Braço do Norte: Exportação de carne suína não será salvação

Produtores veem com cautela a abertura do mercado nacional para o Canadá e acreditam que essa não será a solução para a atual crise


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Tiago Monte

Braço do Norte

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O Canadá aprovou as importações de carnes bovina e suína do Brasil. A notícia foi divulgada pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina Dias, no início desta semana. A notícia é tida como positiva pelos produtores do setor, porém, está longe de ser a salvação para a crise enfrentada pelo mercado. “A situação para o produtor independente, de uma maneira geral, está tão ruim, que é uma boa notícia, mas, efetivamente, isso vai demorar alguns meses para realmente se embarcar a carne”, diz Adir Engel, presidente regional de Braço do Norte da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS).

O representante dos criadores acredita que o efeito será muito mais psicológico do que prático.“É tudo muito recente e, o efeito, eu acredito que vai ser muito mais psicológico do que, na verdade, em termos de concreto e de abertura de mercado ou melhora”, comenta.

Adir está reticente com a real compra que haverá por parte do Canadá. “Toda boa notícia ajuda, então, hoje está todo mundo comentando que vai abrir o mercado e eles vão comprar. Sim, vai haver compra, mas não como estamos esperando. Assim como foi com a Rússia, quando esperávamos vender 100 mil toneladas de carne suína. Agora, também trancou, em virtude da guerra. Já havia um protesto antes porque os produtores russos estavam com prejuízo”, explica. “É uma boa noticia, mas não é a salvação, hoje, para a situação”, completa.

O presidente reforça a força do país Norte Americano na produção de carne suína. “O Canadá já é um grande produtor, ele produz bastante e vende, inclusive, carne para os Estados Unidos. Então, hoje eu não acredito em melhora de mercado, em função disso. Pode nos trazer alguma melhora no futuro, mas não de imediato”, enfatiza.

Empresários estão parando as produções

A crise é tão grande que diversos produtores estão desistindo de criar suínos para o abate. “A situação, hoje, é de uma ‘seleção natural’. Quem não tem fôlego, vai reduzir e vai parar de trabalhar com o suíno. De ontem para hoje, uns cinco ou seis produtores da região me procuraram para dizer que vão parar. Eles não querem mais ter prejuízo. Eles vão parar”, diz Adir.

Para Adir só há uma solução: a diminuição da produção. “Como vamos dizer isso aos produtores se não há uma unanimidade? Quem tem uma outra fonte de renda ou recursos financeiros, não vai diminuir e vai esperar o vizinho quebrar ou diminuir. É uma situação que necessita da consciência de todos”, explica.

A alta no preço dos insumos também dificulta a situação dos produtores. “Infelizmente, hoje a situação é ‘se ficar o bicho pega e, se correr, o bicho pega também’. É difícil, pois não vai ter redução de custos, o preço do milho e da soja só sobe pela falta do produto e a alta procura pelo pouco que tem”, comenta. “A gente observa a população brasileira perdendo o poder aquisitivo. Talvez agora com o aumento do preço do frango, aumente o consumo da carne suína. O pessoal prefere comprar 500 gramas de carne bovina do que três quilos de carne suína. Questão de hábito”, completa.

*A matéria completa está no TN desta quinta-feira

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