Figura materna tem papel preponderante no desenvolvimento da criança

Durante a fase inicial de desenvolvimento, o bebê se percebe como uma extensão da sua mãe

Responsabilidade de ser mãe é educar para a vida Foto: Arquivo TN
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Gustavo Milioli/Especial

Criciúma

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A presença da mãe é essencial para a criança nos primeiros anos de vida. E a ausência tanto dela, como do pai, na educação e na rotina diária, pode trazer sérios prejuízos à personalidade do filho. A figura materna dentro de uma família é tão importante que chega a superar a paterna. Nas fases iniciais do desenvolvimento a criança se percebe como uma extensão da genitora, que representa um ponto crucial na formação do ser humano. É a partir dos conceitos passados por ela que se desenvolverão habilidades no trato social, familiar, psicológico e até mesmo ambiental.

“Após o nascimento, a mãe biológica vem em primeiro lugar no círculo de relações da criança. É o vínculo inicial, o mais forte, de referência e dependência. Com o tempo, na interação com outras pessoas, esse vínculo vai se separando, e entra o pai, ou a pessoa que faz o papel de pai. Existe também a presença da pessoa que faz o papel de mãe, que são as cuidadoras e professoras”, explica João Luiz Brunel, psicólogo, mestre em Educação, e professor do curso de Psicologia da Unesc.

A responsabilidade de ser mãe é de educar para a vida. Certamente, não existem fórmulas mágicas para educar. Ter bom senso, dialogar, amar seus filhos e ter consciência do seu papel são fatores indispensáveis.

“Você pode olhar a mãe pelo cuidado. A partir do momento em que nasce, a criança é cuidada, alimentada e assistida por ela”, assinala Brunel. “Existe também o vínculo afetivo, que está relacionado a isso. Pela presença, pela interação que se dá no dia a dia. A criança vai crescendo biologicamente, construindo psicologicamente uma identidade, e se separando da mãe aos poucos”, complementa.

Processo de despertar

De acordo com o professor, o período exato desta separação pode variar de caso para caso. “Em torno dos três anos, o filho adquire a consciência do ‘eu’. Ele se olha no espelho e já se reconhece na imagem com vida própria”, afirma.

O modo dos pais criarem os herdeiros mudou. A mulher, no mundo contemporâneo, conquistou uma posição de equidade junto ao homem e ocupa uma função muito mais presente no mercado de trabalho em relação à décadas atrás. Com o dever profissional, surge o papel das babás, das professoras e das cuidadoras das creches, que também possuem grande responsabilidade nesta formação.

“Vivemos em uma época onde as mães não estão mais o tempo todo ao lado da criança. É comum vermos as mães deixarem os filhos na creche pela manhã e os buscarem ao final da tarde. É a nossa condição social de hoje. Com isso, vemos outras pessoas fazerem a função da mãe neste período, como as professoras”, aponta Brunel.

Porém, este fato não quer, necessariamente, indicar algo negativo. “Não dá para nós generalizarmos. A ausência da mãe nestes casos não é obrigatoriamente algo ruim. Sabemos que é a presença da mãe é importante, principalmente nos primeiros anos, durante o vínculo inicial. Mas, com o passar do tempo, a criança vai se tornando autônoma e independente, se relacionando com outras pessoas e criando a sua identidade individual”, destaca o psicólogo.

É consenso entre os profissionais de que a educação principal precisa vir de casa. Ensinar as boas maneiras e os bons hábitos é dever dos pais. Em contrapartida, a partir do momento em que a criança passa boa parte do seu dia na escola, as professoras também adquirem esse encargo. “Nem sempre, por vários motivos, a família tem condição de conduzir o melhor processo educativo e isto recai para a escola, principalmente aquelas que recebem os alunos em tempo integral”, ressalta. Nesta realidade também existem pontos positivos. “A criança, muitas vezes, gosta de ir à creche para brincar com os amiguinhos e ter acesso a um mundo diferente, ao invés de ficar sempre em casa”, informa Brunel.

Por isto, seja em casa, ou no ambiente escolar, o ideal é que a criança esteja inserida em um meio saudável para poder se desenvolver adequadamente.

 

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