Incidência de coronavírus em pessoas mais jovens acende alerta

Somente em Criciúma, dos 30 mil pacientes contaminados, mais de 25% são de pessoas com idades entre 30 e 39 anos

Foto: Divulgação/ HSD
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Criciúma

A cada dia, o número de jovens contaminados por coronavírus tem chamado a atenção das autoridades de saúde. Em Criciúma, por exemplo, mais de 25% das pessoas infectadas possuem entre 30 e 39 anos, desses, 15 pacientes evoluíram para o óbito. A situação gera alerta, já que os índices em Santa Catarina, sobretudo na região Sul, continuam em ascendência.

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“O que a gente tem observado é que realmente existe uma tendência maior de pessoas jovens internadas em UTI, e eu acho que isso se dá por uma mistura de coisas. A primeira é a questão da vacina, ela realmente protege. Hoje, percebemos que entre os pacientes que eram os de maior risco pela idade, o número de infectados reduziu muito”, explica o pneumologista Renato Matos. “E também as pessoas com mais idade acabam se cuidando mais, as jovens acabam se expondo, uns em função do trabalho, outros por festas e aglomerações. E, aparentemente, essa cepa que é mais transmissível acaba também afetando mais esse grupo. Partindo do princípio que 1% da população acabe complicando [o quadro], se nós tivermos 100 pessoas infectadas, uma vai para UTI”, complementa.

O pneumologista também chama atenção para os índices em Criciúma – que seguem a tendência de todo o Estado. “Essa é uma coisa importante a ser salientada, porque desde março nós mantemos os números altos na cidade, recordes. Em meados de fevereiro, nós tínhamos 40 pessoas internadas, dessas, 32 eram da cidade. Já na semana passada, nós tínhamos 200 internados, 163 eram do município e 60 já estavam em UTI. Esses números estão oscilando desde março, mas continuam em alta”, pontua Matos.

Percentuais de contaminação

Outros grupos apresentam percentuais expressivos em Criciúma. A infecção de pessoas entre 20 e 29 anos atinge 19,8% da população contaminada. Logo depois vem os pacientes com idade entre 40 e 49 anos, com 18,2% e entre 50 e 59 anos, com 15,1%. Em quinto lugar está o grupo entre 60 e 69 anos, com 8,9%. O índice que corresponde a 10 e 19 anos é 5,6%; 70 e 79 anos, 3,3%; zero a quatro anos, 1,5%; 80 anos ou mais, 1,3% e, por último, crianças com a faixa etária entre cinco e nove anos, 1,2%. Os números são baseados nos dados mais atuais emitidos pela Secretaria de Saúde.

Conforme o boletim emitido pela Vigilância Epidemiológica de Criciúma ontem, dia 10, há 30.435 casos confirmados de coronavírus no município, desses, 29.120 são considerados como recuperados da doença e 863 continuam em tratamento.

O número de hospitalizados em Criciúma é de 173, sendo que 53 estão em Unidade de Terapia Intensiva e 120 em leitos clínicos. Desses, 77 são moradores de outros municípios.

Mais duas mortes registradas ontem

Em Criciúma, dois pacientes com coronavírus vieram a óbito. Um deles é um adolescente, de 15 anos, que lutava contra um câncer. Em uma publicação nas redes sociais, a Casa Guido lamentou a morte prematura do jovem. “Biel, garoto carismático, de sorrido fácil, encantava a todos com o seu olhar sereno, sempre otimista e corajoso”.

O outro óbito registrado é de uma mulher, de 74 anos, que morreu em outro município no dia 22 de abril. No total, são 452 mortes em Criciúma.

Internações aumentam

Os dados mais recentes apontam que 12 pacientes aguardam por um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na região Sul. “Esse é outro problema. Antes, com as pessoas mais idosas, as coisas se resolviam mais rápido. Ou se recuperava ou morria. Hoje, os pacientes mais jovens ficam um, dois meses no leito e, com isso, a unidade fica com uma ocupação maior”, pontua o pneumologista.

Matos reforça a importância do uso de máscaras e álcool em gel como ferramentas de cuidado e combate a proliferação do vírus. “Eu tenho muito receio dessa doença. A gente que vive diariamente com esse quadro, estamos vendo diversas pessoas com as mais diversas complicações, como sequelas respiratórias importantes e algumas, até mesmo, irreversíveis”, enfatiza. “Com o dia das mães, se as pessoas realmente não seguiram as medidas, daqui a pouco, esse número pode aumentar de novo”, finaliza.

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