Orleans: Avicultor conserta ponte com recurso próprio

Para evitar um prejuízo ainda maior, empresário de Orleans investe R$ 48 mil para arrumar local danificado por uma enxurrada no dia 3 de março

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Tiago Monte

Orleans

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Um morador da comunidade de Boa Vista, no interior de Orleans, tomou uma decisão, até certo ponto, inusitada. Sem contar com investimento da prefeitura, ele, que trabalha com avicultura e gado leiteiro, decidiu consertar, por conta própria, uma ponte danificada após uma enxurrada ocorrida no dia 3 de março.

Márcio Alberton alega que, para evitar prejuízos maiores, desembolsou R$ 48 mil para reformar a estrutura, que cedeu por volta de 55 centímetros. “Eu esperei 20 dias pelo prefeito, mas ele falou que dependia da Defesa Civil (órgão Estadual). Financeiramente, era inviável, para mim, esperar. Acredito que não há empresa em que fique seis meses de portas fechadas e depois abre da noite para o dia, como se nada tivesse acontecido. Comigo, não seria diferente”, explica o empresário, em entrevista à rádio Guarujá de Orleans.

Márcio mora no local há, aproximadamente, 23 anos. A ponte de concreto situada em uma estrada municipal foi construída em 2011. Anteriormente, desde 2007, havia uma estrutura de madeira no local. “Essa ponte de concreto conseguimos em 2011, em uma parceria minha com a prefeitura. Existia a cabeceira de madeira em uma estrutura antiga – que foi feita em 2007. Muita gente passa por ali e dá acesso para a minha propriedade e outras. Passam muitos ciclistas e motoqueiros por ali”, diz.

Acesso alternativo foi construído

De acordo com o empresário, o prefeito Jorge Koch, em visita ao local, afirmou que o reparo levaria entre três e seis meses para ser executado, por depender a Defesa Civil do Estado. “Eu não concordei com aquilo, porque dava pra ver que era possível fazer em menos tempo. A ponte só cedeu, baixou 55 centímetros, e teve rachaduras. Ficou impossível passar. O prefeito disse que faria um dreno no rio e eu não concordei, porque conheço a propriedade e o local e sei que não funciona. Eu estava baldeando leite e nada acontecia. Chegou no final de semana, eu percebi que nada aconteceria por parte da prefeitura, então, por conta própria, falei com o vizinho, para fazer um acesso dentro da propriedade dele”, destaca Márcio.

O acesso alternativo foi feito de forma provisória pelo morador, com apoio da Prefeitura. Porém, com a chuva, essa opção já apresentou problema. Desta forma, Márcio providenciou também o reparo na ponte de concreto. Os trabalhos duraram por volta de 15 dias. “Na mesma semana, eu tenho amigos engenheiros que disseram que não aconteceu nada com a ponte, só com a cabeceira. Então, conversamos, fizemos um orçamento que cabia no bolso, e fizemos uma ‘sapata’ grande de concreto. Fizemos em três etapas: laje, pilar e depois a ponte foi nivelada e concretada”, diz.

Márcio confirma que o valor foi pago do próprio bolso. “Eu então banquei o custo mesmo. Se prontificaram a me ajudar, outros moradores, mas eu consegui. Até porque sou eu quem mais usa o local, em função dos caminhões que passam ali”, explica. “No dia 3 de março, uma terça-feira, foi quando aconteceu. Na sexta-feira, dia 6, entregaria um lote de frango, mas não consegui e perdi uns 25 mil reais. Eu não poderia esperar mais”, reforça.

Busca de reembolso por via judicial

Os maiores custos de Márcio foram com ferro e hora de trabalho da máquina. “Esperei mais de 20 dias para o prefeito tomar uma decisão, mas foram consultar a Defesa Civil e eu sei que obras assim demoram porque é nível estadual. Não posso ficar seis meses ou um ano esperando. Fiz em 15 dias”, diz.

A ponte, agora, está liberada, mas o empresário temeu pela conclusão da obra. “A Secretaria de Obras esteve no local, conversou comigo, mas disse que dependeria da Defesa Civil. Eles não poderiam fazer mais nada. Só que enquanto fazíamos a obra da ponte não apareceu ninguém. Eu até fiz meio quieto para não dar problema e embargarem”, pontua.

O morador de Orleans conta que buscará o reembolso por via judicial. “Querendo ou não, faz muita falta”, afirmou. “Eu achei que foi um descaso, falta de vontade, do prefeito. Ele poderia olhar com mais atenção. Em caráter de emergência, ele poderia ter feito. Talvez essa obra, não daria a visibilidade que o prefeito queria. Vou dizer uma coisa: a Prefeitura, para mim, pode fechar as portas. Porque o que eu vou pedir mais para eles? O que mais eles poderiam me atender? É descaso total”, conclui.

Prefeitura aguardará o Judiciário

O prefeito de Orleans, Jorge Koch, disse que aguardará uma suposta notificação e intimação da justiça para avaliar o que será feito em relação ao caso. “Se ele entender de buscar o retorno do valor, na justiça, o município vai fazer uma avaliação, com o jurídico, e nós vamos ver o que fazer. O jurídico que vai me dar o parecer, no final, se, por acaso, nós formos notificados e intimados pelo judiciário”, explica.

Koch reforça que a obra foi feita “por conta” do morador. “Sendo assim, assumiu um risco e a responsabilidade financeira da obra. A Prefeitura poderia, daqui a dois ou três meses, tomar as devidas providências. O tempo da Prefeitura não é o tempo dos moradores: nós precisamos de licitação, orçamento e empresa vencedora. Tudo isso demora 30, 60 e 90 dias. É a burocratização do Estado”, comenta.

O prefeito destaca que não pode, neste momento, pegar deliberadamente o dinheiro para ressarcir o morador. “Ele não querendo aguardar todo esse tempo, por conta dele, fez a cabeceira e investiu um bom recurso, que eu não sei qual é o valor. Se ele entender de buscar na justiça o valor, analisaremos. Eu não posso pegar o dinheiro, ir até agora, por livre e espontânea vontade, e ressarcir. Eu não posso fazer isso”, finaliza.

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