Falta de capelas mortuárias gera descontentamento na Grande Próspera

Famílias têm que se deslocar ao cemitério municipal para realizar cerimônia do velório. Atualmente, somente dois espaços estão disponíveis à população que mora na localidade

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN

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Criciúma

Já imaginou ter que lidar com a perda de um ente querido e encontrar dificuldades para realizar o velório? Parece uma realidade distante, mas na Grande Próspera, em Criciúma, a falta de espaço para atender a demanda tem gerado descontentamento dos moradores, que precisam se deslocar ao cemitério municipal para realizar o momento da despedida. O caso mais recente, da dona Claudina Milioli Valvasori, figura estimada da região, motivou a Associação do Bairro Nossa Senhora da Salete a procurar uma solução.

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A idosa de 76 anos, que viu de perto o desenvolvimento e crescimento do bairro, veio a óbito no domingo, dia 4, vítima de câncer. Os familiares, então, foram em busca da capela mortuária para realizar o velório. “Fomos informados que estava sendo feito outro e que iríamos perder mais tempo por conta da higienização, pois se tratava de um caso de Covid-19. Então, lá no municipal (cemitério) estava desocupado”, explica o neto, Guilherme Valvasori Martins.

O que mais entristeceu a família foi o velório ter durado apenas duas horas e ser tão longe do local onde a senhora vivia. “O que sentimos, é que em todo esse translado, nós ficamos menos tempo com o corpo da minha avó, esse foi um grande problema que a gente viu. Além de toda a correria burocrática. A pior situação foi toda essa mobilização extra que a gente teve e a diminuição do tempo, muitas pessoas não conseguiram participar do momento”, acrescenta o neto.

O problema gera descontentamento, já que poderia ser resolvido com uma ampliação da área que atende toda a região da Grande Próspera. “Eu acho que está faltando uma questão, que é as autoridades verificarem essa situação com relação ao número de habitantes pela disponibilidade que tem de área útil na localidade para fazer esse procedimento. Realmente eu pensei que havia mais capelas, eu penso que deveria ter mais e também mostra uma certa desorganização, carência e descaso com as pessoas que precisam desse recurso. É uma situação extremamente chata”, ressalta Martins.

Caso não é isolado

De acordo com a presidente da associação, Andreia Zomer, esse não foi um caso isolado. Inúmeras famílias têm procurado a entidade em busca de alguma solução. “Hoje em dia, não se pode mais fazer os velórios nem em casas e nem em salões que contêm cozinhas. Nós temos um centro comunitário, mas não temos como abrir as portas, fica complicado”, explica.

Atualmente, apenas duas capelas mortuárias no cemitério do bairro Brasília atendem toda a região da Grande Próspera. Com a pandemia, a demanda aumentou expressivamente. “Pelo nosso conhecimento, isso tem acontecido com bastante frequência. Já levei essa pauta até a Prefeitura, já tinha falado com outros vereadores, mas tudo informalmente, agora, como aconteceu com um nome muito forte da nossa comunidade, foi uma pessoa que ajudou muito, eu resolvi tomar essa bandeira, tornar pública, para ver se a gente consegue ajuda para resolver o problema ali na região”, acrescenta a representante.

Além dos moradores da região, pessoas que também residem em outros locais e que tem capela na localidade, utilizam o espaço para velório. “É triste. É um momento que as famílias já estão destruídas, as pessoas querem resolver tudo o mais rápido possível para ter aquele momento de despedida, os últimos com o ente querido, e elas acabam enfrentando um beco sem saída. Eu acho que já é o pior momento da vida, lidar com a morte, e aí, quando se depara com isso, não ter um local apropriado, perto de casa, dos familiares, dos vizinhos, gera uma tristeza muito grande”, enfatiza Andreia.

Ampliação do espaço será ideal

Para a presidente da associação, a comunidade precisa de atenção do Poder Público, principalmente, para resolver esse problema.  “Eu acredito que o espaço para ampliar a gente tem e, se tem, podemos unir forças e resolver esse problema, porque é um problema que vai ter uma solução não só momentânea, mas vai resolver a demanda várias gerações daqui para frente. É algo que já foi empurrado muito com a barriga, eu acho que, particularmente, as capelas não têm uma boa estrutura, além disso, não ter esse espaço, é lamentável. Uma região tão grande como a Próspera precisa desse olhar, principalmente agora, em época de pandemia”, finaliza.

Diante do descontentamento levado a público, um requerimento foi apresentado pelo vereador Jefferson Monteiro (PSL), após solicitação da presidente do bairro, questionando o Poder Executivo Municipal sobre a possibilidade de aumentar o número de capelas mortuárias no cemitério do bairro Brasília.

Segundo o responsável pela empresa Carlos Eduardo Correa & CIA LTDA, administradora dos cemitérios em Criciúma, Emerson Locatelli, a demanda ainda não foi recebida com referência ao assunto. Ele ressalta, inclusive, que em todo o mês março foram realizados 25 sepultamentos, desses, apenas 15 famílias optaram por usar o espaço para a cerimônia.

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