Criciúma: comerciantes impactados pelas obras do binário cobram mudanças

Vereadores estiveram no local nesta terça-feira, 22, com a Secretaria de Infraestrutura e o DTT, para discutirem soluções

Foto: Nilton Alves/TN

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Gustavo Milioli/Tribuna de Notícias
Criciúma     

Os donos de estabelecimentos frontais onde será erguido o viaduto do Binário da Santos Dumont, no bairro São Luiz, em Criciúma, estão estarrecidos com os transtornos. A falta de sinalização e de alternativas no trânsito são as principais causas apontadas por eles para a queda de até 50% no movimento dos comércios.

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Ontem, os vereadores membros da Comissão de Obras estiveram no local para ver de perto o problema. Representantes da Diretoria de Trânsito e Transporte (DTT) e da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Planejamento e Mobilidade Urbana acompanharam o encontro. Por enquanto, sobram reclamações e faltam soluções.

O comércio isolado está entre a trincheira e o viaduto. “In loco nós olhamos toda a necessidade, os comerciantes estão revoltados com a situação. Decidimos procurar o Tita (Beloli – secretário de Infraestrutura) para resolvermos o problema. Sentamos com ele na prefeitura, conversamos e eles ficaram de analisar, sinalizar e tentar melhorar a situação daquele desvio ao entorno da trincheira”, comenta o vereador Salésio Lima, presidente da comissão.

Tita visitará as obras na tarde de hoje com a equipe técnica da pasta e pode anunciar novas mudanças. Entre elas, a abertura de um acesso. “Estamos verificando as possibilidades para melhorarmos o acesso às lojas entre o elevado e a trincheira”, resume.

De acordo com Salésio Lima, a comunidade pede a criação de um ‘trânsito local’ que permita o acesso de veículos aos comércios. Para isso, sugeriram a derrubada de um ponto de ônibus inativo, de um poste e da calçada, abrindo espaço para a passagem de veículos.

“Está nas mãos da prefeitura. Esses comerciantes tinham uma rodovia a todo vapor, que agora está sem movimento. Sabemos que é uma obra complexa, que traz transtornos. Mas temos que encontrar alternativas que façam com que esses negócios não sejam tão prejudicados”, destaca.

Dificuldades financeiras podem falir quiosque

Édio Coral é dono de um quiosque bem enfrente do local onde o elevado será construído. Ele estima uma queda de, ao menos, metade do movimento desde novembro, quando o trânsito foi totalmente bloqueado. Mas os impactos começaram a ser sentidos mais de dois anos antes.

“Desde quando começou a primeira etapa, com a drenagem, já era uma baderna completa. Era só poeira, escavações que nunca terminavam. A gente acha que eles deveriam ter preparado os acessos para deixar livre a circulação. A prefeitura não quer colaborar, porque não quer colocar ninguém para cuidar (do trânsito). Eles fizeram o projeto, mas não estudaram o impacto financeiro que geraria a nós. Quem vai nos sustentar?”, indaga o comerciante, que atua há 10 anos no local.

Coral explanou os prejuízos que vem sofrendo. “Estou com dificuldades para pagar o aluguel, a água, e até a energia acabei atrasando. Eu pagava a faculdade da minha filha e também precisei parar por causa disso”, lamenta.

Apesar do problema atual, Coral reconhece os benefícios que a rodovia Luiz Rosso e a Avenida Santos Dumont terão quando as obras ficarem prontas. A expectativa do poder público é finalizá-las até janeiro de 2023. Enquanto isso, segue a batalha diária para manter o negócio de pé.

“Nós não somos contra a obra e o progresso. Progresso todo mundo quer. O que falta é planejamento. Não teve. A empreiteira veio para cá e começou a fuçar em tudo o que é lugar, bloquear a via sem nos avisar antes. Virou uma terra sem lei, com máquina para cá e caminhão para lá. Cheguei a fechar por três vezes o comércio porque não pude trabalhar devido a essa bagunça. Eles deveriam ter mais consideração com o contribuinte”, contesta.

Alternativas propostas pela comunidade

As conversas entre a comunidade e o setor público vêm acontecendo há alguns meses. Até o momento, poucas ações concretas foram observadas. “Eles até têm dado atenção, mas não está sendo resolvido o que é para resolver. Precisamos de mais acessibilidade. Acho que o (prefeito Clésio) Salvaro precisa vir aqui e conhecer de perto a nossa situação. Estou aqui há mais de 30 anos e acho que merecemos um pouco de respeito”, explana João Batista Antonelli, dono de um pet shop.

Hoje, os clientes chegam da rua Raimundo Pucher de carro, param em frente aos estabelecimentos, dão meia volta e saem pelo mesmo trajeto de onde vieram. Como sugestão, Antonelli pediu para que ao final da rua colocassem uma placa com os nomes de todos os negócios locais. Ele também espera a demolição do ponto de ônibus inativo para alargar a rua. “Vai melhorar a acessibilidade para quem vem de carro. Resta-nos esperar, ver se eles vão cumprir com o que prometeram”, afirma.

Faltam placas de sinalização

Na visão de José Alberto da Silva, proprietário de uma loja de materiais de construção, a falta de sinalização deixa o trânsito ainda mais confuso. “Poderiam informar melhor nas esquinas, deixando até um guarda para facilitar. Por enquanto não tem como abrir, os caminhões ainda estão trabalhando, mas há como melhorar”, opina.

Intervenções podem atrasar a obra

Paulo Borges, gerente de operações da DTT, alertou que intervenções no local podem causar atraso nas obras do binário, prejudicando os prazos estabelecidos. Ainda assim, mostrou-se solícito a efetuar as alterações de trânsito que a Secretaria de Infraestrutura julgar necessárias.

“Podemos intervir no trânsito, mas não na obra. Se começarmos a intervir, a obra não anda, fica estagnada. Sempre atrasa a cada intervenção”, declara.

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