Psicóloga detalha importância do papel dos pais

Denise Nuernberg é especialista em Desenvolvimento Humano e professora do curso de Psicologia da Unesc

Foto: Divulgação

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Gustavo Milioli/Especial

Criciúma

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Um dos grandes enigmas da sociedade recai sobre qual a melhor forma de criar os filhos. Apesar dos aprofundados estudos publicados ao longo das décadas, os pesquisadores de todo o mundo ainda não encontraram uma ‘receita’, e provavelmente nunca encontrarão. Todavia, existem conceitos praticamente unânimes na Psicologia baseados nas relações de pai para filho.

A presença da figura paterna continua sendo encarada como algo primordial para o crescimento de uma criança. Isso não significa que o pai é o único ser capaz de exercer o papel. Na ausência do progenitor, seja por qualquer motivo, um avô, tio, irmão mais velho, ou, até mesmo, a própria mãe, podem preencher a lacuna.

E para os pais que estão descobrindo a experiência da paternidade, sabe-se que cada vez mais a presença nos hábitos e diálogos diários entre a família é importante. A psicóloga Denise Nuernberg, especialista em Desenvolvimento Humano e professora do curso de Psicologia da Unesc, esclareceu o assunto em entrevista ao jornal Tribuna de Notícias.

Tribuna de Notícias (TN) – O que o pai representa para uma criança que está aprendendo a dar os primeiros passos na vida?

Denise Nuernberg – A figura do pai é fundamental devido às questões de identidade. A identificação de uma figura maior, para a personalidade da criança que está se formando e se reconhecendo como um ser individual, é extremamente necessária. Nas famílias modernas, muitas vezes não existe o pai presente, mas é indispensável haver alguém que faça essa figura. Principalmente, para impor os limites que criança também precisa.

TN – Em quais aspectos a figura paterna auxilia no desenvolvimento?

Denise Nuernberg – O pai incentiva o filho na questão de olhar para o mundo externo, um olhar mais diferenciado. É um parâmetro imposto mais pela presença masculina. O impacto é maior na individualização, na autonomia. O pai é aquele que manda a criança sair de casa, que apresenta o mundo a ela. Ao contrário da mãe, que é mais protetora. A criança precisa desses estímulos.

TN – Quais os principais prejuízos uma criança terá sem contar com uma figura paterna presente?

Denise Nuernberg – Hoje, muitas famílias não têm um pai, por isso alguém precisa tomar essa responsabilidade. Eu tenho pacientes crianças que não sentem essa necessidade do abrigo do pai, caso alguém ocupe o espaço. Quando isso não acontece no dia a dia, por conta da ausência, acaba influenciando no desenvolvimento afetivo, com um distanciamento das emoções, que podem até traumatizá-la. Ela pode encontrar dificuldades de acreditar no próprio potencial, ter inseguranças, angústias e serem mais dependentes da casa. A gente precisa do contrário, que elas consigam fazer essa ruptura.

TN – E para as mães solteiras, ou aquelas que acabam criando os filhos sozinhas, como elas podem preencher essa lacuna?

Denise Nuernberg – É importante que as mães tenham a consciência desses dois papéis. Tem momentos que você vai acolher, e momentos que a criança precisa se frustrar. O papel de pai e mãe é esse. Um acolhe, e o outro, às vezes, é mais duro aos limites, não cede tão fácil. Quando se está com a criança ou o adolescente, é preciso estar por inteiro. A maioria das famílias não consegue tirar aquele tempo para o diálogo diante de toda a corrida do dia a dia. Não é um papel fácil, mas é muito gratificante de você conseguir. Sempre vai ter alguém para socorrer, seja um amigo, o avô, os irmãos ou tios… Essa dinâmica é bem recorrente na atualidade e costuma funcionar na falta do pai.

TN – Para os pais que estão iniciando a jornada, o que podemos adiantar a eles no sentido de como se portarem?

Denise Nuernberg – A receita pronta não existe, nem mesmo o perfil de um pai ideal. Ser pai é aprender todos os dias. A amorosidade é uma questão bastante importante, eu costumo dizer quer o amor nunca é demais. E também, assumir de fato o papel de pai, a partir do momento em que nasce o filho. Hoje em dia os homens assumem muito mais responsabilidades na vida da criança, em diversas situações, em relação a tempos passados. Ainda assim, por vezes as mães querem assumir tudo. Mas é fundamental que os pais tenham essa consciência bem definida, se coloquem e digam: ‘esse papel é meu, eu estou aqui.’ Tudo isso influencia em um desenvolvimento normal, conseguindo as cognições de aprendizagem.

TN – Quanto aos principais desafios que a geração atual impõe, o que podemos elencar?

Denise Nuernberg – Essa é uma geração muito silenciosa. Podemos falar tanto pela geração alpha, que são as crianças de hoje, assim como a geração Z. A comunicação deles é muito baseada nas redes sociais. Talvez o maior desafio seja proporcionar aos filhos momentos e integração, de organização, disciplina, e oportunizar momentos de lazer, saindo dos quartos. Vemos muitas crianças que praticamente só saem para ir à escola, e a própria pandemia acabou potencializando isso ainda mais.

TN – Os aparatos tecnológicos ocupam uma parcela de tempo importante no dia dos jovens, você acredita que cabe aos pais colocar limites de tempo em que a criança poderá utilizar essas ferramentas e controlar regularmente os conteúdos que eles acessam?

Denise Nuernberg – Com certeza. Ainda mais nos primeiros anos de vida, é fundamental que os pais estejam atentos a tudo também nos ambientes virtuais e conversem sobre os malefícios da internet. E assim, oportunizem mais momentos de lazer ao ar livre. É difícil vermos atualmente pais saindo para jogar futebol com os filhos na pracinha ou na rua. Ter um almoço em família, passar tempo com brinquedos. Tudo isso está bem reduzido.

A psicóloga ainda preparou uma lista com livros, séries e filmes que ela indica para os pais refletirem sobre suas relações paternais. Confira:

Livros:

– Parentalidade Consciente, de Daniel Siegel e Mary Hartzell

– Educar, amar e dar limites: os princípios para criar filhos vitoriosos, de Paulo Vieira e Sara Braga

– Família: urgências e turbulências, de Mario Sergio Cortella

– Carinho e firmeza com os filhos, de Alexander Lyford-Pike

– Longe da árvore: pais, filhos e a busca da identidade, de Andrew Solomon

Séries/filmes:

– Pai em Dobro

-Pai, Filhos & Etc

– Capitão Fantástico

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