Especial Morro da Fumaça: as construções que embelezam a cidade

Várias casas antigas, com arquitetura das décadas de 30, 40 e 50, são mantidas em Morro da Fumaça. Um dos destaques é a casa do primeiro prefeito: Auzílio Frasson

Ricardo, neto de Auzílio, conta as histórias da tradicional residência fumacense
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A história de Morro da Fumaça pode ser revisitada através de casarões antigos que se mantêm na cidade. Uma das mais importantes é a antiga residência de Auzílio Frasson – o primeiro prefeito do município. As histórias são relembradas pelo neto Ricardo Savaris, o Baiuca. “Essa casa tem muita história. Ela foi construída em 1950 e foi sede do primeiro Correio de Morro da Fumaça por um bom tempo. O cidadão que era funcionário dos Correios se chamava Pedro Frasson”, comenta – fazendo alusão ao bisavô dele.

Os dois filhos de Pedro moravam na casa – um deles era Auzílio. “A filha que morava lá, morreu. Então, meu bisavô acabou doando a casa e encerrando as atividades do Correio. Nisso em 1962, meu avô foi nomeado prefeito e já trabalhava como relojoeiro e joalheiro – sendo considerado um dos melhores, mais sérios e mais competentes do Sul de Santa Catarina”, conta Ricardo. “Tenho fotos de deputados e governadores vindo buscar mercadoria feita por ele”, completa.

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A casa onde morava Auzílio é um sobrado e, depois da morte dele, em 2002, uma história curiosa tomou conta de Morro da Fumaça. “Os sobrados tem uma entrada de ar embaixo da casa: ali é feito o alicerce e fica cheio de furo para o ar circular. Como o assoalho é de madeira, para não apodrecer e criar umidade, têm esses furinhos. Como meu avô era relojoeiro e ourives, todos diziam que ele escondia o ouro embaixo da casa, naqueles furos, e só ele sabia onde estava. Quando ele faleceu, em 2002, muitos curiosos pegavam ganchos e puxavam e a única coisa que vinha era sujeira. Não tinha nada de ouro”, comenta. Entretanto, por ser um “segredo de família”, Ricardo não afirma, com 100% de certeza, que não havia ouro na casa. “Não sei. Assunto familiar. Alguém achou primeiro”, despista.

A primeira televisão da cidade

Foi na casa onde morava Auzílio Frasson que Morro da Fumaça teve contato com o primeiro aparelho de televisão. “Meu avô tinha um senso tecnológico, uma visão futurista muito grande. Morro da Fumaça não possuía energia, era tudo através de querosene. Porém, em 1965, a primeira televisão da cidade, quem teve foi ele”, pontua Ricardo.

Buracos que servem de ventilação para a residência despertaram curiosidades nos moradores antigos

O neto do primeiro prefeito nasceu em 1979, mas sabe detalhes do que acontecia na casa. “Nessa época passava uma novela chamada Direito de Nascer e tinha, logo a seguir, o noticiário da TV Piratini, do Rio Grande do Sul. As pessoas vinham da vizinhança e ficavam ‘empuleiradas’ nas janelas para verem a novela e o noticiário. Reunia umas 30 ou 40 pessoas de várias famílias. Era uma atração”, comenta.

Logo em seguida, foi a vez do primeiro prefeito eleito, Jorge Silva, também comprar uma televisão. “Oprefeito Jorge Silva, que foi quem indicou meu avô para ser prefeito nomeado – isso em função da forma como ele era postado na sociedade, uma pessoa séria e correta –  acompanhou os programas e comprou a segunda televisão de Morro da Fumaça. A primeira tevê da cidade e o primeiro rádio amador – ‘PX’ – foram do meu avô”, orgulha-se Ricardo.

Construções podem ser tombadas pelo município

Como forma de preservação da história de Morro da Fumaça, a Administração Municipal cogita tombar as casas e transformá-las em patrimônio da cidade. Um projeto sobre o assunto começará a ser discutido. “A gente conversou sobre isso. As ideias são de tombamento. Tem um casarão que, antes do calçamento, estava construído. São poucas casas que ficaram preservadas pela forma que foram construídas, pela arquitetura”, comenta a Diretora do Departamento de Cultura e Turismo de Morro da Fumaça, Rosângela Pagnan Maragno, a Danda.

 Ela garante que a Administração tem interesse em fazer os tombamentos. Além disso, há a busca por um espaço para fazer a Casa de Cultura de Morro da Fumaça.  “Estamos vendo a legalidade das coisas e como podemos chegar até lá. O prefeito tem intenção de olhar com muito carinho nessa direção. Tem a casa do prefeito Jorge Silva, que está intacta, da maneira como ela foi construída – não seria lá (a Casa de Cultura), mas em alguma outra semelhante”, pontua.

Esta a caminho também a criação do Plano Municipal de Cultura e, junto com ele, será criado o Conselho Municipal de Cultura. “Estamos também nos reunindo para discutir o Plano Municipal de Cultura. A Administração e a Sociedade Civil vão conversar sobre isso. Aqui na cidade ainda não está nada legalizado. Hoje, a cidade já aderiu ao Sistema Nacional da Cultura e se comprometeu a elaborar, institucionalizar e implementar o Plano Municipal de Cultura. Queremos formar também o Conselho de Cultura”, finaliza.

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