Dia do Trabalhador reforça a importância da valorização profissional

Colaboradores se desdobram diuturnamente para garantir o sustento da família. Qualificação e experiência são consideradas como grandes diferenciais no mercado de trabalho

Foto: Guiherme Cordeiro/ TN
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Criciúma

Varrer as ruas, salvar vidas, escrever livros, apagar incêndios, plantar e colher, vender, cozinhar, cortar cabelos, pintar telas, ensinar, vender, programar, cantar… Essas são só algumas, das milhares de atividades que os seres humanos realizam e que só existem, exclusivamente, pela força e dedicação dos trabalhadores. E é pensando na valorização desses profissionais que neste sábado, dia 1º, comemora-se a importância das suas funções na sociedade.

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A exemplo de inúmeros trabalhadores que se desdobram diuturnamente em busca de uma renda extra, Matheus Pretto, há oito anos, divide a rotina entre dois empregos, um em horário comercial e, o outro, à noite. Mas, o que chama atenção nesta história são as áreas em que o trabalhador atua: uma como vendedor de autopeças, outra como assador de carnes. Para muitos, é difícil achar uma relação entre as duas funções exercidas, mas, para ele, há mais semelhanças do que diferenças.

“Os dois envolvem conhecimento, tanto na área da culinária como da indústria de autopeças, é necessário. Tem que estudar, não é só chegar e trabalhar. Se tu tens sonhos e quer realizar, tem que ter conhecimento”, explica Pretto. “Essa união surgiu em outro serviço que eu trabalhava à noite, como motoboy e, nas horas vagas, às terças-feiras, eu fazia churrasco para uma turma de amigos. Só que nisso eu fui pegando o gosto e comecei a me descobrir e gostar de fazer churrasco e, como já vem de família, porque meu pai gosta, surgiu o interesse em aprender”, completa.

Na Scherer, indústria de autopeças, em Içara, o trabalho do profissional é dedicado à venda através de telemarketing. Pretto conta que nesta área atua há mais de 12 anos, mas na empresa foi contratado recentemente. “Entrei no ramo sem conhecer nada, fiquei um ano aprendendo no estoque, surgiu uma oportunidade para ser vendedor, entrei com engajamento e me descobri com facilidade. Eu gosto do que eu faço, tenho conhecimento nisso e propriedade no que eu falo porque estudo. Como dizem, não precisa fazer faculdade para ser vendedor, precisa ter vontade de conhecer os produtos e fazer os cursos da indústria que estão sempre disponíveis para fazer”, pontua.

Pretto é um exemplo, entre tantos outros trabalhadores que se dedicam à correria de dois empregos. “No meu caso, surgiu por duas necessidades. Primeiramente, o que eu ganho fixo, eu não mexo. O que eu ganho extra, eu me dou o luxo de, às vezes, comer uma carne melhor ou comprar uma roupa que tenho desejo”, enfatiza. Mas, outro motivo também tem peso nessa trajetória. “Eu sou hiperativo, não consigo ficar em casa, então, para mim, é satisfação”, acrescenta.

Como assador de carnes, o profissional atua na JP Boutique de Carnes, em Criciúma. “No churrasco, eu me descobri. Sou apaixonado pelo o que faço”, enfatiza. “Querendo ou não, o churrasco não é só fazer churrasco, é uma arte culinária, tem pratos que são um processo, não é só espetar a carne, colocar carvão no fogo e esperar a mágica, não. Existem técnicas e, para estudar as técnicas, tem que aprender. Aí tem as videoaulas, eu sempre busco estudar”, complementa.

O profissional considera que estudar é uma das principais ferramentas para o sucesso nos dois trabalhos. “Na Scherer, por exemplo, assim como em outras empresas, as fábricas disponibilizam cursos, tanto teóricos como técnicos. O técnico é bom porque a gente aprende para explicar para o cliente, falar com propriedade sobre aquilo que vai ser vendido, já o teórico, é mais para aprender como é a função do item, ter esse conhecimento”, comenta Pretto.

A realização e paixão pelos trabalhos é o que motiva Matheus Pretto a seguir nas duas funções, sobretudo com as suas especificidades. “Hoje, se eu fosse sair da minha carreira para novos desafios, não daria certo, eu não me vejo nessa situação. Tanto como vendedor como assador de carnes, eu aprendi e amo o que faço, é prazeroso”, pontua. “Tudo que a gente faz, tem que ser por amor, não por obrigação. Ganhar dinheiro é bom, mas além disso, temos que fazer com prazer. Não é só chegar e trabalhar em dois serviços, ganhar dinheiro, e ser insatisfeito com aquilo que está fazendo. Se a necessidade da pessoa faz ela trabalhar em dois turnos, que ela faça o que gosta”, finaliza.

Pandemia exige mudanças

A pandemia impactou a economia de diversos setores, gerou demissões e índices de desempregos. Mas, também, proporcionou que muitos profissionais se reinventassem e buscassem através das dificuldades, novas oportunidades de garantir o sustento. “As pessoas que estavam empregadas e as atividades do mercado de trabalho também tiveram que se reinventar, por exemplo, o home office é uma prova disso. A familiaridade com métodos relacionados à tecnologia, reuniões e aulas online, todos precisaram aprender ou melhorar as habilidades em relação a isso”, explica o economista e professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Thiago Fabris.

Mas, há problema que permeia durante muitos anos, antes mesmo da pandemia, a falta de profissionais no mercado de trabalho: a qualificação profissional. “Hoje, existem várias vagas que as empresas não conseguem contratar por esse motivo, isso a gente também observa. As pessoas precisam se qualificar para assumir esses postos. Há vagas para todos os perfis, mas cada vez mais, o nível de exigência é maior”, acrescenta Fabris.

Em contrapartida, a experiência também conta muito para que os profissionais sejam contratados no mercado de trabalho. “As empresas procuram por quem tem resultado, essa pessoa pode não ter currículo, mas há resultado. Mas o currículo é uma sinalização, os cursos acadêmicos que foram feitos de pós-graduação, mestrado, doutorado e graduação, são sinalizações da qualificação que a pessoa possui”, comenta o professor.

A qualificação é uma demonstração de interesse, portanto, é considerada como um diferencial no mercado de trabalho. “Isso sinaliza a vontade que a pessoa tem que crescer profissionalmente e culturamente e também mostra o interesse que esse trabalhador tem de estar subindo na sua carreira e vida profissional”, finaliza Fabris.

 

 

 

 

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