos empregadores na hora de definir as contratações é o comprometimento com as atividades. Outro, é a experiência. “Nos últimos anos, algo que foi acelerado pela pandemia é o retorno de profissionais experientes ao mercado. É cada vez mais comum as empresas contratando profissionais de 50 ou 60 anos, justamente pelo conteúdo que ele carrega”, revela.

Soft skills e hard skills              

Dois termos bastante comentados no meio empresarial podem ser completamente desconhecidos pela maior parte da sociedade. Ainda assim, os conceitos de soft skills e hard skills têm se tornado banalizados na concepção do professor.

“Estão virando termos cada vez mais populares, assim as pessoas não o utilizam com a devida segurança”, aponta. Soft skills são relacionadas à personalidade do indivíduo, à característica emocional e ao caráter. São um conjunto variado de competências, que moldam sua importância de acordo com os avanços da sociedade. “A empatia, orientação a serviços, escuta ativa, comunicação e transmissão de informações e conhecimentos de forma assertiva são habilidades que permitem uma melhor interação entre os seres humanos e criam um ambiente mais harmonioso”, detalha o Francisco.

Aquilo que é facilmente aprendido através de formação acadêmica, cursos ou estudos, é chamado de hard skill. Deixando de lado a relação entre as pessoas, o termo consiste na habilidade de desempenhar uma função de maneira técnica e consistente.

“Soft skills são aquelas competências que te fazem um bom cidadão. Se você é ético, responsável, resiliente. Hard skills são competências relacionadas ao conhecimento. Se você sabe operar uma máquina, manusear uma planilha… São aquelas capacidades que, geralmente, encontramos nos anúncios de emprego”, informa. Aliando os dois conceitos, o sucesso profissional é natural.

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