Frente fria traz otimismo aos pescadores na safra da tainha

Período de pesca iniciou em 1º de maio, mas desde então, temperaturas não têm contribuído com a atividade. Mudança do clima deve mudar o cenário

Foto: Esplanada Surf Report/ Arquivo
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Balneário Rincão

Os pescadores da região aguardam ansiosamente pelas temperaturas baixas e, consequentemente, a chegada dos cardumes de tainha. O clima quente registrado durante os últimos dias não colaborou com os primeiros dias da safra do pescado, mas uma nova frente fria deve contribuir com a atividade. O período de pesca iniciou oficialmente no sábado, 1º de maio, e se estende até o fim de julho.  A expectativa da Colônia Z-33 é atingir cerca de 100 toneladas, o dobro do que foi registrado no ano passado.

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Temperaturas baixas são essenciais para uma boa safra do pescado, já que os cardumes se aproximam do litoral em busca de água quente. “Por enquanto, as notícias não são boas, porque o frio e o vento Sul ainda não chegaram. Ainda não tivemos, infelizmente, nenhuma pesca significativa. Os trabalhadores estão com as canoas percorrendo as praias atrás da espécie, mas ainda não encostou na nossa região”, explica o presidente Colônia de Pescadores Z-33, João Piccolo.

Atualmente, cerca de 400 famílias da Colônia de Pescadores Z-33, que compreende a extensão entre o Balneário Esplanada, em Jaguaruna e a Barra Velha, no Rincão, dependem da atividade para sobreviver. “Precisamos das temperaturas baixas, do vento Sul e das condições do mar favoráveis para que as tainhas saiam da Lagoa dos Patos e venham até a nossa região. Essa é a nossa expectativa para os próximos dias”, acrescenta Piccolo.

No ano passado, o resultado da safra foi abaixo do esperado. O objetivo da colônia era atingir 100 toneladas, mas as condições climáticas acabaram influenciando para que apenas 50% fosse alcançado. “Queremos, em 2021, dobrar esse número, é isso que a gente espera. Mas tudo isso depende do mar e do tempo”, comenta o presidente.

Segurança dos pescadores

Desde o ano passado, devido à pandemia do coronavírus, a atividade tem algumas restrições impostas pelo Estado. “A nossa orientação é que a comercialização não seja feita na orla, que os pescadores façam a captura e vendam nas casas, para não ter aglomerações. Infelizmente com esse desgoverno, a grande maioria da população não está vacinada e não é diferente da questão dos pescadores, isso prejudica bastante. Nós queremos que a tainha encoste, que o pescador consiga fazer a pesca, mas também queremos garantir a vida e saúde dos pescadores”, enfatiza Piccolo.

Sem valores definidos

Sem a chegada dos cardumes, não há preço definido para venda do pescado. “Ainda não temos. Tudo vai depender da safra. Se tiver uma pesca em uma abundância grande, aí nós vamos ter um valor mais acessível e barato. Se tiver uma pesca em menor escala, por não haver peixe no mercado e a procura ser grande, vai ser mais caro”, ressalta Piccolo.

Pescadores enfrentam dificuldades

Com a pesca prejudicada no ano passado devido ao tempo, muitos trabalhadores, bem como suas famílias, têm enfrentado desafios para se manterem. “Primeiro, os pescadores não foram inclusos no auxílio emergencial, então eles estão passando por dificuldades, precisamos que os órgãos públicos deem uma olhada e priorizem a questão da pesca, tanto da fiscalização da polícias Militar e Ambiental como do Poder Público, o acesso à orla restrito aos pescadores. Nós não gostaríamos que as pessoas de fora entrem para prejudicar o exercício da atividade”, finaliza o presidente da Colônia Z-33.

Clima ameno deve chegar à região

Apesar de a última semana ter registrado dias quentes, o clima ameno deve chegar à região Sul. “Hoje (ontem) à noite, o vento vira Sul e chove bem nesta quarta-feira e quinta-feira durante o dia. Com o vento Sul e o frio, a tainha acompanha essa situação e por isso que se espera alguns lanços bons do pescado. De maneira geral, o outono vai ser uma estação de pouca chuva, com algumas passagens de frente fria e, normalmente, a tainha acompanha esses períodos”, explica o climatologista da Epagri de Urussanga, Márcio Sônego.

Uma nova frente fria deve atingir a região somente a partir do dia 15 de maio. “Nós vamos ter muitos dias, um intervalo, entre uma frente fria e outra”, pontua.

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