Tradição cultural permanece viva em Urussanga

A família de Hadilton Maestrelli trabalha com atafonas há mais de sete décadas, hoje, produtor mantém a atividade e comercializa produtos caseiros, entre eles, a farinha de milho

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Urussanga

Ela mantém viva a tradição familiar até os dias atuais e põe à mesa um dos pratos mais conhecidos da região: a polenta. Utilizada como moedor de grãos, nesse caso, de milho, a atafona é responsável por produzir farinha para milhares de amantes da gastronomia típica italiana.

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Em Urussanga, a tradição que envolve a atafona na família de Hadilton Maestrelli, o Derde, está presente há quase sete décadas. “Começamos em meados da festa de São Pedro, em 1954, com minhas tias. O município tinha muitas, cada bairro tinha pelo menos uma, porque naquela época, o alimento principal dos colonos era polenta e minestra”, explica. “Naquele tempo, a primeira à energia elétrica foi a nossa”, acrescenta.

Uma das atafonas da família possui mais um século de uso e é utilizada até hoje. “Eu tinha 15 anos quando sai de Urussanga, trabalhei em Porto Alegre, fiz faculdade lá e resolvi vir embora, lá estava muito perigoso, violento. Daí voltei para cá porque tinha os laços com os amigos, muitas amizades. Na época não tínhamos muitas terras para cultivo, precisávamos de alguma atividade, montamos o moedor de grãos onde hoje é a Força e Luz, depois foi transferido para cá [região central]. Atualmente, tenho três em uso”, ressalta.

Atualmente, Maestrelli possui um comércio onde vende queijos, salames, pães e a farinha de milho produzida artesanalmente. “Depois dos anos 90 para cá, eu tive que inventar alguma outra coisa, porque eu notei que estava diminuindo a quantidade de clientes, a nossa colônia estava enfraquecendo. Daí comecei a trabalhar com produtos caseiros para incrementar e não precisar parar com a atafona”, enfatiza.

No início, a família do empreendedor atendia apenas colonos, hoje, pessoas de toda a região e de municípios vizinhos também visitam o comércio. “A gente descascava o arroz, o café e o milho, todos os dias. Desde aquele momento, até hoje, atendemos muitas pessoas das colônias. Antigamente, eu só atendia o colono, porque na verdade, naquela época, o alimento básico era a polenta. Eu trabalhava praticamente em duas atafonas só para atender o colono, Hoje, as famílias são menores, pequenas e também surgiram outros pratos, mas ainda assim, há muita procura”, enfatiza Maestrelli.

A tradição, então, permanece viva até os dias atuais na vida, não somente da família Maestrelli, mas de todos os urussanguenses. “Temos gosto por isso, nos criamos em meio a essa gastronomia. Eu lembro quando era garoto, eu acompanhava o processo, vinha ver minhas tias trabalharem, tem uma memória afetiva, criamos um laço muito grande com o pessoal da colônia”, enfatiza o produtor.

Tafona ou atafona

Segundo o Maestrelli, há uma discussão que envolve o nome utilizado para denominar o moedor de grãos. “Ninguém dizia atafona, na Itália, ninguém sabe o que é isso, surgiu aqui. Para nós, é ‘tafona’, o lugar onde se levava o milho, arroz ou, até mesmo, o café, para serem beneficiados”, finaliza o produtor.

BENEFÍCIOS DA FARINHA DE MILHO:

  • Promove a produção de energia;
  • Fortalece o sistema imunológico;
  • Ajuda no combate à anemia;
  • Ajuda na saúde ocular;
  • Diminui os índices do colesterol;
  • Não tem glúten.

 

 

 

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