Morro da Fumaça: Caso dos remédios, quatro anos sem solução

No início de 2017, em Morro da Fumaça, medicamentos e outros itens de higiene foram encontrados com armazenamento inadequado e sujeira. Ministério Público diz que inquérito ainda está em andamento

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Tiago Monte

Morro da Fumaça

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Há mais de quatro anos, exatamente no dia 13 de janeiro de 2017, medicamentos, materiais de higiene, limpeza e escritório foram achados com sujeira, insetos, armazenamento inadequado e alguns lotes vencidos. O fato aconteceu em Morro da Fumaça e a Secretaria de Saúde do município isolou o almoxarifado após encontrá-lo em más condições.

O fato ocorreu dias depois da troca de governo, quando equipe nomeada pelo prefeito Noi Coral (PP) começou a entrar nos setores da Prefeitura para trabalhar e se deparou com a situação estarrecedora. O almoxarifado é o local onde ficava o depósito de todos os itens a serem distribuídos nas dez unidades de saúde do Município.

O caso, tratado como um verdadeiro “descaso com a saúde” ainda não tem uma conclusão. O Inquérito Civil ainda está em andamento no Ministério Público (MP) – na terceira Promotoria de Justiça da Comarca de Urussanga, desta forma “não é possível, por ora, emitir qualquer juízo de valor sobre o caso, uma vez que as deliberações e conclusões dependerão da análise total e minuciosa do procedimento”, diz um despacho assinado em 29 de janeiro pela Promotora de Justiça Substituta, Ana Maria Horn Vieira Carvalho.

Prejuízos de mais de R$ 300 mil 

Ainda em 2017, a Prefeitura abriu uma sindicância para saber a autoria da irresponsabilidade e se os medicamentos e materiais ainda poderiam ser usados. No dia 24 de abril daquele ano, a Secretaria de Saúde concluiu o levantamento dos prejuízos. Em um primeiro momento, a Administração Municipal divulgou o desperdício de R$ 1,3 milhão em medicamentos, reconhecendo, em seguida, que houve equívoco, que na verdade foram R$ 301 mil de materiais inutilizados.

Em 23 de maio, os vereadores do Legislativo aprovaram a criação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar o desperdício de recursos públicos no almoxarifado. O resultado do trabalho da Comissão foi concluído em 13 de dezembro do mesmo ano e recomendou investigação, tanto da gestão anterior – chefiada por Agnaldo Maccari (à época no PSD) – quanto daquela que entrava com Noi Coral e que acabou reeleita no ano passado – principalmente no período de transição entre os governos, que compreendia entre os dias 23 de dezembro de 2016 e 24 de janeiro de 2017.

À época dos fatos, conforme informado pelo prefeito Noi Coral, a responsabilidade recaiu sobre duas pessoas: uma enfermeira, que foi suspensa do trabalho por 60 dias, e o responsável pela pasta de saúde, que se elegeu vereador nas eleições de 2016. “O que cabia à Prefeitura fazer, foi feito”, explicou Noi, na época.

Atualmente, os mais de R$ 300 mil ainda não foram repostos ao cofre da prefeitura, pois o processo ainda está em andamento no MP. “A gente não viu esse processo ser finalizado ainda. Não temos a informação de como anda a situação. O valor não foi reposto nos cofres da prefeitura, pois não sabemos se alguém será considerado culpado ou não por esta situação”, comentou Noi, ontem. “Está tudo parado por lá (MP) e nós seguimos aguardando”, completou o prefeito de Morro da Fumaça.

Situação foi constatada à época

A reportagem esteve no almoxarifado, à época das denúncias, e constatou o que foi relatado pelas autoridades. Havia caixas rasgadas e perfuradas, parecendo ser pela ação de cupins, e produtos vencidos, como diversas garrafas de álcool em gel. Baratas não foram encontradas , mas aranhas, sim.

Estrutura de uma casa

O local era dividido em dois andares: embaixo uma sala, que era a mais suja, e, em cima, um escritório, mais duas salas com mais estantes e materiais; banheiro, com caixas de gaze no box; mais uma área de serviço lotada de caixas. Numa das salas, um ar-condicionado novo sem funcionar, espera a instalação da tomada. O calor também comprometia os remédios.

Ex-secretária afirma que estava tudo correto

A ex-secretária de Saúde, que assumiu no lugar do então candidato a vereador, Cristina Maccari, diz ter a consciência tranquila sobre a forma como os remédios eram acondicionados. “Até agora, de fato, ninguém provou nada sobre o acontecido. Então, não tenho nada a falar. Estou esperando o Ministério Público se manifestar. A minha consciência é limpa e tranquila”, diz.

“Estamos esperando o parecer final. Na época, estava tudo tranquilo. A minha consciência é tranquila para dizer que não tinha nada de errado como foi publicado. Foi desnecessário o que fizeram. Tanto que, até hoje, não foi provado nada”, finaliza.

A reportagem também tentou contato com o ex-prefeito Agnaldo Maccari, o Nado, mas ele não atendeu e nem retornou as ligações.

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