O Catar pela visão de uma fumacense

Nicole Toretti reside no país do Oriente Médio há sete anos e acompanhou a construção de uma cidade desde o “zero”


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Tiago Monte

Doha/Catar

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Há uma invasão de brasileiros, no Catar, nas últimas semanas, em função da Copa do Mundo. Pessoas de todo o Brasil chegam ao Oriente Médio. Porém, uma catarinense – natural de Morro da Fumaça – chegou há muito mais tempo no país. Nicole Toretti se mudou para o país árabe em 2015, quando marido dela recebeu uma proposta de trabalho. “Quando eu cheguei aqui, estavam começando as reestruturações de Doha, que é onde moro e a cidade mais populosa do pais”, comenta a fumacense, falando sobre a capital catari.

Quando Nicole desembarcou no país, o Catar ainda não era um dos favoritos para ser sede da Copa do Mundo deste ano. Mais do que isso: cidades, que são sede de jogos, sequer existiam. “Lusail (cidade vizinha) ainda era só areia. Vi uma cidade inteira sendo construída do zero e, na época, consegui ver isso da minha casa. Sete anos se passaram e hoje é uma cidade completa, com hospitais, clínicas, lojas e vias. É incrível”, destaca.

O país é pequeno – em termos de território – 11,4 mil quilômetros quadrados. Apenas para comparação, o Estado de Santa Catarina tem mais de 95 mil quilômetros quadrados. Ou seja, não é preciso se deslocar muito para conhecer todo o país. “Em três horas, a gente vai de uma ponta a outra do país”, comenta Nicole.

No verão, país chega a ter 53 graus

O calor do Catar assusta. Atualmente, o país está no outono. Ou seja, as temperaturas são mais amenas. Para os padrões do Sul do Brasil, ainda é calor: média de 26 graus. Existe também uma sensação de abafamento e tempo seco. Nicole conta que existe, inclusive, uma brincadeira entre os brasileiros que moram no Catar. “A gente diz que aqui tem três estações: verão, inferno e inverno. Em julho e agosto é extremamente quente e úmido, chegamos a 53ºC, 60ºC”, pontua.

Entretanto, as inovações são tamanhas no país do Oriente Médio – sempre em busca de uma qualidade de vida maior. “Tem ar condicionado em todos os lugares, ultimamente conseguiram colocar até ar condicionado em algumas ruas e praças”, ressalta Nicole.

Choque cultural é menos impactante que o esperado

O choque cultural, na percepção de Nicole, não é tão grande quanto às pessoas costumam comentar. “Quando você se muda para um país árabe, tem alguns receios de muito do que se ouve falar, mas Doha foi muito acolhedora. Existem mais ocidentais do que moradores locais por aqui. Posso dizer que minha vida aqui é muito similar ao Brasil, mas com um sentimento de muita segurança”, comenta.

Segundo ela, ainda há muitas liberdades, mas algumas punições graves para determinados comportamentos. “Tem algumas regras, como a de trânsito, em que multas são bastante severas”, comenta. “Uma pessoa que dirige bêbada, por exemplo, pode ser extraditada do país”, completa Nicole.

As regras de vestimentas são fáceis de serem cumpridas, conforme a fumacense. “Quando tu chega a um país árabe, tem medo de que não pode mostrar ombro, cotovelo, joelho. Depois que vai vivendo aqui, acaba vendo que tem um grande exagero nisso tudo. As pessoas, e eu inclusa, andamos normal, com shorts, regatas…”, comenta.

O custo de vida no Catar é alto. “Temos pouca infraestrutura agrícola e importamos muita coisa”, pontua Nicole.

Rotina alterada com a chegada da Copa

Nicole destaca que a rotina sofreu alterações, gradativamente, até o começo da Copa. “Foram implementando algumas mudanças de via, nas escolas e até de horário. As crianças estão sem aula nesse período: foram trocadas as férias longas, de verão, pelas de inverno. Mas isso foi bom para que as crianças possam viver um pouco mais o clima da Copa“, comenta.

Como uma brasileira que mora no Catar, Nicole não poderia deixar de acompanhar um jogo da Seleção Brasileira. A estreia contra a Sérvia, hoje, acabou não sendo possível de ser vista no estádio, mas os ingressos já estão comprados para a partida contra a Suíça, na próxima semana. “Temos uma grande colônia de brasileiros aqui e, geralmente, nos unimos para acompanhar alguns jogos. Estamos empolgados. O Brasil sempre foi o mais esperado e o favorito para o campeonato”, comenta.

Conforme Nicole, as camisas do Brasil são comuns nas ruas. E nem sempre são usadas por brasileiros. “Todos são muito amáveis conosco, quando nos veem com o uniforme ou a bandeira. Amanhã (Hoje) é um grande dia, em função do jogo do Brasil. Estamos confiantes e muito felizes. A cidade está lotada e fico feliz de dizer que fizemos parte disso. Agora é rumo ao hexa!”, finaliza.

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