Especial Nova Veneza: um dos destinos mais visados do Sul

Capital da Gastronomia Italiana encontrou no turismo a sua grande vocação. Pandemia trouxe prejuízos, mas o setor dá sinais de retomada

Foto: Ulisses Job/TN
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Gustavo Milioli

Nova Veneza 

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Nova Veneza recebe, anualmente, centenas de milhares de visitantes de diferentes regiões do Brasil que buscam conhecer um cantinho da Itália em solo brasileiro. As casas de pedra, construídas com a chegada dos colonizadores no final do século XIX e conservadas até os dias de hoje, o Museu do Imigrante, a gôndola doada pela cidade de Veneza, o Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio e, claro, a boa gastronomia, são os pontos que mais chamam a atenção.

Não por acaso, Nova Veneza recebeu o título de Capital Nacional da Gastronomia Típica Italiana, em lei sancionada pelo presidente da República em 14 de junho de 2018. São dezenas de restaurantes e café coloniais que, durante os finais de semana, servem aproximadamente cinco mil refeições aos visitantes. Os pratos são variados, porém o macarrão rústico, a polenta, os queijos, salames, carnes e galinhas ensopadas, aparecem como os alimentos que mais atiçam os paladares dos turistas.

Para organizar todos esses os empreendimentos que surgiram no município, em 2014 foi criada a Associação Neoveneziana de Turismo (Anet). O setor, um dos mais prejudicados pela pandemia do coronavírus, voltou a despontar nos últimos meses. “O ano passado foi um ano muito difícil para todos nós. Em dezembro, sentimos que estava tendo uma melhora, mas com aquela última paralisação em março, nos prejudicamos bastante. Depois que os restaurantes foram liberados novamente, em abril, o movimento começou a retomar”, explica Luana Bortolotto, presidente da Anet.

Nova Veneza tem pouco mais de 15 mil habitantes e não conta com uma grande capacidade hoteleira. Entretanto, o município aproveita a localização próxima a cidades maiores, com infraestrutura avantajada, para comportar os turistas. “Esse é um ponto positivo. Às vezes, com uma viagem de carro de uma ou duas horas, uma família consegue chegar aqui para passar um final de semana. Algo que ajuda muito o fato de os turistas virem para cá, é a razão de todos os restaurantes estarem respeitando os decretos e protocolos de segurança. Isso faz com que o turista se sinta seguro em estar aqui, nos nossos estabelecimentos”, comenta.

Os restaurantes, a cada domingo, estão registrando filas de espera. Mas isso não significa que o movimento já esteja igual ao de antes da pandemia. A oferta está reduzida. “A gente precisa lembrar que todos os estabelecimentos estão com um número menor de mesas. Existem restaurantes que estão com 10, com 15 mesas a menos. Imaginem o quanto que isso influencia na fila de espera. Antes a gente conseguia colocar 150 pessoas dentro de um estabelecimento, e hoje só 80”, esclarece Luana.

União de forças para driblar os efeitos da pandemia

A Anet contava, no início de 2020, com 19 associados. As dificuldades impostas pela pandemia ocasionaram em uma maior fraternidade entre os negócios locais, que perceberam que com todos caminhando lado a lado, maior seriam os ganhos. Hoje, o número de associados é de 30. “Uma das nossas bandeiras é o associativismo. É a união dos estabelecimentos, porque as pessoas que nos visitam nos finais de semana utilizam todos os estabelecimentos. Eles jantam em um, almoçam em outro, vão em ponto turístico, precisam de uma agência de turismo, precisam de um hotel”, destaca a presidente. A Anet engloba hotéis, bares, restaurantes, agências de turismo, cooperativas de produtos familiares, vinícolas, lojas de chocolate e lojas de perfumaria. “Compreende todo o trade turístico que chega aqui”, completa.

Otimismo

As últimas semanas têm enchido os olhos dos empreendedores locais, que já vislumbram o fim do período considerado como mais prejudicial ao turismo das últimas décadas. “Nossas expectativas estão positivas, agora estamos preocupados em reorganizar nossos serviços para atender a toda essa demanda reprimida com a qualidade que nós estamos acostumados a oferecer”, afirma Carolina Ghislandi, secretária de Turismo de Nova Veneza.

A preocupação com os cuidados para evitar-se o contágio do coronavírus continua. “Estamos realizando ações para demonstrar que, além de qualidade, oferecemos segurança no combate à pandemia. Queremos mostrar ao visitante que estamos resguardando a segurança dele, e que, apesar de todas as circunstâncias, não perdemos a qualidade dos nossos serviços”, acrescenta.

A secretária enfatizou que mesmo com as dificuldades, nenhum empreendedor neoveneziano precisou fechar as portas ao longo deste último ano. “Todos conseguiram conduzir com muito custo, com muito esforço, e resguardar seus empreendimentos para mantê-los abertos. Ficamos felizes com isso, porque mostra a solidez do setor”, afirma.

Plano de Turismo

A Secretaria de Turismo de Nova Veneza desenvolveu no fim do ano passado um Plano Municipal com 84 ações, divididos em cinco eixos, para guiar os projetos que visam desenvolver ainda mais a atividade turística na cidade. São ações nas áreas de gestão, sustentabilidade, promoção, serviços e infraestrutura.

“São projetos estruturantes que a gente vai conduzir nos próximos anos, para profissionalizar o turismo de Nova Veneza. A cidade precisa estar preparada para receber o turista a qualquer dia do ano. Isso implica em ter instrumentos públicos à disposição do turista, ter uma boa estrutura e profissionais capacitados. O município, junto com os empreendedores do setor, têm o desafio de otimizar os serviços, para que possamos atender o turista bem, em qualquer época”, detalha Carolina.

Essa é uma das prioridades da gestão atual, comandada pelo prefeito Rogério Frigo. “Já assinamos o contrato de elaboração do projeto executivo de sinalização turística, porque temos uma sinalização que precisa ser readequada, organizada. Desenvolvemos um projeto arquitetônico para levarmos o debate do trade para o centro de atendimento ao turista, e no segundo semestre iremos começar a planejar as atividades para o ano que vem, para a retomada do calendário do turismo”, informa a secretaria. “Entendemos que ainda precisamos evoluir, apesar de considerarmos nossa oferta atual como de qualidade”, encerra.

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