Um mês após crime, mãe que teve filha morta pelo pai segue sem palavras

Caso aconteceu em Criciúma, no bairro Imperatriz. Criminoso ainda ateou fogo na casa com outros filhos dentro

Foto: Divulgação

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Gustavo Milioli

Criciúma

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Um mês de dor. Assim podemos definir os últimos 30 dias de Érica Cipriano, que teve a filha mais velha brutalmente assassinada a facadas pelo próprio pai, em Criciúma. A equipe de reportagem do jornal Tribuna de Notícias entrou em contato com a mãe, que ainda continua severamente abalada pelas circunstâncias do crime.

Por telefone, uma outra pessoa próxima a mulher atendeu a ligação e transferiu o celular para ela, que sequer tem coragem de atender aos telefonemas. Do outro lado da linha, um “boa tarde” tímido, com a voz embargada. Foi quando a equipe se identificou e lhe perguntou se estaria disposta a falar sobre aquele dia fatídico.

“Não tenho condições de dar entrevista, estou tomando remédios controlados. É um assunto muito delicado para mim”, contou Érica, visivelmente abalada. A mãe da vítima e o autor do feminicídio foram casados durante anos. O casal tinha ainda outros cinco filhos menores, que estavam nos arredores de casa no momento em que o fogo ateado pelo criminoso se alastrava pelos cômodos.

Inquérito concluído

A Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Criciúma já finalizou as investigações e encaminhou o caso para o poder judiciário, informou a delegada Juliana Zappelini. O laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a criança ainda estava viva no momento do incêndio, e que morreu devido às facadas e à fumaça inalada.

O assassino está preso preventivamente desde o dia 14 de agosto. Ele foi encontrado pela polícia na própria casa onde morava com a família, completamente alterado. Em depoimento, disse ser usuário de drogas e que não se lembra de ter cometido o crime. Além de responder pelo feminicídio da filha, ele responderá ainda por tentativa de feminicídio contra as outras duas filhas, tentativa de homicídio contra os três filhos e incêndio criminoso. As crianças estão sob a guarda de familiares.

Relembre o caso

Inconformado pelo término do relacionamento com a esposa, o homem, em surto, tentou matar os seis filhos dentro da própria casa. As vítimas – com idades de cinco, sete, oito, 10, 11 e 13 anos – estavam todas no mesmo cômodo quando o denunciado as atacou e elas tiveram poucas chances de se defender, pois foram pegas de surpresa. Ele só não conseguiu matá-las porque a filha mais velha foi em defesa dos irmãos e irmãs menores, colocando-se entre o pai e as crianças. Diante dessa reação, o denunciado a teria segurado pelos cabelos e a golpeado com facadas na região do tórax. Graças à intervenção da irmã mais velha, as outras duas meninas e os três meninos conseguiram reagir e escapar das agressões, correndo para fora de casa.

O pai, então, teria deixado a adolescente e tentado atrair as crianças para dentro da residência. Elas se negaram a voltar e foram buscar a ajuda de vizinhos. O denunciado voltou para dentro de casa e teria ateado fogo à residência, iniciando o incêndio próximo ao local onde estava a filha, deixando-a sem condições de fugir ou reagir.

O Corpo de Bombeiros utilizou aproximadamente 14 mil litros de água para combater as chamas. O corpo da menina foi encontrado na cozinha, em meio aos escombros, já sem os sinais vitais.

Mãe havia fugido, com medo das agressões

Érica não era mais vista em casa havia algumas semanas. Ela resolveu fugir devido às constantes agressões que sofria do marido. A Polícia Militar indicou a existência de 18 boletins de ocorrência registrados por violência doméstica contra ele.

Enquanto se abrigava em Laguna, na casa de familiares, e tentava viabilizar a mudança dos seis filhos, Érica deixou as crianças sob a tutela da mãe, que era sua vizinha no bairro Imperatriz.

Dados da violência doméstica em Criciúma

Segundo a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID), do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Criciúma registrou 337 ocorrências de violência doméstica apenas nos primeiros sete meses de 2021. O órgão expediu 147 medidas protetivas à mulheres no mesmo período. Foram quatro feminicídios até então.

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