Morro da Fumaça: Quando a necessidade extrema bate à porta

Com nove netos para sustentar e marido com grave problema de saúde, mulher busca auxílio para sobreviver com o mínimo de dignidade. Prefeitura de Morro da Fumaça doa cestas básicas, que são insuficientes para a alimentação mensal

- PUBLICIDADE -

Tiago Monte

Morro da Fumaça

- PUBLICIDADE -

Em meio ao pior momento da pandemia do coronavírus, uma família de Morro da Fumaça necessita de ajuda com o básico para a sobrevivência. Com nove netos para sustentar e o marido com problemas de saúde, Marilene Fidelis, de 47 anos, conta com pouco mais de 1000 reais por mês para suprir as necessidades mensais. Eles moram em uma acanhada casa no número 110 da rua onde fica a antiga Cerâmica Olívio Mattiola, no Picadão Palladini.

As crianças têm idade que variam de 4 a 12 anos. “São nove netos aqui comigo. Tinha outros que ficavam aqui comigo também, porque a mãe trabalhava. Só que agora a situação está muito ruim e a mãe está deixando eles em casa”, explica.

O marido era funcionário de uma olaria próxima dali, mas teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e foi encaminhado ao Instituto Nacional do Serviço Social (INSS). A partir daí, começou a peregrinação. “Cortaram o benefício e ele voltou a trabalhar na olaria, mas com a pandemia – e como ele é do grupo de risco – mandaram para casa. Ele toma Gardenal e remédio do coração, então ficou doente e afastaram ele”, explica Marilene.

À espera de um benefício do governo

Com os casos de Covid-19 aumentando, o homem está em casa, mas sem receber. “Agora, mandaram ele para o INSS novamente, mas, desde lá, ele não recebe nada: nem da empresa e nem do governo. Meu marido precisa fazer um cateterismo, em Curitiba, e também está na fila de espera para conseguir pelo SUS. E, desta forma, a gente vai levando”, lamenta. Os exames realizados pelo marido de Marilene tiveram alterações. “Os exames do coração dele apresentaram problema, então ele não pode trabalhar. A gente não entende bem o que houve, mas deu alteração”, enfatiza.

Uma nova perícia será realizada amanhã e com a ela a esperança de um benefício do governo. “Ele fez perícia, em Criciúma, mas foi negada. Agora, quinta-feira (amanhã), ele tem outra consulta e vai levar mais exames, quem sabe ele ganha o benefício”, confirma.

A nora de Marilene, Franciele Fidelis, auxilia a sogra nas tarefas de casa. “A minha nora trabalha meio período e me ajuda no restante do tempo com as tarefas da casa, porque eu tenho problema de coluna. Estou esperando para fazer um ultrassom da coluna, mas dizem que é muito caro. Estou na fila de espera”, diz Marilene.

Dívida com conta de luz soma R$ 1,6 mil

Sem dinheiro para pagar as contas de energia elétrica, a família já estava com três faturas atrasadas e o corte era iminente. Entretanto, ontem, funcionários da Cooperativa Fumacense de Eletricidade (Cermoful) se solidarizaram e protagonizaram um ato de caridade. “Ela (energia elétrica) estava para ser cortada, mas o pessoal da Cermoful se reuniu, fez uma vaquinha, e pagou uma fatura para nós. A gente nem conhecia eles, mas acabaram fazendo isso para a gente. Os funcionários iriam cortar, mas eles mesmos se reuniram e pagaram. Agora, temos dois atrasados e outra fatura que vence já no dia 15”, explica Franciele.

A conta mensal gira em torno de R$ 500. Pelo que se observou durante a visita da reportagem à casa, a família dispõe de poucos eletrodomésticos ou eletroeletrônicos para o consumo de energia. Conforme a nora de Marilene, os funcionários garantiram que o valor é normal ou, até mesmo, abaixo do que o esperado. “Eles disseram que é isso mesmo, porque tem muita gente em casa. São 12 pessoas”, confirma.

Com um valor mais baixo de benefício do Bolsa Família, a situação complicou ainda mais para os fumacenses. “Eu ganhava 600 reais, mas como acabou o Auxílio, eles cortaram. Então, agora vem só 200 reais mesmo de Bolsa Família. Esse valor não é suficiente para eu pagar a luz. Antes, eu usava todos os 600 reais para isso. Eu tinha 200 reais guardados para tentar conseguir o restante e pagar a conta da luz, mas não consegui”, lamenta Marilene.

A família necessita de 1.600 reais para saldar as contas de energia elétrica. “Até o dia 15 temos que pagar mais uma, pelo menos”, diz, apreensiva, Franciele. Como o valor da dívida é muito alto, nem mesmo com um parcelamento eles conseguiriam quitar o débito.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.