Forquilhinha celebra os 32 anos de emancipação

Município teve o nome originado da forquilha que une dois rios, o Mãe Luzia e o São Bento. Primeiro prefeito conta a luta até que o sonho se tornasse realidade

Foto: Guilherme Cordeiro/TN
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Tiago Monte

Forquilhinha

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“Terra de alemão”. É desta forma que muitos se lembram de Forquilhinha. Há certa razão nesta expressão, já que a cultura germânica predomina no município, seja na arquitetura ou na gastronomia. Porém, mais do que isto, é uma terra de diversidade. De inclusão. De italianos. poloneses, japoneses. Trabalhadores. Pessoas que lutaram para tornar a cidade em um destaque regional. E que hoje comemoram o aniversário de 32 anos de emancipação político-administrativa.

Apesar de ainda jovem como município, a cidade que teve o nome originado da forquilha que une dois rios, o Mãe Luzia e o São Bento já é centenária. Lugar que por anos foi distrito de Criciúma, mas que após o dia 26 de abril de 1989, passou a caminhar com as próprias pernas.

A história de Forquilhinha está intimamente ligada a do empresário Vanderlei Ricken. Ele foi presidente da Comissão Emancipacionista e primeiro prefeito. Acompanhou de perto a transformação do distrito em município e a evolução de uma cidade que se tornou referência pelo planejamento.

Para ele, Forquilhinha vive um ótimo momento. “O município hoje é saudável. Desenvolvido. Encontrou sua vocação industrial, aliada com a vocação da agroindústria, que começou a funcionar muito melhor, e do frigorífico. É muito bem estruturado em termos de arrecadação. Uma característica é que os 12 núcleos industriais estão espalhados pelo município. As pessoas trabalham onde moram. E não tem problema de desemprego. Só não trabalha quem não quer. Tem alguma coisa que pode ser melhorado. Sempre tem. Mas é um dos mais viáveis. Com 32 anos, o município provou um salto de qualidade e desempenho”, destaca Ricken.

Criação desde literalmente o “zero”

Com a assinatura da emancipação, no dia 26 de abril de 1989, Forquilhinha deixava de ser distrito de Criciúma para tornar-se município. Mas mesmo com as projeções de arrecadação, a nova cidade teve que se estruturar desde o início. “Começamos da estaca zero. Literalmente do zero. Mas foi um bom começo. Fizemos uma legislação que criava incentivos fiscais. Conseguimos adquirir um terreno e fazer o Parque Ecológico no primeiro mandato, assim como o espaço para o primeiro núcleo indústrial. E mesmo no processo eleitoral, consegui arrancar do (então governador) Casildo Maldaner, o compromisso de asfaltar o trecho Forquilhinha/Mãe Luzia. E isso foi uma grande conquista, pois era estrada de chão. Foi uma experiência muito desafiadora. Mas o fato é que, em três anos, já tínhamos certeza que a emancipação era a coisa mais certa para se fazer para o povo de Forquilhinha”, conta Ricken, o primeiro prefeito, que começou o mandato, de fato, em 2 de janeiro de 1990 e teve apenas três anos de governo.

A criação do município mexeu com o ânimo dos moradores, que passaram a investir mais no local. “Foi algo impressionante: tinha uma atmosfera de mudança. O município começou a caminhar com as próprias pernas e houve um grande desenvolvimento. As pessoas começaram a acreditar mais nos seus investimentos. Lojas aumentaram. Pessoas criaram negócios. Era uma realidade diferente. E como havia mais dinheiro circulando, pois o dinheiro da arrecadação ficava aqui, as pessoas criaram mais coragem. Eu não acredito que haja uma só pessoa em Forquilhinha que ache que a emancipação foi um mau negocio”, destaca.

História de luta e insistência

A luta até o 26 de abril de 1989 foi árdua. Inúmeras tentativas e mais de sete anos de lutas para transformar o distrito em município.

A primeira tentativa ocorreu em meados da década de 70, mas uma lei nacional dificultava a criação de novos municípios. Em 1982, um plebiscito estava marcado para o dia 21 de abril, mas o então prefeito de Criciúma, Altair Guidi, conseguiu um mandado de segurança, no dia 16,  e suspendeu o pleito cinco dias antes da realização. “Houve uma revolta muito grande na época. Considero o maior movimento de protesto da historia de Forquilhinha. Mais de mil pessoas foram às ruas protestar”, conta Ricken.

O movimento continuou, e em 1987, na terceira tentativa, foi realizado o plebiscito que decidiu, no dia 18 de outubro, com a grande maioria (82%) aprovando a emancipação. Mas ocorreu o que ninguém esperava: o veto do então governador Pedro Ivo Campos – que era contra as emancipações. A esperança era que a Assembleia Legislativa derrubasse o veto, mas isso não ocorreu para Forquilhinha e Itapoá. “O mais grave é que o distrito de Forquilhinha era o que melhor tinha condições de se emancipar. Principalmente em arrecadação. Mas tivemos a infelicidade de faltar um ou dois votos para derrubar o veto”, relembra o então presidente da Comissão Emancipacionista.

Finalmente, a tão sonhada emancipação

O fracasso em mais uma tentativa desanimou grande parte da população, mas a Constituição de 1988 possibilitou que novas leis fossem criadas e finalmente, a emancipação deixou de ser apenas um sonho. “Conseguimos fazer, ainda em 1988, no dia 4 de setembro, um novo plebiscito dentro da mesma Legislatura. Houve uma participação bem menor, pois o povo não acreditava mais. Mas conseguimos o plebiscito. Entraram com mandado de segurança de novo, e conseguimos ganhar no Tribunal de Justiça. O receio era o governador vetar novamente, mas o Casildo Maldaner estava como interino e prometeu, na noite do dia 24 de abril de 89, em um encontro na casa dele, que iria assinar a emancipação com um ‘canetaço’. E assim aconteceu”, completa Ricken.

O MUNICÍPIO

Emancipação: 26 de abril de 1989

Gentílico: forquilhinhense

População: 27.211 habitantes (estimada pelo IBGE)

Número de eleitores: 19.694 (TSE/2020)

Prefeito: José Cláudio Gonçalves, o Neguinho (PSD)

Área: 183,351 (km²)

Distância de Criciúma: 18 quilômetros

Distância de Florianópolis: 213 quilômetros

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