Safra da tainha é encerrada com números aquém do esperado

Principal razão apontada pelos pescadores foram os problemas com a licença ambiental

Foto: Divulgação

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Gustavo Milioli
Balneário Rincão e Balneário Arroio do Silva

A safra da tainha terminou nesse domingo, 31, em Santa Catarina, mas os pescadores do Sul do Estado tiveram poucos motivos para comemorar. Os números ficaram abaixo da metade daquilo o que esperavam conseguir. As principais causas apontadas foram a demora para a emissão da licença ambiental no início da temporada, a partir do Governo do Estado, e as condições climáticas pouco favoráveis.

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Em Balneário Rincão, a Colônia de Pescadores Z-33 planejava tirar do mar aproximadamente 250 toneladas do peixe. Após todos os percalços, o cálculo foi de
apenas 60 toneladas. “No ano passado, eu pesquei em torno de 20 toneladas. Agora,
nesse ano, foram só cinco toneladas. Ainda tenho que agradecer a Deus por ter conseguido esse pouquinho, porque tive muitos companheiros que não desceram os barcos do caminhão para lançar no mar, não acharam nada. Não deu tempo. Veio muita tainha, elas estavam lá, mas o vento era sudoeste. Acabou com tudo, levou para fora o nosso peixinho. Aquele ciclone terminou com a safra”, lamenta Rogério Cardoso, o Abacate, presidente da colônia.

Mas os homens do mar não esmoreceram diante da situação. Se a safra da tainha deixou a desejar, o foco agora está em outras espécies, para recuperar os prejuízos. “Foi desesperador. A sorte dos pescadores é que a papa-terra iniciou bem. Veio uma pescada de
maré. Estamos recuperando alguns perdidos”, destaca Abacate.

Prognóstico
Como a licença ambiental emitida é válida para os próximos cinco anos, na próxima safra da tainha, os pescadores esperam voltar a colher números expressivos. “Para o ano que vem, torcemos para a situação climática ser favorável. Quanto mais frio, mais o peixe é costeiro. Dependemos também do vento sul. Se tudo conspirar ao nosso favor, vamos ter uma safra muito mais positiva”, completa o presidente.

Mesma situação em Balneário Arroio do Silva

Os pescadores de Balneário Arroio do Silva esbarraram nos mesmos problemas ao longo dos últimos três meses, durante a temporada da tainha. Foram apenas 80 toneladas pescadas, muito menos do que as 200 toneladas da última safra, em 2021.

“Foi muito fraco. Já começamos a pescar tarde, por causa das licenças, que demoraram quase um mês. Como não podíamos ir pescar, o peixe passou e nós ficamos na saudade. Pegamos muito pouco”, comenta Antônio Borges, o Sansão, presidente da Colônia de Pescadores Z-24.

Além da burocracia, a meteorologia também não colaborou. “O frio não deu as caras como esperávamos, e o vento afastou os peixes da costa”, sublinha. A exemplo dos pescadores
do Balneário Rincão, a bola da vez em Balneário Arroio do Silva é a papa-terra.

“A safra da papa-terra começou muito bem. Também estamos na expectativa pela corvina. Esse é um dos peixes que nos dá mais dinheiro. A pescadinha é outra espécie que estamos
de olho. O que precisamos agora não é de frio, mas do jeito do mar. Vento nordeste, sem estar muito forte”, assinala o presidente.

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