Dia do Motorista: amor pela profissão e desafios enfrentados diariamente

Neste domingo, dia 25, é comemorado o Dia do Motorista

Marcelo Fernandes é motorista de aplicativo. Divulgação Arquivo Pessoal
- PUBLICIDADE -

 

Érik Borges

- PUBLICIDADE -

Criciúma

Neste domingo, dia 25, é comemorado o Dia do Motorista. Profissão esta que passou por transformações e adaptações nos últimos anos. As mudanças aconteceram principalmente com o advento dos aplicativos de transporte e viagem, como Uber, 99 Táxi e similares, que na maioria dos casos são motoristas autônomos.

E ser motorista de aplicativo em um país em que a gasolina está com preço nas alturas, risco iminente de assaltos, estradas esburacadas e margens de lucro que não passam por reajuste há sete anos são ingredientes que deixam o cenário ainda mais complexo.

Mas, apesar das dificuldades, essa profissão conta com muitos trabalhadores que amam essa função. Exercendo a profissão há dois anos, Marcelo Fernandes já passou por situações inusitadas, mas que ilustram a importância para o dia a dia das pessoas.

Ele já conseguiu ganhar de R$ 35 a R$ 45 por hora antes da pandemia. Por conta dos eventos festivos, onde a demanda aumentava bastante. Porém, já teve que praticamente prestar socorro, como no caso de levar uma criança às pressas para o hospital quando a mãe da criança não tinha dinheiro para pagar a viagem.

“Isso já aconteceu. Muitos não levavam porque ela, pelo chat, falava que estava sem dinheiro, mas precisava levar o filho urgentemente para o hospital com muita febre”, lembra. Segundo ele, a alegria do motorista se dá quando o passageiro reconhece o trabalho e, no fim da corrida, dá cinco estrelas.

Falta de reajuste

Um motorista de aplicativo ganha, em média, de R$ 15 a R$ 25 por hora. O aplicativo mais popular, por exemplo, retém uma média de 25% do faturamento do motorista por corrida. Porém, a perspectiva para o futuro preocupa. Isso porque, de acordo com Moisés Fernandes, os tradicionais aplicativos não reajustam os valores há sete anos, gerando uma defasagem.

“Nossos insumos que são gasolina, pneus, óleo aumentam os preços semanalmente. Muitos motoristas que vocês veem na rua sorrindo e sendo gentis com os passageiros, estão com suas contas atrasadas. Mas, mesmo assim saem das suas casas, muitas vezes durante uma madrugada fria para os clientes poderem usufruir do serviço”, lembra Moisés Fernandes.

Serviço prestado à sociedade

Gostar de dirigir é um requisito fundamental para conseguir desempenhar a função com qualidade. Como é o caso Marcelo Fernandes, motorista de aplicativo de 35 anos, morador de Criciúma. “Eu gosto muito de dirigir. Às vezes a minha carga horária chega a durar 16 horas, para tentar suprir as necessidades que a vida nos traz. Mas eu sempre gostei de trabalhar com o público e gosto muito de dirigir. Gosto bastante do que eu faço e essa é uma profissão muito importante para proporcionar locomoção e comodidade às pessoas”, afirma Marcelo Fernandes.

Ele iniciou na profissão há 2 anos e seis meses. Marcelo trabalhava com carteira assinada na função de vendedor comercial e aliava o trabalho com o aplicativo como uma renda extra. Mas com o início da pandemia, Marcelo foi demitido e permaneceu trabalhando como motorista de aplicativo, tendo isso com a única renda.

“A gente não tem aquele ganho que gostaria de ter. Por exemplo: a gente ganha R$ 4,50 para percorrer três quilômetros. Sem contar o deslocamento até chegar ao passageiro. Porque se anda dois quilômetros até buscar a pessoa, e o trajeto do passageiro é de dois quilômetros e meio, eu ganho R$ 4,50 pra andar quase cinco quilômetros. Então não dá nem R$ 1 por quilometro rodado”, revela Marcelo Fernandes.

“Você sai para trabalhar, mas não sabe se vai voltar”

O motorista de aplicativo tem uma fração de segundos para avaliar a segurança de cada corrida. Isso porque, vários fatores devem ser levados em consideração para manter um certo nível de segurança durante o trabalho. “Não se pode levar só em consideração se a corrida é boa, financeiramente falando. Mas temos que ver o ponto de partida, o de desembarque, se a pessoa está nervosa, se ela te passa segurança ou não. Principalmente quando chamam para terceiros. Você sai para trabalhar, mas não sabe se vai voltar”, pontua Fernandes.

Novas praças de pedágio

Além da alta constante dos combustíveis, outro fator regional que contribui para dificultar o trabalho dos motoristas é a presença das praças de pedágio, recentemente implementadas na BR-101, no trecho Sul.  “Nos dias de hoje está ficando inviável trabalhar devido à alta dos combustíveis e a abertura de novas praças de pedágio. A nossa expectativa é de que todas as tarifas sejam mais justas”, diz Jorge Carlos Borges Boeno (56 anos), que é motorista há três anos e cinco meses.

Ele acrescenta que para manter um veículo todo revisado e fazer um trabalho exemplar, o custo é alto. “Infelizmente hoje, não por nossa vontade, mas por necessidade temos que cancelar algumas corridas com longa distância de deslocamento devido aos custos”, acrescenta Boeno.

Outro desafio enfrentado se dá no trânsito, com a preocupação de não se envolver em algum acidente. “Algumas ruas e avenidas já não suportam o alto número de veículos principalmente nos horários de pico”, afirma Boeno.

Inovação

Thiago Albino é ex-motorista de aplicativo e resolveu criar uma plataforma própria para trazer mais segurança aos motoristas, além de possibilitar melhor os motoristas.

“A principal reclamação dos motoristas na época era em relação à alta taxa de repasse ao aplicativo e a baixa segurança que ambos ofereciam aos motoristas. Com isso, criei um aplicativo que traz a ideia de atuação em que valoriza o motorista, o remunerando melhor do que qualquer outro aplicativo, além de oferecer mais segurança, com a confirmação de todos os dados do passageiro junto à receita federal com o objetivo de coibir cadastros falsos”, explica Albino.

Após isso, o aplicativo passou a operar mais com demanda vinda do setor corporativo (prefeituras e empresas), que fizeram com que os passageiros fossem fiéis à plataforma, garantindo, com isso, uma relação mais tranquila entre motoristas e passageiros.

“Atualmente, na região atuamos atendendo várias empresas e atuamos também em algumas Prefeituras, prestando um serviço de qualidade ao contratante e ofertando uma demanda tranquila ao motorista”, finaliza Albino.

A data

No Brasil, essa data é prevista no Decreto Federal Nº 63.461, de 21 de outubro de 1968. O Dia do Motorista, comemorado em 25 de julho, também é o Dia de São Cristóvão, santo católico considerado o padroeiro dos motoristas no Brasil. Cristóvão significa “aquele que carrega Cristo”.

A história conta que Cristóvão trabalhou por um bom tempo transportando pessoas nas costas para que pudessem atravessar um rio.

Certa vez, ele colocou um menino nas costas e, a cada passo que dava, o seu peso ia aumentando. Então, disse: “Parece que estou carregando o mundo nas costas”. O menino respondeu: “Tiveste às costas mais que o mundo inteiro. Transportaste o criador de todas as coisas. Sou Jesus, aquele a quem serves”. Desde então, passou a ser conhecido como protetor e padroeiro dos viajantes e motoristas.

Jorge Carlos Borges Boeno (56 anos), é motorista há três anos e cinco meses. Divulgação Arquivo Pessoal
-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.