Especial Morro da Fumaça: a colonização iniciou por Estação Cocal

Uma das bases de Morro da Fumaça, local completa 117 anos em 2021 e nasceu em volta da estação ferroviária

A cidade completa 59 anos hoje. Porém, neste ano, o distrito comemora mais de um século
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Tiago Monte/ Morro da Fumaça

A cidade completa 59 anos hoje. Porém, neste ano, o distrito de Estação Cocal comemora 117 anos. O território, que dá base para Morro da Fumaça, nasceu em volta da própria estação ferroviária, por isso originou-se o nome. A localidade surge por volta do ano de 1904, data que fica exposta em uma placa em frente à igreja Santa Catarina. “Pelo trem, eram transportados os produtos dos colonos como farinha de mandioca e pedaços de porco. Tudo isso ia nos vagões. Chegava tudo isso até Laguna”, explica José Hugo de Rochi, o Tacuia, de 59 anos e um dos moradores mais antigos da região.

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A família de Tacuia é uma das mais tradicionais de Estação Cocal. “Eu nasci e me criei aqui. Por sinal, bem do lado da primeira Igreja Católica. Quem doou o terreno para a igreja, salão da igreja e cemitério foi o meu avô”, explica o morador. Ele lembra dos primórdios do distrito, ainda na infância. “Naquela época, a escola ficava perto da igreja velha, bem ao lado da minha casa, e era bem pequena. Então, nós estudávamos ali naquele espaço reduzido. Depois, veio o colégio: Escola Básica Vitório Búrigo – para isso foi doado um pedaço de terreno, também pelo meu avô, ao lado da igreja, e construíram a escola nova que tem até hoje”, comenta o morador.

O primeiro morador da localidade foi Santo Zaccaron. Posteriormente chegaram as famílias De Rochi, Soratto, Pagnan, Maragno, entre outras, que até a atualidade estão presentes no distrito e contribuíram para o desenvolvimento local. “Daquela época, continua a dona Mariquinha e o seu Otavio Soratto, com 101 anos, mas a maioria já morreu. Praticamente todos. Vão ficando as famílias, se mantém a tradição com as gerações mais novas”, destaca Tacuia.

O aumento do trânsito no local

Com o passar do tempo a popularização dos automóveis, além da construção de grandes estradas, o local passou a ser mais movimentado. O antigo morador lembra de como era o ritmo de vida antigo e compara com o atual. “Sempre moramos aqui no distrito. Hoje, eu moro um pouco mais para baixo, mas ainda no Distrito de Estação Cocal. Há 50 anos, era uma comunidade tranquila, pacata, calma. Hoje, não: a rodovia passa bem no meio, vai e volta, o trem também corta o meio do distrito. Então, é meio complicado, mas a gente vai encarando”, pontua.

A passagem da rodovia SC-445 por Estação Cocal fez o movimento aumentar muito, conforme Tacuia. “O trânsito hoje é dia e noite. Há um tempo, chegava no início da noite e já era tudo silêncio. Hoje, não: o movimento é muito forte. A rodovia 445 passa aqui e é o trecho mais curto da Serra ao Litoral. Então, o movimento é sempre grande porque sai na BR-101”, diz.

Lembranças estão vivas na memória

As lembranças do passado de Estação Cocal seguem vivas na memória do antigo morador. “Ainda tem bastante gente e casas. Bem no Centro tem algumas construções de época, como a da minha família. Foi uma das primeiras casas construídas em Estação Cocal. Tem a vinícola Lagrimas Tristes que está aí até hoje, bem conservada, tudo isso continua”, diz.

Tacuia lembra de como era a vida, em Estação Cocal, nas décadas passadas. “Antigamente, a vida era mais difícil. Principalmente agora, nessa época de frio, nós andávamos de pés descalços, em cima da geada. Então, era bastante difícil a situação, não tem as regalias que tem hoje em dia. Faz bastante frio aqui e uma vez trabalhava todo mundo na roça, na agricultura. Depois, veio o trem, com a estrada de ferro, e as olarias. A partir daí veio a evolução”, lembra.

Livro pode ter uma segunda edição

Em 2004, Tacuia e mais três escritores lançaram um livro contando os 100 anos de história de Estação Cocal. Conforme o morador, um segundo volume pode ser lançado em breve. “Em 2004, nós lançamos um livro sobre os 100 anos de Estação Cocal. Eu, o Rafael (Sorato), que morreu muito jovem, de câncer, Agenir (Donato Zaccaron) e o Rangel (de Rochi) escrevemos o livro sobre a história local. Nós temos ainda material para fazer outro. É muita história. Eu e o Rangel estamos conversando para ver se sai o próximo”, finaliza.

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