Criciúma: a angústia de quem aguarda por médicos especialistas

Edicarlos aguarda dois anos para atendimento com profissionais da área de ortopedia. Conselho Municipal de Saúde vai até a Câmara de Vereadores em busca de soluções para o problema

Foto: Nilton Alves/TN

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Maíra Rabassa
Criciúma

Um relatório que circula na Câmara de Vereadores aponta que pelo menos 8 mil pessoas precisam de atendimento com um médico especialista em Criciúma. E para saber mais detalhes do problema, no próximo dia 28 de junho, o Conselho Municipal de Saúde estará no Legislativo para buscar soluções para a situação da saúde pública na cidade. O órgão encaminhou um ofício pedindo à Secretaria Municipal informações sobre o número de profissionais ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas até o momento o Conselho não recebeu respostas do Governo. “Oficializamos o pedido dia 8 de junho”, completa Leandro Machado, presidente do Conselho Municipal de Saúde de Criciúma.

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Até o último dia 17 de junho (sexta-feira) pelo menos 15 Unidades Básicas de Saúde do
município estavam sem médicos. “Estamos debatendo nas reuniões do Conselho sobre a falta de médicos nas unidades como um todo, mais de 15 unidades de saúde sequer possuem médico”, alerta o presidente do órgão.

Reunião do conselho
No próximo dia 24, a partir das 19h, na Sala do Conselho Municipal, será realizada uma reunião com todos os presidentes regionais para levantar a pauta para a tribuna livre no Legislativo. “Essa demanda de reclamações está chegando de todos os bairros”, diz Machado

Governo Municipal diz estar buscando soluções
Conforme dados do relatório que está no Legislativo Municipal, as especialidades com maiores demandas são: Dermatologia, Angiologia, Oftalmologia, Psiquiatria e Psicologia. Questionado sobre as filas, o secretário de Saúde, Arleu da Silveira, explica que está a par da situação e por conta disso, devem começar a trabalhar nos próximos dias novos profissionais da área médica. “Estamos chamando concursados e também contratando consultas médicas com o Cisamrec”, completa o secretário.

Aumento no sus
A gerente de Atenção Especializada e Regulação da Saúde de Criciúma, Juliane Zanon, avalia que essa alta no número de consultas para especialistas veio com a pandemia. “Tivemos muita gente saindo dos planos de saúde e privado e vindo para o SUS. Esses dois anos de pandemia mudaram bastante o cenário. Estamos realmente com essa demanda. E estamos chamando os médicos concursados. O Governo está engajado para resolver o problema”, ressalta a gerente.

Saiba mais
O Cisamrec é uma associação pública, com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica, integrando a administração indireta dos entes federativos consorciados, composto por 27 municípios, sendo: 12 municípios da Região Carbonífera
e 15 municípios da região do Extremo Sul catarinense, cujo objetivo é a implementação
compartilhada das ações e serviços públicos de saúde especializados, complementares aos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde-SUS e visa, sobretudo, a otimização dos recursos públicos.

Principais demandas:
Especialidade Fila/Pessoas
Dermatologia 1.569
Angiologia 1.374
Oftalmologia 1.758
Psiquiatria 1.155
Psicologia 2.000 (número aproximado)
Fonte: Câmara de Vereadores

Pacientes relatam dificuldades enfrentadas
Quem está doente não tem muito tempo para esperar por um atendimento. Ainda mais quando precisa de suporte na saúde para poder continuar trabalhando. Esse é o caso
de Edicarlos Máximo Ramos, de 46 anos, morador do bairro Cristo Redentor.
Ele é pedreiro de profissão e está na luta com seu problema ortopédico desde que sofreu um acidente em 2011, quando lesionou o joelho (quebrou a patela do joelho esquerdo) em uma batida de moto em uma rodovia de Içara.

Na época da lesão, Edicarlos não passou por cirurgia. Por conta da dor que sentia, ele começou a mancar o que acabou prejudicando o joelho direito. Com isso, ele procurou novamente um ortopedista, que avaliou que ele deverá passar por uma cirurgia nos dois joelhos para tentar voltar a ter uma vida normal. “Estou há dois anos esperando para ir ao médico cirurgião para poder avaliar minha situação. Já fui várias vezes na Secretaria e o que eles me dizem é que estou na fi la e nem em que posição que estou ele dizem”, desabafa o pedreiro.

Outro caso é da auxiliar de cozinha, Valdete Colombo, de 58 anos, que sofre com dores no joelho desde 2018. Ela sofreu um acidente de trânsito que lesionou o joelho. Para
amenizar a situação, ela está fazendo fisioterapias, porém alega que o joelho não dobra. “Já tenho vários problemas de saúde e preciso passar por um ortopedista para ser avaliada. E eu não tenho como pagar uma cirurgia. Todo dia de manhã vou à fsioterapia. Preciso fazer uma ressonância, mas não tenho dinheiro”, relata a auxiliar, que mora no bairro Imperatriz.

Sem renda
Com dificuldades para dar continuidade aos tratamentos médicos, Edicarlos e Valdete estão vivendo de favores, já que não conseguem trabalhar. O pedreiro estava recebendo pelo INSS, mas faz dois anos que ganhou alta e com isso está sem
rendimentos, já que os joelhos estão lesionados. “Meus fi lhos estão me ajudando com o sustento. Na semana passada estive na Assistência Social e consegui uma cesta básica. Não consigo ficar em pé. Sinto muita dor”, relata Edicarlos.

Valdete também está sem condições de voltar ao mercado de trabalho, pois as dores são fortes demais para suportar ficar em pé. Ela tem uma filha de 12 anos e mora com uma amiga. “Minha amiga está fazendo faxina para colocar as coisas dentro de casa. Ela que está segurando as coisas por aqui. Às vezes consigo uma cesta básica. Se eu sair daqui não sei o que fazer”, conclui a auxiliar de cozinha.

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