Produtores incrementam a renda com novas atividades nas lavouras do Sul

Diversificação nas propriedades rurais auxilia no faturamento das famílias. Região é uma das mais fortes nessa prática, segundo a Epagri

Foto: Nilton Alves/ TN

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Criciúma

Com as dificuldades impostas pelo dia a dia – especialmente as intempéries, diversificar sempre foi um bom caminho para a agricultura. Nos últimos anos, a agregação de valor nas propriedades tem feito com que os produtores sigam com as plantações habituais, mas com olhares voltados ao empreendedorismo e à inovação. No Sul, as terras férteis e a vocação do povo contribuem para que haja investimento em novos negócios, mesmo mantendo as tradições familiares.

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Há 20 anos, Loiva Perdoná e o esposo, Orlando Cezar, foram pioneiros no cultivo orgânico de banana. Desde então, a fruta desempenha papel fundamental na renda da família, que reside em Criciúma, no Morro da Bananeira. Com nove hectares plantados, a produção in natura corresponde a apenas 50% do faturamento, isso porque, uma nova atividade foi implantada na propriedade: a agroindústria.

A matriarca da família explica como surgiu a ideia de criar uma agroindústria, há cerca de dez anos. “Fomos trabalhando, eu e meu marido, e vi que estava sobrando muita banana, porque a gente não estava dando conta de vender e, quando a gente colhe, tem fruta madura e o supermercado não aceita mais. Ali, percebi que tinha mais um nicho: criar uma agroindústria para processar esses frutos”, comenta Loiva.

No início, foi tudo devagar. Até porque, o futuro do investimento era incerto. “A primeira máquina que eu comprei foi de fazer banana passa, desidratar a fruta. Há uns cinco anos, eu fiz a agroindústria mesmo, tudo certinho, junto à vigilância. Como eu não queria sair do orgânico, eu busquei fazer os derivados da banana. Eu aproveitei o máximo de receitas que são derivadas da nossa matéria-prima”, enfatiza.

Mensalmente, no total, são colhidos cerca de seis mil quilos de banana in natura pela família. Dessas, boa parte é encaminhada à agroindústria, de onde saem produtos orgânicos derivados da fruta. “Eu sei que a nossa banana é muito especial. Quem a come, fala isso. É muito boa, tem um teor de açúcar excelente. Então, aproveitei essa oportunidade e por estamos em um local muito bom para o cultivo para processar ela”, pontua a empreendedora.

Desde que iniciou a produção agroindustrial paralelamente, Loiva não vende mais as frutas in natura nos supermercados. “Agora, comercializamos para atravessadores e entregamos para a merenda escolar através da cooperativa Nosso Fruto”, frisa. Atualmente, com o investimento na estrutura e na certificação orgânica também na linha de produtos derivados, as vendas na fábrica atingem 50% da renda da família. “Eu quero chegar a ainda mais”, almeja a agricultora.

Hoje, a marca Ciranda – lançada oficialmente na AgroPonte do ano passado, possui diversos produtos derivados de banana, entre eles, estão: farinha da fruta, biomassa, doce com e sem açúcar, bolos e o próprio fruto desidratado, com chocolate branco, preto e normal. “Eu nunca pensei em ter uma agroindústria para fazer só doce. Não. Eu pensei em vários itens, por isso, tenho uma variedade. Então, o nome da marca casa com isso. Variedade”, explica Loiva.

A família também comercializa para municípios vizinhos como Maracajá, Araranguá, Sombrio, Arroio do Silva, Balneário Rincão e Içara. Os produtos da marca podem ser encontrados na Feira de Criciúma, na Praça Nereu Ramos, ou através das redes sociais pelo perfil @ciranda_organicos.

Agregação de valor é comum, mas pandemia intensificou

De acordo com o coordenador do programa Gestão de Negócios e Mercados da Epagri no Sul, Marcelo Silva Pedroso, aqui na região, é muito comum a agregação de valor nas propriedades. ”Seja na parte de agroindústrias, cooperativas ou no turismo rural. No Estado, o Sul é um dos mais fortes nesse tipo de trabalho. A pandemia intensificou. Muitas famílias necessitaram de mais renda. Mas, essa ação vem há muito tempo como uma necessidade do agricultor, porque só a matéria-prima não está viabilizando a permanência da família no meio rural”, explica.

A prática envolve inúmeros segmentos da agricultura. “Nós temos desde a parte animal, embutidos, lácteos, mel, pescados, ovos – que vêm se desenvolvendo muito forte nos municípios, principalmente, na Amrec, com a implantação do SISBI, que é um sistema de inspeção, vinculado ao Ministério da Agricultura. Então, vem crescendo muito. Mas, com os cursos que a Epagri faz, desenvolve bastante a área de conservas, geleia, doces, panificados, sucos, polpas e bebidas. É bem diversificado”, acrescenta Pedroso.

E é por contribuir com a renda das famílias que esse tipo de agregação é recomendável pela Epagri. “Trabalhamos há muitos anos com relação à necessidade do agricultor agregar valor na sua produção para poder avançar na cadeia produtiva e ganhar mais dinheiro. Então, é muito importante, há subsídios. O próprio Governo Federal também tem o Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar] que tem recursos que, muitas vezes, o Estado subsidia com juros zero ou menos juros”, enfatiza.

Com a pandemia, sem aulas e merenda

Telma Köene, coordenadora estadual do programa Gestão de Negócios e Mercados da Epagri no Sul Catarinense, admite que essa prática já vem de longa data. “Os agricultores empreendem em agroindústrias, em transformar o seu produto e tentar, assim, agregar valor. Com a pandemia, o maior problema foi o fechamento das escolas, porque daí o programa nacional de alimentação nas escolas parou de funcionar e eles tinham a produção tanto no campo, como dos industrializados pronta para entregar, mas não tinha como fazer essas entregas”, explica.

Com incentivos e oportunidades à vista, o empreendedorismo vem aumentando no campo. “A agregação de valor está sendo vista pelos agricultores como um bom investimento. Principalmente, com essas mudanças que têm acontecido nas legislações do Estado para olhar para os pequenos com outros olhos, não exigindo grandes estruturas, mas sim, aquilo que precisa para que haja um produto adequado, de qualidade, e dentro do quer se é esperado para um pequeno”, enfatiza a coordenadora estadual.

As mudanças devido à pandemia trouxeram inovações na forma de vender, principalmente, no campo. “Por isso, a necessidade de se criar novas rendas é muito importante. A Epagri sempre trabalha com o agricultor para diversificar e não colocar os ovos todos na mesma cesta, como se diz, porque se der o problema com uma atividade, a outra vai poder socorrer. Quanto mais diversificado, melhor”, reitera Telma.

Turismo rural também agrega na renda

O turismo rural tem ganhado força em Santa Catarina. Esse é um dos produtos que está ligado à agregação de valor. “Mesmo o agricultor tendo uma agroindústria, essa prática pode estar presente, porque as pessoas podem conhecer as propriedades, comprar os produtos. Então, isso também é uma forma de empreender no meio rural e vem atingindo uma importância bem grande”, finaliza Telma.

Produtos comercializados pela marca Ciranda:

  • Farinha de banana;
  • Biomassa;
  • Doce de banana com e sem açúcar;
  • Bolo de banana sem açular e sem farinha;
  • Banana desidratada – com chocolate branco, preto e normal.

 

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