O quilômetro do impasse em Içara

Trecho da futura Rodovia dos Trilhos, no bairro Vila Esperança, cria falta de entendimento entre a Ferrovia Tereza Cristina, que administra a área, e moradores da localidade

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Tiago Monte

Içara

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Fotos: Guilherme Cordeiro/TN

A Rodovia dos Trilhos, um novo acesso, com aproximadamente 6,3 quilômetros de extensão, que ligará o Centro da Içara à BR-101, e passará pela localidade de Vila Esperança, está paralisada por um impasse: a passagem em linha reta, ou não, da estrada pelos trilhos de trem que cortam a comunidade.

Na semana passada, representantes da prefeitura, comunidade local e representantes da Ferrovia Tereza Cristina se reuniram para discutir uma alternativa para a sequência da obra. Porém, ainda não houve um entendimento. No local será construído o terminal Intermodal de Içara e os moradores insistem que a estrada centenária deve seguir sem desvios, diferentemente do que pensam os administradores da ferrovia. “A ferrovia agora vem com o argumento de que ela não aceita, se tiver que passar por cima dos trilhos, por conta de segurança. Só que a ferrovia se contradiz porque a alteração que eles querem fazer é para passar por cima da linha férrea. Aqui vem e vai trem com carga de carvão”, diz o representante da comunidade, Djonathan Elias.

O morador justifica a preferência pela estrada em linha reta. “Se seguir o projeto original, a rodovia só vai passar por cima dos trilhos naquele local onde o trem fica parado para carga e descarga. Se fizer a mudança, fica mais perigoso ainda porque vai atravessar a linha férrea onde passam vagões carregados de um lado para o outro”, explica.

Djonathan explica que a comunidade não é contra a obra. “A comunidade deixou bem claro que não aceita essa mudança porque vamos sofrer. Não somos contra a intermodal, sabemos que é importante para a geração de empregos e impostos. É legal para a comunidade. Só que a forma que está sendo conduzida é errada. O projeto já iniciou e agora querem discutir uma mudança? Fica chato”, comenta.

Uma forma de desvio é sugerida pelo morador: a construção de um túnel, aos moldes do que existe no bairro Sangão, em Criciúma, em direção a Forquilhinha. “Nós sugerimos que continue em linha reta, mas, chegando na intermodal, passe por baixo dos trilhos. Em Criciúma, no sentido Forquilhinha, passando a Satc, virando à esquerda, em sentido ao quartel, passa por baixo de um pontilhão desse estilo. A ideia da comunidade é essa, pois dessa forma não sofreríamos com a mudança. De outra forma será muito ruim para nós”, ressalta.

Vazamento do projeto causou a discórdia

Um projeto feito de forma rápida para obtenção do dinheiro do governo. Assim saiu a ideia da Rodovia dos Trilhos. Porém, a iniciativa inicial não era exatamente aquela que seria executada e acabou sendo “vazada” para a comunidade. “Eles fizeram esse projeto, meio rapidamente, e depois fizemos contato com a prefeitura. Nós estávamos tratando com eles (prefeitura) para alterar o projeto, naquela região, porque está prevista a instalação de um terminal multimodal. Isso estava sendo tratado com a prefeitura. Eu não sei por que ‘cargas d’água’ esse projeto antigo, digamos, que foi feito para questão de liberar o dinheiro, foi apresentado à comunidade como sendo o que seria executado. Na verdade, não era”, explica o diretor da Ferrovia Tereza Cristina, Benony Schmitz Filho.

A intenção da empresa é prezar pela segurança da comunidade. “Estamos pedindo a alteração porque ao lado do terminal serão feitos desvios, passagens e manobras. Então, não tem como fazer a rodovia onde eles querem. A gente entende também que o outro lado, onde estamos autorizando, ficaria melhor porque fica ao lado da comunidade”, pontua.

Benony deixa claro que a obra está autorizada apenas até o “quilômetro do impasse” às margens do futuro terminal Intermodal. “Nós liberamos a obra, antes da autorização do Governo Federal – que é feita pela ANTT – até o inicio do terreno do terminal. Até ali tudo bem porque não haverá mais alteração. Dali para frente, não. O projeto precisa ser alterado”, reforça.

O diretor reforça que o vazamento prejudicou o andamento das conversas. “Os caminhões entrarão por um lado e o trem pelo outro, então, ali não tem como fazer. Mas toda essa confusão surgiu porque o projeto antigo chegou à comunidade. Eles acabaram confirmando a ideia antiga, que não seria executada. Estamos ajustando um projeto que deve ser executado”, ressalta.

Nova reunião ainda deve ser marcada

Atuando como mediadora do impasse, a prefeitura de Içara será comunicada pela Ferrovia Tereza Cristina para o agendamento de uma nova rodada de conversas. “Ouvimos a comunidade e a Ferrovia. Estamos aguardando a Ferrovia nos fazer uma ‘provocação’ para se tratar do assunto. Ainda não há uma definição. Estamos esperando eles nos oficiarem para marcarmos um novo encontro”, explica a prefeita de Içara, Dalvânia Cardoso.

A líder do Executivo içarense reforça que brigas não resolverão o caso. “Tem que haver uma solução. Briga, confusão, não vai levar a nada. Deve ficar bom para a comunidade e para o empreendimento, que é importante para a cidade”, enfatiza.

A prefeita reforça a importância da obra para a cidade. “É uma obra muito importante para nós. Uma nova via de desenvolvimento para a cidade e, ao mesmo tempo, uma estrada centenária. A prefeitura está despendendo, nessa obra, em um inicio de mandato, R$1,8 milhão de contrapartida com recursos próprios. Tem o nosso esforço nisso e a única alteração feita pelo atual governo, nesse projeto, foi pleitear, com resultado positivo, uma ampliação da pista para podermos fazer a ciclofaixa. Não temos definição, apenas encaminhamento”, finaliza Dalvânia.

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