Modelo que impulsiona o desenvolvimento coletivo

Com sede em Nova Veneza, Coofanove foi a pioneira do ramo de produção agroindustrial familiar no Sul do Estado. Atualmente, cooperativa é referência é possui mais de 20 associados atuantes

Fotos: Ulisses Job/ Especial TN
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Geórgia Gava

Nova Veneza

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Antes mesmo do cooperativismo se tornar uma expressão conhecida, o modelo já estava presente na vida das pessoas. Um exemplo é a Cooperativa de Produção Agroindustrial Familiar de Nova Veneza (Coofanove), fundada há mais de 16 anos. Lá, os associados põem em prática o sistema, que incentiva a pluralidade de ideias e experiências, assim como a organização e o desenvolvimento econômico e social para o bem comum. A união dos sócios, apesar das necessidades individuais, culmina para o crescimento coletivo.

Os negócios da Pasetto, padaria e confeitaria colonial, iniciaram em 1989. Com muitas dificuldades, à época, Idalmo e Regina deram o pontapé inicial à produção de biscoitos e bolos artesanais. A família, que vive em São Bento Baixo, produzia, no início, para a feirinha localizada em Criciúma. A expansão do trabalho se deu junto à abertura da Coofanove, em 2005. A matriarca foi a primeira presidente da cooperativa e esteve presente em todas as decisões que foram determinantes para o sucesso do projeto.

Regina Pasetto foi a primeira presidente da Coofanove

“Quando a gente pensou em montar a cooperativa, sentamos com a Epagri, Sindicato Rural e a Prefeitura na secretaria de Agricultura, junto com algumas pessoas que já trabalhavam com o segmento de agroindústria. Dificuldade tinham muitas, porque não tinha um modelo. Fomos moldando para tentar encaixar todo mundo e conseguimos fazer tudo isso. O que nos deixa orgulhosos é que hoje somos referência, recebemos visitas até de outros Estados do país para conhecer”, explica Maria Regina Pasetto, proprietária da padaria e confeitada colonial.

A Coofanove possui um estabelecimento físico, no centro de Nova Veneza. Lá, são comercializados produtos artesanais, provenientes da agricultura familiar, como farinhas, queijos, embutidos, biscoitos, pães, verduras, frutas, vinhos, sucos, souvenires e geleias. Ao todo, são mais de 90 associados que compõem a cooperativa, desses, apenas 20 são considerados como atuantes, que vendem na loja.

“Nós temos associados hoje que a gente chama associados de projeto, que são pessoas que não fazem venda na loja, mas participam de projetos. Esses produtores entregam para merenda escolar, então quem suporta isso é a Coofanove. Nós fomos 20 sócios atuantes, que colocam os produtos na loja e existem mais de 70 que são apenas para a parte dos projetos”, acrescenta Regina.

Dos associados que comercializam na Coofanove, a maioria está desde o início do projeto. ”Somos em mais de 20 sócios, a maioria dos que estão hoje são sócio-fundadores, que pensam como a gente. O sistema da cooperativa simplifica toda a parte burocrática e também barateia bastante, porque se divide todas as despesas, como o ponto da loja e a contabilidade. Cada sócio é responsável pela sua mercadoria, tanto na organização como na produção. A cooperativa tem a responsabilidade global em cima de todos”, pontua Regina.

Desde o início, há mais de 16 anos, a união foi determinante para que o projeto realmente tivesse impulso. “No começo, todo mundo era ‘cru’, e para que a Coofanove acontecesse, precisava que fosse criando o hábito do cooperativismo. No sentido de que tem que trabalhar no coletivo, porque sozinho não vai. Tem que ter vários tipos de biscoitos, queijos, salames para oferecer aos clientes, ter diversidade e ter noção de que não adianta andar sozinho”, enfatiza a sócia da Coofanove.

Além de ser fundamental para o processo burocrático dos associados, é através da Coofanove que as famílias agricultoras da região também podem participar de projetos ligados ao Governo do Estado e município para fornecimento de merenda escolar para os estudantes.

“Eu vejo a Coofanove como uma peça muito importante no município. Essa parte interna, que muita gente não conhece, como a entrega de merenda escolar, isso só é possível através da cooperativa”, explana a sócio-fundadora. “O associado está produzindo, o município e o Estado estão consumindo e o Governo Federal está pagando. Ele só vai disponibilizar esse benefício através da cooperativa. E isso não só em Nova Veneza. A Coofanove tem projetos na prefeitura de Treviso, que tem associados que são limítrofes na cidade, outros de Meleiro, de Forquilhinha. É uma corrente”, completa.

Através da Coofanove, o grupo de sócios, produtores agrícolas familiares, também pode ofertar produtos da cultura local aos moradores e turistas que vêm de municípios vizinhos, estados e, até mesmo, de outros países. “A cooperativa está ligada diretamente ao turismo. O turista vem passear em Nova Veneza, mas ele passa na Coofanove para fazer a compra final. É um braço forte. Hoje, o nosso ponto é valorizado. Todo mundo reconhece a Coofanove, o futuro dela vai de vento e popa. Não tem erro”, finaliza Regina.

A Salumeria Nórcia trabalha, atualmente, com a terceira geração da família. “Começou com o meu avô, passou para o meu pai, agora ele comanda a produção e nós estamos trabalhando juntos. Antigamente, era tudo feito de forma artesanal. Então como as coisas foram se modernizando, inclusive, as exigências, chegou um momento que, ou a gente legalizava, ou parava com as atividades. Então resolvemos legalizar, foi aí que entrou a Coofanove”, acrescenta Dagostin.

Atividades da Salumeria estão na terceira geração da família

O sistema cooperativista auxilia os produtores que buscam conhecimento, principalmente nas áreas contábil e financeira. “Acredito que assim como outros sócios, eu não teria coragem de abrir um negócio sozinho, no escuro. Então a gente soube da Coofanove, na época, e conversamos com o presidente da cooperativa e foi o pontapé inicial para começar a atividade legal. Através da cooperativa tem muitas despesas que são em grupo, então dá mais coragem, além disso, abrimos a fábrica já com uma loja, um ponto que é da Coofanove”, pontua o produtor.

Salames, torresmos, lombos defumados e embutidos de forma geral são produzidos pela Salumeria e comercializados em mercados, restaurantes e fruteiras. Semanalmente, a empresa produz cerca de 500 quilos de alimentícios do ramo, que são distribuídos em estabelecimentos de toda a Região Carbonífera (Amrec).  “A gente tinha uma noção de como funcionava, mas com as dificuldades da empresa, fomos conhecendo e vendo que recebemos um amparo necessário”, comenta Dagostin. “Até hoje, a gente comenta que é associado da Coofanove e as pessoas falam ‘se é da Coofanove, é coisa boa’. Tem fama”, finaliza.

Com a popularidade de Nova Veneza, principalmente, em virtude do setor turístico, muitos produtores tiveram a oportunidade de darem início ou desenvolverem as suas produções. Um dos ramos que mais evoluiu, com o tempo, foi o gastronômico, que atrai visitantes de inúmeros lugares em busca dos pratos típicos oferecidos no município. Entre eles, um dos mais procurados e tradicionais é a polenta.

Através da Coofanove, marca pode ser comercializada em vários estabelecimentos

Maristela e Edson Ghisleri, casal neoveneziano, deu o pontapé inicial na produção de farinha de milho, principalmente ingrediente para a polenta. Há 16 anos, o negócio familiar cresce. “A gente tinha um mercado antigamente, mas não deu mais certo, e a gente viu essa possibilidade, em 2005, porque Nova Veneza estava muito ativa nessa questão da gastronomia, já tinha um sinal bom. Vimos, então, uma oportunidade de lançar um produto que seria dentro desse ramo”, comenta o produtor.

O casal é sócio-fundador da cooperativa e vê a evolução com o tempo de trabalho. “Tínhamos dificuldade para comercializar, a gente entrou na Coofanove, então facilitou todo esse trabalho. Aos poucos, fomos consolidando a marca, não é de uma hora para outra, do dia para noite”, acrescenta Ghisleri. “Uma das grandes vantagens da Coofanove é a união. As pessoas deixaram de ser individualistas e pensaram grande, em conjunto”, completa o produtor.

Outro grande benefício é a economia gerada através da Coofanove. “Hoje, por exemplo, a gente compra embalagens através da cooperativa em parceria com outros associados. Isso acaba facilitando na hora de ter um valor mais baixo. Os mercados, hoje, tem que ter retorno de imposto e a Coofanove não é uma empresa simples, se não ter esse retorno, eles não são beneficiados”, acrescenta Ghisleri.

Com a consolidação da marca Di Venezia, o casal pretende expandir a gama de produtos, ofertando também farinha de milho para bolos e doces caseiros. “Para manter uma empresa, é complicado. Então através da Coofanove a gente deu também esse grande passo, que é poder vender legalmente, antes não se conseguia. Sem a cooperativa, teria sido muito mais complicado. Os custos seriam muito maiores, principalmente, sem um amparo legal”, finaliza Ghisleri.

Administração da cooperativa

Por trás do trabalho de cada associado também há a gestão da Coofanove, que atua na sede da cooperativa e é responsável pela administração e fiscalização. “Tem o pessoal da diretoria, são seis. Mensalmente a gente se reúne quando fecham as contas para analisar os gastos e manter a cooperativa”, explica o presidente da empresa, Altair Valdati.

Para o presidente, a cooperativa é essencial na vida dos associados, já que facilita todo o processo burocrático. “Hoje, se todos os associados tivessem que ter uma microempresa para cada um, seria muita despesa. É muito importante a existência da Coofanove, que na verdade, é deles. São 24 sócios que vendem na loja e todos eles trabalham com o mesmo CNPJ, que é o da cooperativa”, finaliza.

 

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