Polo do Extremo Sul, Araranguá celebra 141 anos de emancipação

Cidade das Avenidas foi o berço da civilização em toda a região

Foto: Guilherme Cordeiro/TN
- PUBLICIDADE -

Araranguá

Araranguá comemora neste sábado 141 anos de emancipação. Principal eixo da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), a ‘Cidade das Avenidas’ tem uma rica história de importância para a povoação da região Sul do Estado. Foi lá onde começou a civilização, por conta localização geográfica. O lugar, no século XVIII, recebia um grande fluxo de viajantes,uma vez que estava inserido em meio às rotas comerciais do Rio Grande do Sul com as outras capitanias do Brasil Colônia.

- PUBLICIDADE -

Araranguá se desenvolveu, inicialmente, através da agricultura e da pesca. Atividades como a indústria e o comércio vieram mais tarde, alavancando a economia local. Atualmente, a cidade além de ser um polo regional, quer se consolidar como um grande centro educacional. O único curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no interior catarinense, está no campus araranguaense. Outro segmento visado é o turismo. Com paisagens encantadoras e um litoral robusto, o poder público se concentra em aproveitar os potenciais para incrementar a infraestrutura local e melhor receber os visitantes.

Programação para comemorar a data 

A Prefeitura de Araranguá preparou uma série de ações para celebrar o 141º aniversário. Respeitando as normas sanitárias vigentes para evitar-se a propagação do coronavírus, a data não passará em branco.

“Produzimos um vídeo de aniversário com 11 artistas araranguaenses fazendo uma homenagem, e estamos com sete exposições em diversos espaços contando a nossa história. Três memoriais foram abertos na segunda-feira, no Paço Municipal, no Samae e no Bom Pastor. Temos duas exposições com linhas do tempo, uma no Infinity e outra no Center Shopping. Trechos e fotos antigas da cidade estão nos ônibus municipais, além de levarmos à Biblioteca Municipal Luiz Delfino crônicas, poesias e trechos literários dos nossos escritores”, detalha.

As forças econômicas

Hoje em dia, a economia de Araranguá é considerada diversificada. Possui o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) das regiões Carbonífera e do Extremo Sul, atrás apenas de Criciúma. A agricultura, o comércio têxtil e a indústria são os pontos mais relevantes, bem como as prestações de serviços públicos e privados. O município também é referência em apicultura, tendo o seu mel reconhecido entre os melhores do país.

A Cidade das Avenidas pretende, agora, fomentar a atividade turística. “Temos dunas, mar, rio, ilhas, o Morro dos Conventos, o farol… A tendência também é explorarmos mais o turismo religioso. Estamos com umas ideias em torno da imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens, que é a tradicional festa de 4 de maio de Araranguá”, informa Emerson Almeida, secretário de Planejamento, Indústria e Comércio. “Aguardamos a liberação da Serra da Rocinha e contamos com a inauguração da ponte que separa o rio Araranguá e o distrito de Hercílio Luz. O pessoal de Criciúma, Içara, vai poder vir para o Morro dos Conventos com mais facilidade, alavancando o turismo de todos os lados”, complementa.

O secretário reconhece que a infraestrutura da cidade ainda precisa passar por melhorias para poder se consolidar como um grande destino turístico. “Precisamos motivar esse setor. Dar condições para a rede hoteleira e gastronômica se desenvolverem. Temos um projeto para o calçadão, para a beira do rio. Estamos no caminho”, ressalta Almeida.

Atrair mais negócios

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta semana, Araranguá contou com um saldo positivo de 388 empregos gerados no mês de fevereiro. Em janeiro, a alta havia sido de 314.

Para continuar aquecendo economia local e originar mais oportunidades, o Governo Municipal tem a preocupação de continuar atraindo empresas para a cidade. “Temos planejado uma incubadora para receber e incentivar negócios de todos os tipos, seja de pequeno ou grande porte. Provavelmente ela será instalada no nosso parque industrial, que aumentará de tamanho”, conclui o secretário.

A mãe de todas as cidades do Sul 

Não é errado dizer que Araranguá deu à luz a todos os municípios a Região Carbonífera e da Amesc. Desmembrada de Laguna, foi elevada à categoria de município em 3 de abril de 1880, cuja instalação se deu em fevereiro de 1883. A cidade, posteriormente, originou Criciúma, que décadas depois também se dividiu e passou por emancipações.

Entretanto, os pioneiros a desbravarem essas terras foram os índios guaranis. “Eram eles quem estavam aqui no momento da chegada dos portugueses. Depois, eles foram aos poucos desaparecendo na região. Alguns foram capturados para a escravidão, outros mortos, e outros fugiram. No momento da colonização, já por volta do início do século XVIII, habitavam aqui os índios xoklengs. Nesta época, Araranguá ainda pertencia à Laguna”, explica a historiadora e atual diretora de cultura da Prefeitura de Araranguá, Micheline Vargas de Matos Rocha.

Os xoklengs também desapareceram, a partir da secunda metade do século XIX. “Quando nós falamos em tempo histórico, nada tem um começo e um fim exato. Quando falamos que eles desapareceram do cenário, não foi de uma hora para a outra. A presença vai aos poucos sumindo, mas a importância histórica e cultural permanece”, destaca.

A civilização em Araranguá iniciou de uma maneira diferente em relação aos outros lugares. O princípio da povoação se deu por conta do Caminho dos Conventos, que ligava a Serra catarinense ao litoral Sul. A rota fazia parte do Caminho das Tropas, idealizada pela Monarquia do Brasil colonial para desenvolver vias terrestres no Sul do país ao longo do século XVIII. Foi no ano de 1728 que local chamado Capão da Espera – hoje distrito de Hercílio Luz – serviu de pouso para estes tropeiros, onde surgiram as primeiras casas e comércios, afastando ou dizimando as populações indígenas da região. “Essa necessidade comercial de um lado ao outro do país fez com que Araranguá fosse um caminho, um ponto estratégico de parada. Foi assim que surgiu a formação de um povoado”, relembra a historiadora.

O caminho para a emancipação

Já no início do século XIX, os primeiros habitantes começaram a se instalar de forma definitiva no município. Eram provenientes de Laguna. Foram, inicialmente, fixados na região próxima à desembocadura do rio Araranguá. Com o passar dos anos, subiram o vale e ocorreu o surgimento das habitações primitivas, no lugar onde é hoje a sede municipal – a praça Hercílio Luz dos dias atuais.

Apesar de a cidade ter recebido grandes movimentos migratórios, especialmente da Itália e Alemanha, na metade final do século, é consenso de que foram os açorianos quem colonizaram Araranguá. “Eles chegaram aqui primeiro, vindo de Laguna. Por isso dizemos que a nossa cultura é de base açoriana”, destaca.

Com o passar do tempo, os moradores passaram a reivindicar a emancipação devido à distância de Laguna. Araranguá já tinha uma grande extensão de terra, repleta de plantios, e um povoado que passava a ter anseios. “E o resultado disso veio em 1880. Porém, só três anos depois Araranguá se estruturou para ser considerada realmente uma cidade, data em que foi instalada oficialmente”, lembra.

Criciúma foi a primeira a se emancipar da Cidade das Avenidas, em 1925, por motivos parecidos. Boa parte dos seus habitantes eram imigrantes italianos, alemães e poloneses.

Rumo ao progresso 

“No início da história de Araranguá, tivemos um período forte de movimentação por meio do Caminho dos Tropeiros, que contribuíram para movimentar a mercadoria. Depois, tivemos um momento importante com a chegada do trem, já em 1920. Neste período teve a formação de um centro econômico muito forte, com o trem trazendo as mercadorias para serem distribuídas na cidade por uma balsa percorrendo o rio Araranguá”, informa Micheline.

O transporte rodoviário começou a se desenvolver momentos depois. Até o início da década de 50, quem precisava se deslocar ao Rio Grande do Sul tinha como única opção a beira da praia, iniciando o trajeto onde hoje fica Balneário Arroio do Silva. O tráfego, em dias de marés altas, tornava-se impraticável. A solução era pernoitar ali para tentar continuar a viagem no dia seguinte. “A ponte da BR-101 só foi construída em 1956, quando começou a se intensificar o trânsito”, aponta. Neste contexto, foram surgindo fábricas e engenhos, diversificando a economia local. “O asfaltamento veio a ser concluído em 1970”, completa.

O especial completo você lê na edição conjunta do Tribuna de Notícias deste final de semana

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.