Município quer expansão dos atendimentos no Hospital São Marcos

Gestão da estrutura física deve ser entregue oficialmente à administração de Nova Veneza pela Associação das Irmãs Beneditinas da Divina Providência. Novos planos são traçados para garantir que unidade volte a ser referência no Sul

Foto: Lucas Colombo/ TN
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Nova Veneza

Altos e baixos definem a trajetória do Hospital São Marcos, de Nova Veneza. Nos últimos anos, impasses acabaram fazendo com que a unidade, que já foi referência no Sul Catarinense, gerasse descontentamento e reclamações da própria população, que usufrui dos atendimentos. Na última semana, a Associação das Irmãs Beneditinas da Divina Providência (Abenp) entregou à administração do município, um termo de intenção de doação da estrutura física do local. Com a mudança da gestão, Executivo e Legislativo traçam passos que prometem expansão e melhorias.

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Porém, a gestão da estrutura física ainda é da Associação das Irmãs Beneditinas da Divina Providência e precisa ser formalizada. “Nós nos reunimos junto aos vereadores e deixamos marcada outra reunião para a próxima terça-feira [amanhã], às 15h30. Na ocasião, nós vamos marcar o dia que assinaremos o recebimento junto com a congregação. Queremos mostrar isso para toda a população”, explica o prefeito de Nova Veneza, Rogério Frigo. A oficialização deve ser obrigatoriamente realizada até o dia 25 de agosto, afirma o líder do Executivo.

Ainda conforme o prefeito, até o fim deste ano, o hospital possui um comodato com o Instituto Maria Schmitt (Imas), que administra as atividades da unidade de Nova Veneza. “Até o dia 31 de dezembro de 2021, eles vão administrar o São Marcos. Claro que nós já estamos em tratativas porque informamos que a partir de agora vai ser patrimônio do município e nós queremos que eles tenham um plano de ações daqui para frente”, acrescenta.

A intenção, portanto, é expandir os atendimentos no hospital neoveneziano a partir da entrega do patrimônio. “A gente vê que a pandemia está diminuindo e, com esse cenário, acredito que dê para avançar mais. O interesse é fazer o hospital trabalhar na sua totalidade, como era no passado. Com essa aproximação do Executivo com o Legislativo, nós traçamos algumas metas do que nós queremos para o São Marcos e não é apenas o atendimento 24 horas, queremos que volte a internar, fazer as cirurgias e ser referência”, enfatiza Frigo.

A gestão administrativa do São Marcos segue com o Instituto Maria Schmitt até o fim do comodato. Depois, novas propostas não estão descartadas. “Nós vamos abrir conversa com a Unesc e com Organizações Sociais (OSs). Mas estamos conversando com o Imas para ver se eles têm um plano de trabalho para apresentar. Faremos uma avaliação e, quem sabe, poderemos aprovar para eles continuarem a partir do ano que vem. Aquele que apresentar o melhor plano de ações para o hospital, vai ser o escolhido para administrar, mas vamos dar preferência para o Imas porque já estão lá”, ressalta Frigo.

A possibilidade de vender a estrutura não é descartada pela congregação. Mas, em contrapartida, a administração municipal não pretende chegar a esta decisão. “Se ninguém se interessar, o município vai assumir [a gestão administrativa]. Mas o hospital jamais vai fechar”, determina o prefeito de Nova Veneza. “Nós só queremos o melhor para o hospital e que ele atenda bem a população. Esse é o nosso objetivo. Estávamos em um comodato e passamos a ser donos, então a responsabilidade aumenta do município. Queremos ver o São Marcos voltar a ter um bom atendimento para toda a região”, finaliza Frigo.

Irmãs fazem parte da história do São Marcos

De acordo com a superiora provincial das Irmãs Beneditinas e presidente da Associação das Irmãs Beneditinas da Divina Providência, mantenedora do Hospital São Marcos, Ir. Maria José Barbosa dos Santos, a unidade foi a primeira obra que as religiosas atuaram quando vieram da Itália para o Brasil, em 1936.

“O São Marcos não era das irmãs, era um hospital comunitário com diretoria leiga. As irmãs assumiram a parte de cuidado da saúde dos pacientes. A manutenção e administração tinha uma diretoria própria que fazia esse trabalho. Com o passar do tempo, as irmãs receberam a unidade em doação e continuaram o trabalho”, explica Maria José. “A partir do momento que receberam o imóvel, só aumentou o trabalho, tanto estrutural quanto financeiro. A dedicação e empenho foram os mesmos”, acrescenta.

Ainda conforme a irmã, em 2014, a administração do hospital foi transferida para um grupo leigo. “Aí começaram os problemas”, afirma Maria José. “Estava sendo insustentável para nós mantermos o hospital funcionando. O déficit mensal era muito alto, tínhamos que completar valores para poder manter o salário dos médicos e funcionários em dia”, acrescenta a irmã. E, para não comprometer a entidade com um todo, foi decidido que não mais continuariam com as atividades.

“Quando as irmãs deixaram o hospital e passaram para esse grupo, nós fizemos os contratos trabalhistas, deixamos com zero dívida. Foi muito difícil, porque tivemos que mover um montante bastante alto, mas tivemos que honrar com os nossos compromissos”, acrescenta Maria José. Os problemas iniciaram por aí. “Eles não deram conta de gerenciar o hospital em nenhum dos âmbitos, nem a parte médica, nem fornecedora, nem nada”, completa a irmã.

Com a situação, um comodato foi firmado com a administração municipal, que passaria a gerir a unidade. “A prefeitura seria responsável pelo hospital, iria utilizar e nós não teríamos nenhum compromisso”, explica a irmã. “Eles a gerenciar e terceirizaram. Hoje, nós, irmãs beneditinas, não temos nenhum vínculo com o Imas. O nosso vínculo é com a prefeitura, só que esse comodato tem um prazo de vencimento, que é dia 31 de dezembro de 2021”, acrescenta.

Com o prazo final, ou a associação reassumiria ou renovaria o comodato. “Desde o início nós já trabalhamos com essa certeza nos não temos condições de reassumir. Por dois motivos, nós precisamos de pessoas capacitadas tecnicamente para gerenciar o hospital com toda complexidade que a unidade exige. Além disso, ter uma rede de saúde para poder mobilizar os recursos. É totalmente inviável”, frisa Maria José.

Com séculos atuando no hospital São Marcos, as irmãs tomaram uma decisão interna. “Como congregação nós temos uma orientação, a doação tem que ser feita para outra entidade filantrópica. Tentamos fazer, não deu muito certo. Pensamos em fazer para uma entidade publica que é a prefeitura. Então fizemos uma carta de intenção de doação à administração municipal. Nós não temos ainda uma resposta oficial da prefeitura que nos garanta que ela vá assumir. A partir do momento que o prefeito responder, nós vamos começar os trâmites legais para resolver isso”, complementa a irmã.

Assim que for oficializada a doação, o processo será definitivo. “A gestão do hospital ao longo desse tempo contou com a doação ilimitada de muitas irmãs que acolheram muitas vidas e se doaram pelo bem do hospital. Tudo que nós desejamos é que permaneça na memória do povo”, finaliza Maria José.

 

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