Vale da Uva Goethe: mais de 150 mil garrafas de vinho produzidas por ano

Espécie da fruta é exclusividade urussanguense, que encontrou no solo entre a Serra e o mar o local ideal para prosperar

Foto: Guilherme Cordeiro/TN
- PUBLICIDADE -

A história de Urussanga e da Uva Goethe se misturam a partir das primeiras décadas do século XX. Um cônsul italiano radicado em São Paulo, chamado Giuseppe Caruso Macdonald, decidiu trazer a espécie da fruta para a região, onde já viviam muitos imigrantes da Itália que estavam com saudades de apreciar um bom vinho. Este tipo de uva foi produzido originariamente nos Estados Unidos, a partir do cruzamento de entre as variedades Moscato de Hamburgo e Carter.

Entretanto, o único lugar do mundo que ela se adaptou foi em Urussanga. Gilmar Trevisol, presidente da Associação ProGoethe, acredita que o clima local foi perfeito para a disseminação das produções. “Na época em que foi desenvolvida, eles buscavam uvas híbridas, porque existia a infestação de uma doença na Europa que estava comprometendo as videiras. Eles queriam variedades mais resistentes e criaram milhares delas. A Goethe caiu no gosto dos nossos colonizadores logo quando foi trazida para cá. É uma exclusividade nossa, penso que o solo entre o mar e a serra ficou totalmente atrativo”, afirma.

- PUBLICIDADE -

Urussanga é conhecida como a terra do bom vinho há bastante tempo. Na década de 1930, as vinícolas da cidade já regavam os encontros oficiais do então presidente Getúlio Vargas na capital nacional Rio de Janeiro. Os produtores da cidade comercializam atualmente, ao todo, mais de 150 mil garrafas da bebida ano a ano. “O nosso vinho era servido no Palácio do Cadete, foi aí que começou a pegar essa marca. Hoje, contamos com cinco grandes vinícolas e 15 produtores artesanais com o selo de procedência”, enfatiza Trevisol.

Sabor diferenciado

Uma uva única e rara. É desta maneira que os produtores do Vale da Uva Goethe denominam a variedade. Diferentemente da fruta comum, encontrada em qualquer supermercado, a espécie urussanguense possui uma textura mais doce e ácida. “O sabor e o aroma são diferenciados, propícios para os vinhos e espumantes. É muito boa de se consumir, mas é uma fruta sensível, que não aceita longos períodos de transporte e encaixotamento. Por isso que não é vendida”, aponta o vinicultor.

São 460 quilômetros quadrados de belos e extensos parreirais localizados entre as bacias do Rio Urussanga e do Rio Tubarão. O tempo de colheita é sempre às segundas quinzenas de janeiro. Depois, inicia-se o processo de vinificação e amadurecimento. As bebidas, geralmente, começam a ser comercializadas entre os meses de maio e junho. “A safra de 2021 começou no último dia 15 de maio”, informa o presidente da Associação ProGoethe, que foi criada para fazer a variedade retomar o posto de apreciação nacional de outrora.

“A ProGoethe surgiu para buscar o fortalecimento e a continuidade dessa variedade, para ela nunca deixar de existir. Estamos buscando fazê-la crescer cada vez mais no mercado não apenas regional, como também nacional, para voltar a aquele patamar que antigamente ostentava”, salienta Trevisol.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.