Novo medicamento contra Covid-19 é testado em pesquisa em SC

Em Joinville, dois hospitais particulares participam da pesquisa que testa anti-inflamatório contra Covid-19

Foto: Reprodução/Pixabay/ND
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Desde o início da pandemia, a ciência tem buscado conter o SARS-CoV-2 e evitar mortes causadas pelo vírus. O Brasil, assim como outros países do mundo, tem contribuído ativamente com pesquisas a fim de controlar o maior desafio da saúde pública dos últimos tempos: a pandemia da Covid-19.

Especialistas de Joinville têm integrado algumas pesquisas promissoras em relação doença. Uma delas é o estudo de uma nova droga (anti-inflamatório) que tem a intenção de reduzir a atividade inflamatória nos pulmões, complicação que, muitas vezes, leva o paciente à morte.

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Batizado de ASKCOV, o estudo, que iniciou em dezembro do ano passado, é liderado pelo Instituto de Pesquisa HCor (Hospital do Coração de São Paulo), BRICNet (Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva) e Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre.

Em Joinville, dois hospitais particulares estão diretamente envolvidos no estudo sob a coordenação do médico intensivista Glauco Westphal  (Centro Hospitalar Unimed), que também faz parte da BRICNet, e da médica Maria Adelaide dos Santos (Hospital Dona Helena). Outros 15 hospitais de excelência no Brasil também participam desta e de outras pesquisas relacionadas à Covid-19.

A pesquisa, da nova droga, finalizou a etapa de recrutamento de pacientes no final de fevereiro deste ano e agora os dados coletados estão sob análise.

Ao todo, 110 pacientes participaram do estudo: 55 receberam o anti-inflamatório e outros 55 ganharam placebo. A comparação dos dois grupos é que vai provar se a droga é segura e indicar se tem efetividade. Em, no máximo, dois meses os resultados devem ser divulgados.

“É uma droga que tem a função de bloquear um sistema específico da inflamação, chamado de calicreína-cinina, já que se sabe que a Covid-19 provoca uma importante atividade inflamatória que atinge os pulmões. Fazendo o bloqueio dessa via de inflamação pretende-se diminuir a intensidade da reação inflamatória e, por consequência, a gravidade da lesão pulmonar com Covid-19”, explica Westphal.

Se isso acontecer, frisa o intensivista, haverá um número menor de doentes evoluindo para formas graves da doença.

Com o mesmo otimismo avalia a doutora Maria Adelaide dos Santos. Para ela, quanto mais opções terapêuticas para tratar essa doença tão agressiva, que tem levado à morte tanta gente, inclusive jovens, melhor será para todos nós.

“Se conseguirmos ter sucesso nesse estudo será mais medicamento entre os poucos que dispomos para poder oferecer ao paciente e ajudar a salvar vidas. Qualquer acréscimo à ciência é fundamental”, pontua Maria Adelaide, lembrando que o mundo todo pode se beneficiar do estudo.

Para quem será indicado

O medicamento, se aprovado, será administrado em pacientes que apresentarem a forma moderada da doença, ou seja, que necessitam de internação, mas não de intubação.

A droga ainda não tem nome. É identificada por uma codificação e será fabricada por um laboratório internacional.

Quando poderá estar em uso

Como o estudo ainda está na fase 2, que avalia eficácia e segurança da droga, ainda será preciso um estudo de fase 3 para comprovar a eficácia do medicamento em grupos maiores.

Se for comprovada a eficácia, aí, sim, o anti-inflamatório vai entrar em uma escala de produção e, certamente, será submetido à aprovação da Anvisa, assim como a outras agências regulatórias de saúde de outros países.

É precoce, portanto, estabelecer uma data de quando estará em uso.

No entanto, é importante destacar que as drogas mais promissoras que foram desenvolvidas e que vêm sendo usadas hoje contra o coronavírus são as de ação anti-inflamatória, como é o caso da dexametasona (corticoide), indicada para casos que requerem internação hospitalar.

Outro estudo em andamento – Antivirais

Outro ensaio clínico multicêntrico que vem sendo desenvolvido em Joinville é o Revolution, que envolve três drogas antivirais já usadas para combater outras doenças, como HIV e Hepatite C. Esse estudo, porém, está tentando provar que essas drogas amplamente disponíveis no mercado também têm efeitos contra a Covid-19.

Isto porque estes antivirais têm função diminuir a replicação viral e, portanto, a carga viral.

Inclusive, estudos experimentais realizados pela Fiocruz já demonstraram que a utilização desses fármacos têm capacidade de diminuir fortemente a carga viral do SARS-CoV-2.

A pesquisa está em fase 2, avaliando, basicamente, a segurança do uso desses medicamentos. É coordenada pela HCor em parceria com Fiocruz entre outras entidades e 15 hospitais referência no País. Conta, ainda, com patrocínio de duas empresas joinvilenses.

O número de pacientes envolvidos soma 250. Já foram incluídos 237. “Ficamos muito satisfeitos em poder contribuir. A Unimed Joinville foi o hospital que mais recrutou pacientes no Brasil”, sublinha o médico e pesquisador Glauco Westphal.

Até o final deste mês, a inclusão de pacientes – que precisam ter critério de internação – será concluída. Logo depois, começa a análise de dados. Como é um estudo randomizado, complexo, um comitê internacional ficará responsável por fazer toda a análise e cruzamento de dados, sempre zelando pela segurança máxima dos pacientes.

Ele lembra que outros dois estudos observacionais – um no Reino Unido e outro no Irã – mostraram que esses três fármacos antivirais estão associados a uma maior sobrevida em pacientes com Covid-19. Porém, enfatiza que estudos observacionais não são capazes de sustentar eficácia absoluta de um medicamento. São necessários estudos mais sofisticados, conhecidos como ensaios clínicos randomizados.

Por isso, tanto o estudo do anti-inflamatório quanto o dos antivirais são tão relevantes para saúde mundial.

“São dois estudos muito importantes, pioneiros. Caso essas drogas sejam comprovadamente eficazes teremos uma perspectiva para o tratamento de uma doença que é extremamente grave e ainda não está controlada”, complementa Westphal.

O pesquisador fez questão de destacar, ainda, que a medicina brasileira nunca contribuiu tanto com a ciência mundial.

“A união desses grandes hospitais e das redes de pesquisa é algo inédito que tem mostrado muita eficiência. O Brasil está aparecendo com várias publicações de impacto em revistas internacionais de medicina. Mas sozinho não se faz nada. É necessário que haja um trabalho em rede com objetivo de se buscar o melhor do coletivo”, finaliza o intensivista, coordenador de UTIs e pesquisador Glauco Westphal.

 Via ND+
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