Proteção ambiental em conjunto nas reservas do Sul

Felinos do Aguaí tem parceria firmada junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, que fornece equipamentos para desenvolver os projetos

Foto: Ulisses Job/ Especial TN
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Geórgia Gava/ Thiago Oliveira

Nova Veneza e Siderópolis

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Atualmente, as atividades desenvolvidas pelo Instituto Felinos do Aguaí integram duas reservas, a do Aguaí e a São Francisco. A segunda é de propriedade privada, teve início com 17 hectares e atualmente possui mais de 1.500 destinados à proteção ambiental. “A ligação dessas duas extensões, primeiro é que Área Particular de Preservação Ambiental amplia a área de proteção, porque hoje quando a gente fala de Mata Atlântica, o que restou na nossa região, é esse cordão na Serra Geral, o restante são só fragmentos pequenos, então ampliou a preservação”, explica a coordenadora do projeto, Micheli Ribeiro Luiz.

Com o proprietário da Reserva São Francisco, o Instituto trabalha voluntariamente há seis anos, em troca da estrutura para pesquisar e suporte. “Eu vejo que essa área ficou mais conhecida porque ela foi um espelho do Aguaí”, pontua a coordenadora do projeto. “A gente faz o trabalho voluntário e ele disponibiliza os equipamentos. Todo esse trabalho já teve vários reconhecimentos, nós temos oito prêmios no nossa jornada”, completa.

Todo o trabalho desenvolvido pelo Instituto reflete em um futuro com os olhares voltados à conscientização, em todas as esferas. “É um serviço ambiental, gratuito, sem contar que se preservarmos a floresta, não vamos ter problemas com enchentes, erosão, desapropriação de terrenos, um vai levando à preservação do outro, caminham juntos. A importância desse trabalho é levar à população aos serviços ambientais”, enfatiza Micheli.

Ainda conforme a coordenadora do Instituto, este é um projeto que valoriza a cultura local. “Com essa valorização, a gente integra a comunidade nos trabalhos. Porque eu não vejo  nenhuma outra forma de realizar um trabalho como esse, com sucesso, se não houver a participação da população, porque a partir do momento que eles aceitam a ideia, eles começam a agir, há mudanças de comportamento”, ressalta. “O mais importante desse trabalho, é que ele sirva de inspiração para criar outros cases, porque um projeto só é importante quando ele pode ser replicado, porque senão ele não tem validade”, completa.

EXEMPLO PARA OUTRAS RESERVAS

Com a atuação de forma integrada, junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC), o reconhecimento vem através de prêmios, parcerias e investimento. “Todo esse trabalho só acontece porque temos parceiros, então hoje a implementação de parceiras, principalmente no que tange a organização da sociedade civil, é extremamente importante. Não se consegue fazer nada sozinho, precisa-se de parceiros para captação de recursos, mão de obra especializada, serviços e voluntários”, comenta Micheli. “Por isso que, a Reserva do Aguaí, hoje, em termos de gestão e de colocar em prática, tem sido uma referencia para as outras”, completa.

Apesar de o trabalho ser desenvolvido de forma independente, a parceria entre o IMA e o Felinos do Aguaí tem sido fundamental para o sucesso. “O Instituto Felinos do Aguaí trabalha com pesquisa de educação ambiental e o IMA autoriza a realizar esse trabalho na reserva e no entorno. É uma ONG independente do IMA e, por  trabalhar com a pesquisa, nós como instituição de proteção, acabamos cedendo alguns equipamentos, como câmeras trap para eles usarem, além de retroprojetores para trabalhar a questão ambiental. A gente auxilia nessa questão de equipamentos. Eles fazem o trabalho deles como os equipamentos, tem um termo de cessão de uso. E tem também a questão da educação ambiental. A gente faz contratos e paga por essa parte. E há também um acordo de cooperação técnica”, explica o coordenador da reserva, Joel Casagrande.

Localizada nos contrafortes da Serra Geral, em altitudes que variam de 200 a 1.470 metros, a Reserva Biológica (Rebio) foi criada em 1º de julho de 1983, e está inserida no Bioma Mata Atlântica, um dos mais ameaçados em todo o mundo, com apenas 8% da sua área original em bom estado de conservação no território latino americano. A criação da reserva justificou-se pelo seu relevo acidentado, a presença de diversos cânions, pela riqueza de ecossistemas e pela grande variedade de espécies de plantas e animais que fazem da região um cenário valioso para a conservação da biodiversidade.

Durante os 15 anos de atuação do Instituto Felinos do Aguaí, foi possível registrar animais raros, como o leão baio, que está ameaçado de extinção. E segundo o coordenador da Reserva Biológica, a preservação das espécies é fundamental para todo o meio ambiente.

“A preservação desse animal, já que ele é de topo da cadeia alimentar, é fundamental. É ele que faz o equilíbrio ambiental de onde ele vive. No momento que começa a tirar um animal desse do tipo de cadeia, as outras espécies vão entrando em desequilíbrio. Eles ajudam preservar o equilíbrio ambiental, a quantidade de outros animais pequenos… A importância é enorme. O ambiente equilibrado reflete na própria saúde da população”, analisa Casagrande.

Outro trabalho que vem sendo realizado pelo Felinos do Aguaí em parceria com o IMA e também com o Centro Universitário Barriga Verde (Unibave) é a castração de animais domésticos na região próxima à Reserva do Aguaí. No ano passado, já realizaram 80 castrações em Treviso, e neste ano, passará por Nova Veneza. “São animais que entram na unidade de conservação. Animais que não eram para estar lá. Então nesse contrato, o Instituto faz a castração para os proprietários que queiram”, completa o coordenador da Reserva.

Além de contar com o apoio do IMA, o Instituto Felinos do Aguaí também tem como patrocinador – e único, as empresas Rio Deserto, que incentivam a realização de projetos de conservação, conscientização e desenvolvimento comunitário.

PRÊMIOS RECEBIDOS PELO INSTITUTO:

2020 -Prêmio Latino-América Verde

2018 – Prêmio Boas Práticas em Gestão Pública

2018 – Prêmio Nacional de Educação Ambiental em Ação

2016 – Prêmio Ser Humano – ABRH – SC

2011 – Expressão de Ecologia

2010 – ADVB

2009 – Fritz Müller

2009 – Von Martius de Sustentabilidade

 

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