Especial Nova Veneza: dos retratos do passado, a saudade

Antes de se tornar a principal referência regional em turismo, há aproximadamente cinco décadas, Nova Veneza sequer tinha ruas pavimentadas

Foto: Ulisses Job/TN
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Gustavo Milioli

Nova Veneza

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Antônio Osvaldo Búrigo foi o terceiro prefeito de Nova Veneza, tendo iniciado o primeiro mandato em 1969. Administrar o município recém criado com parcos recursos não foi uma tarefa nada fácil. À época, não existia sequer uma rua pavimentada em território neoveneziano. O aposentado de 89 anos se orgulha de ter inaugurado a primeira, a qual ligava a cidade com a localidade de Rio Maina.

“A gente foi lutando. Conseguimos desenvolver o município, melhorando as estradas e pontes. Naquele tempo não tínhamos quase nada”, relembra Búrigo. Também foi ele quem inaugurou o atual prédio da Prefeitura, localizado anteriormente onde hoje se encontra o museu municipal, e construiu o primeiro ginásio de esportes.

O ex-político lembra com carinho de Jorge Bornhausen, então governador de Santa Catarina, que viabilizou a ligação asfáltica de Nova Veneza ao Rio Maina. “Agradeço muito a ele, foi um grande ponto de partida para nós”, externa. Nos idos da década de 70, talvez ele ainda não soubesse, porém ali dava-se início ao progresso desta que, mais tarde, se tornaria a principal referência em turismo da Região Carbonífera.

Búrigo recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores em 2017, ao lado de outros cinco ex-prefeitos, pelos grandiosos serviços prestados à Nova Veneza.

E como mudou…

Quem acompanhou de perto todas as transformações que a cidade passou ao longo das décadas não esconde o saudosismo. Irma Bortoluzzi Crevanzzi, de 92 anos, morou durante a vida inteira ao final da atual Rua Coberta, no centro. Ela é filha o imigrante Giuseppe Bortoluzzi, que veio da Itália ao lado de três irmãos no final do século XIX.

Irma conta que conseguiu aproveitar as belezas naturais de Nova Veneza. Ela lembra com ternura dos banhos refrescantes no Rio Mãe Luzia, quando a água ainda era cristalina. “Estragaram o rio todo. Podia ser um cartão postal, mas hoje ele está gemendo. Eu também gostava de andar a canoa lá. Enquanto a minha amiga remava, eu tocava gaita de boca. Pesquei muito junto com meu pai”, recorda. “Eu puxei muito meu pai, gostava de atirar, caçar, explorar o mato, andava por tudo. Agora não mais, por causa desse coronavírus”, relata.

O lugar onde a aposentada mora, atualmente é o ponto mais badalado de Nova Veneza. Nem sempre foi assim. Durante boa parte da sua jornada, a locomoção era por carros-de-boi onde, ao olhar para os lados, não existia nada além de área verde. “Os porcos vinham da Serra para o nosso frigorífico. Hoje em dia tudo é comprado e envenenado. Porque se tu não usar um negócio na verdura, a verdura não vem”, aponta. “Mas a gente vai se acostumando”, afirma.

A modernidade não a fez perder o encanto que sente pela sua terra. “Nova Veneza para mim é um presépio. Tem casinhas misturadas no meio do mato. Quase não se encontra prédios. Eu não gosto de lugares que tenham prédios, prefiro casas baixas”, expõe.

O marido de Irma era proprietário de uma serralheria em Bom Jardim da Serra e vivia viajando. A família conta que ele foi a primeira pessoa que desceu de caminhão a antiga Serra do Doze, agora conhecida mundialmente como Serra do Rio do Rastro, no momento em que a estrada ainda não estava concluída. O casal teve dois filhos. Um ainda mora ao lado da mãe. A outra vive em Florianópolis, em um apartamento do oitavo andar. “Lá eu não fico, senão eu enlouqueço”, graceja Irma.

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