Auxílio Brasil atende quase mil famílias a mais em Criciúma

Antes chamado de Bolsa Família, programa do Governo Federal foi incrementado, passando, também, a oportunizar uma renda maior às famílias

Foto: Nilton Alves/TN

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Gustavo Milioli
Criciúma

Desde janeiro, o antigo Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil. Projetado pelo Governo Federal para ampliar o leque de beneficiados e zerar a fila, o programa trouxe, como principal mudança, a ajuda mensal mínima de R$ 400 a qualquer um dos amparados. Em Criciúma, o número de famílias atendidas foi ampliado em quase mil.

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Na prática, o auxílio financeiro continua o mesmo da época do Bolsa Família. A diferença está no chamado Auxílio Extraordinário, que surgiu para complementar o Auxílio Brasil e garantir o depósito de ao menos R$ 400 a todos.

“No Bolsa Família, haviam muitas famílias que recebiam menos de R$ 50 por mês. Hoje, elas seguem ganhando nesta mesma faixa com o Auxílio Brasil. A mudança veio com o Auxílio Extraordinário, que trouxe uma renda a mais para completar os R$ 400”, explica Rosimar Fagundes Rodrigues, coordenadora do Cadastro Único (CadÚnico) da Secretaria de Assistência Social de Criciúma.

Por exemplo, se uma pessoa recebe R$ 100 através do Auxílio Brasil, ela ganhará mais R$ 300 para a renda mínima ser atingida. “Uma pessoa sozinha já pode receber esse valor. O incremento vale para todos aqueles que não tenham a renda mínima”, complementa ela.

Em março de 2020, no início da pandemia, Criciúma tinha menos de 3 mil famílias com acesso ao Bolsa Família. Agora, o número de beneficiados é de 4.670. “Houve uma reviravolta com o começo da pandemia. Entrou o Auxílio Emergencial, com as famílias recebendo, por mês, R$ 600 ou R$ 1.200, dependendo se eram mães solteiras”, comenta. Depois, com o fim do Bolsa Família, entrou o Auxílio Extraordinário, combinado ao Auxílio Brasil. “Cada família recebe um valor diferente. As famílias mais numerosas, com várias crianças, podem ganhar até R$ 1.000 do Auxílio Brasil. Aí, elas não têm o complemento. O cálculo difere de acordo com cada realidade. O incremento começou a valer em janeiro de 2022”, detalha Rosimar.

De acordo com a coordenadora, o Governo Federal estipulou a meta de zerar a fila de espera pelo benefício. Para ter acesso à ajuda financeira, no caso de quem tem crianças e adolescentes em casa, a renda per capta não deve ultrapassar os R$ 105. Para os restantes, a renda máxima é de R$ 210. É obrigatório que as crianças acima de quatro anos estejam matriculadas na escola.

Em março deste ano, estavam inscritas no CadÚnico, em Criciúma, um total de 10.377 famílias em situação de vulnerabilidade social, correspondendo a 26.718 pessoas. “O Cadastro Único é o grande guarda-chuva para o cidadão ter acesso a todas as políticas públicas. A partir daqui, verificamos as condições de cada um para identificarmos se possuem os requisitos para terem acesso aos benefícios do governo”, pontua.

A vida voltou a sorrir

Uma destas mais de 26 mil pessoas é Elaine Cristina Cruz, moradora do bairro Renascer. A mudança para o Auxílio Brasil melhorou a sua vida em diversos aspectos. Compartilhando a moradia com sete filhos e o marido, ela pôde focar no artesanato como um complemento de renda.

“Passamos por sérias dificuldades, mas depois que deu essa modificada, melhorou bastante. Tinham meses que eu tirava o dinheiro para comprar o gás e não sobrava para as outras coisas. Hoje a minha maior fonte de renda é o Auxílio Brasil. Faço tapetes e chinelinhos de pelos para vender e ter uma renda a mais. Teve momentos da minha vida que eu não tinha renda nenhuma e fazia reciclagem para conseguir manter a casa”, externa.

A situação da família é acompanhada de perto pelo Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do Renascer. “Todos os três filhos dela com idade para frequentar o CRAS estão realizando o acompanhamento. O Programa Auxílio Brasil veio para oportunizar às famílias um incremento no poder de compra. Eles recebem uma ajuda na alimentação por meio das cestas básicas, mas que são limitadas a apenas alguns itens. Com o auxílio, eles conseguem ir ao mercado e comprar outros itens importantes para a casa”, explica Michele Bombazar, assistente social do CRAS.

Além de frequentarem a escola, crianças de seis a 13 anos também passam pelos cuidados do CRAS. Foi ali que Elaine aprendeu a fazer o artesanato para vender, e é ali que seus filhos também potencializaram os próprios talentos.

“As crianças delas que estão conosco possuem cada uma alguma habilidade. É importante que fortaleçamos essas habilidades. O João recebeu uma bolsa em uma escola de balé de Criciúma e gosta da dança. A Sara é outra menina muito habilidosa manualmente e vem em um ritmo bastante parecido com o da mãe. E tem o Miguelzinho, o mais novo, que ainda está se descobrindo”, comenta a assistente social.

O marido de Elaine já sofreu dois infartos e está com dificuldades de conseguir um emprego fixo. Tendo mais disponibilidade financeira, a criciumense ampliou seus trabalhos como artesã. “A Elaine sempre gostou desses trabalhos manuais. De um tempo para cá, a vida de artesã dela deu um ‘up’. Começou a ter condições para comprar alguns materiais para fazer o artesanato, poder divulgar mais as produções dela. Hoje, ela tem uma demanda bem grande que vem a complementar a renda da família”, observa Michele.

Lado social também é importante

Segundo a assistente social, o Auxílio Brasil, além de prover uma importante ajuda financeira, também atua no lado social, dando oportunidades para as crianças crescerem em ambientes saudáveis.

“A gente tem seis CRAS no município, cada um está inserido em um território de vulnerabilidade social. A maioria das famílias do bairro são contempladas pelo Auxílio Brasil por possuírem uma dificuldade em ingressar no mercado de trabalho, seja por falta de escolarização ou profissionalização. O programa também vem para evitar que essas crianças se evadam da escola e vão para o trabalho infantil, que é outra forma de violência. Até os 14 anos, quando eles podem entrar no Jovem Aprendiz, é proibido o trabalho. Além da questão econômica, também existem as questões sociais. Por isso o programa é tão importante, porque garante que essas famílias não retrocedam nesse aspecto”, salienta.

Para servir de exemplo aos filhos

Elaine sabe que além de receber os benefícios do governo, deve correr atrás dos seus sonhos com as próprias pernas. Sabendo das dificuldades que possui, ela garante que nada é motivo para ficar de braços cruzados e que todo o esforço, no fim, será recompensado. “O que vale é o esforço da pessoa. Para vencer, temos que nos ajudar. Não é só a assistente social estar em cima, também temos que batalhar. Eu procuro mostrar para os meus filhos que esse é o caminho. Se eu mostrar para eles que eu quero trabalhar, amanhã ou depois eles vão se espelhar em mim”, destaca.

As produções de Elaine são divulgadas no perfil do Instagram @elainepersonalizadoscriciuma. Por lá, interessados em comprar as peças podem fazer contato com a artesã. Ou, também, pelo WhatsApp, no número (48) 99979-1400, exposto no banner em frente a sua casa.

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