Criciúma: setor de eventos volta a vislumbrar a plena recuperação

Segmento dá sinais de ter deixado a pandemia para trás, com movimentos que voltam a animar os empresários

Foto: Nilton Alves/TN

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Gustavo Milioli
Criciúma

Um dos segmentos mais castigados pela pandemia do novo coronavírus foi, de longe, o de eventos. Depois por passar por maus bocados nos últimos dois anos, enfim os empresários do setor voltam a registrar movimentos similares ao período pré-isolamento. A demanda de trabalho foi acentuada, devido ao acúmulo de festas e eventos que ficaram para trás. Casamentos, formaturas, aniversários… O povo quer ‘tirar o atraso’ e fazer tudo ‘para ontem’.

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Essa ansiedade trouxe uma nova tendência ao ramo. Ao menos, é o que a empresária Daiane Savi tem observado. Com as agendas lotadas, as pessoas passaram a procurá-la para organizar eventos típicos de finais de semana em dias úteis, para não precisarem adiar ainda mais a comemoração.

“As pessoas estão procurando tudo para agora. Aqueles eventos que antes eram planejados para daqui a três, cinco, seis meses, agora são realizados de um dia para o outro. Lógico que a gente fica um pouco assustados, mas ao mesmo tempo estamos felizes pelo nosso trabalho. Se antes reclamávamos da falta de trabalho, hoje eu sou uma que não tenho mais agenda disponível para o resto desse ano”, explica ela, proprietária de uma empresa de festas e locações.

A demanda acima do previsto evidenciou alguns problemas, como a falta de mão de obra disponível. “No período em que ficamos parados por conta da pandemia, as pessoas que trabalhavam como freelancers e eram contratadas por dia, acabaram indo atrás de outros serviços. Com isso, perdemos muita mão de obra. A nossa maior dificuldade, hoje, está em relação a isso”, comenta.

Depois de dois anos de, praticamente, estagnação, o setor não estava totalmente preparado para uma retomada tão acentuada. “Sendo sincera, eu achava que as pessoas iriam esperar um pouco para realizarem os eventos, até por questão de medo e insegurança por tudo o que aconteceu na pandemia. Assustou, porque as pessoas estão procurando tudo de última hora. Antes, não existiam casamentos durante a semana, agora está ocorrendo. De segunda a segunda. O pessoal acabou tomando gosto. Alguns clientes meus preferem fazer em dia de semana para deixar as pessoas livres no final de semana”, observa.

Flores estão 400% mais caras

Nem só de coisas boas vive o segmento. O retorno das atividades veio com um preço mais salgado. Principalmente, nos materiais e itens decorativos. “As flores, por exemplo, aumentaram em torno de 400% nesse ano. É difícil para a gente e para os clientes. Tínhamos eventos com contratos fechados no passado e que só agora podem ser realizados. Falar que eles precisam pagar a mais por conta desse reajuste gera um desgaste”, aponta.

Luta pelo fim das restrições

As dificuldades financeiras impactaram inúmeras atividades atreladas ao setor de eventos. Não foram poucos os protestos dos empresários clamando pelo fim das restrições junto ao Governo do Estado. Em outubro de 2020, representantes de Santa Catarina inteira se dirigiram a Florianópolis na tentativa de sensibilizar o governador Carlos Moisés.

As medidas restritivas foram liberadas aos poucos. Primeiro, o distanciamento. Depois, o limite na capacidade. E agora, mais recente mente, o uso obrigatório de máscaras. Na prática, os eventos acontecem como no período pré-pandemia, apesar de os cuidados contra o coronavírus ainda serem necessários.

“Estamos seguindo o decreto. Se o decreto afirma que não precisa mais, não fazemos. Até nós conseguirmos montar um planejamento e mostrarmos que era possível trabalharmos seguindo as regras sanitárias, demorou. Foi bastante cansativo. Mas depois que foi organizado um evento-modelo e que provamos que poderíamos seguir em frente, o Governo do Estado fez as adaptações para que pudéssemos voltar a trabalhar”, detalha Daiane.

Turismo gastronômico em alta

Se 2020 foi um ano considerado perdido e 2021 marcado pela luz no fim do túnel, 2022 é, definitivamente, o ano da retomada. Capital da Gastronomia Italiana, Nova Veneza voltou a respirar ares movimentados. No último Dia das Mães, por exemplo, chamou a atenção as longas filas nos restaurantes. De acordo a com Associação Neoveneziana de Turismo (Anet), os estabelecimentos, no almoço de domingo, chegaram a funcionar até as 16 horas.

“Nova Veneza começou a retomada gradativamente com a liberação dos eventos. Agora, estamos nos preparando para a Festa da Gastronomia. A cidade já registra movimentos muito positivos nos finais de semana, principalmente no ramo hoteleiro e de restaurantes. A cidade, além de promover grandes festas, ainda sedia diversos eventos privados por dispormos de muitas casas noturnas”, destaca Cris Freitas, presidente da Anet.

Anteriormente, os restaurantes eram obrigados a operar com um espaço reduzido para respeitar o distanciamento, com menos mesas. “Isso gerava um transtorno. Hoje, já se está operacionando com as capacidades normais. Os funcionários continuam usando máscaras, os buffets seguem exigindo luvas. Os cuidados ainda estão sendo tomados, mas o momento é muito positivo”, pontua.

A Festa da Gastronomia Italiana acontece entre os dias 15 e 19 de junho em Nova Veneza. A rede hoteleira da cidade já está esgotada e os visitantes já estão procurando hospedagem em Criciúma e outros municípios da região.

“A Festa da Gastronomia Italiana movimenta a região inteira. Eu tenho acompanhado as movimentações junto com a prefeitura, é um evento de cunho cultural, valorizando os talentos locais e regionais. É uma festa consagrada, e com a volta do público, tem tudo para ser uma edição memorável”, considera.

Empresários ainda sofrem para recuperar o prejuízo

Não é de uma hora para outra que os empreendedores do ramo recuperarão os prejuízos causados pela pandemia. Em alguns casos, o cenário ainda é desolador. A ponderação é de Joster Favaro, presidente da Via Gastronômica de Criciúma.

“O segmento de gastronomia ainda passa por sérias dificuldades de faturamento. No Estado, tivemos mais de 5 mil CNPJs fechados. Hoje, segundo pesquisa da Abrasel, 68% do setor está endividado. A pandemia foi avassaladora para o nosso segmento. Desde então, não tivemos nenhuma política pública, seja de nível federal ou estadual. Não pedimos esmola, mas uma linha de crédito condizente, suspensão da cobrança de impostos e renegociações. Juntando todos esses fatores, temos a cereja do bolo, que é a inflação. São pelo menos 28% de reajuste na energia elétrica. Carnes subiram 40% nos últimos 12 meses. Todos os itens subiram assustadoramente”, enfatiza.

Apesar das dificuldades econômicas, o ramo percebe que a demanda reprimida trouxe um aumento no fluxo de consumidores nos estabelecimentos. No entanto, a realidade atual pede uma maior precaução nos gastos. “As pessoas querem sair, mas devido à crise econômica que estamos vivendo, se antes elas saíam duas vezes, agora saem uma. Se antes gastavam R$ 200, hoje gastam R$ 100. A gente, enquanto setor, não consegue repassar a integralidade equacionária dos custos, porque assim não conseguimos vender”, afirma Favaro. Mais uma vez citando a pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o segmento estima que, se os ares continuarem soprando favoravelmente, o cenário só será totalmente recuperado em 2024.

“Estamos satisfeitos por a pandemia estar controlada e que agora temos liberdade para trabalhar. Mas com todo o cenário dos preços e do baixo poder de consumo das pessoas, continuamos receosos. Realmente, nos sábados e domingos as casas estão lotadas. Mas os restaurantes não conseguem sobreviver de apenas dois ou três dias na semana. O segmento está mais animado porque as pessoas estão podendo sair, mas a incerteza econômica nos deixa com o pé atrás. Se a economia der uma estabilizada e a inflação der uma controlada, conseguiremos retomar os patamares até antes de 2024”, frisa.

De acordo com o presidente da Via Gastronômica, ao menos 40 estabelecimentos gastronômicos fecharam as portas em Criciúma e região nos últimos dois anos. “Depois de tudo o que passamos, se você me perguntar, eu digo que hoje o meu sentimento é de otimismo para o futuro”, finaliza Favaro.

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