Cuidado e inclusão marcam o Dia da Conscientização do Autismo

Em Içara, uma academia exclusiva para alunos com o transtorno é referência no Brasil

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Içara

Ela é uma síndrome conhecida por comprometer a capacidade de comunicação, aprendizado, interação social e, na maioria das vezes, é diagnosticada durante os cinco primeiros anos de vida. Estima-se que uma em cada 160 crianças tenham Transtorno do Espectro Autista (TEA), que tende, ainda, a persistir durante toda a adolescência e fase adulta. E é com o objetivo de alertar sobre a conscientização do autismo que nesta sexta-feira, dia 2 de abril, o mundo todo debate a inclusão e promoção de campanhas que envolvem a condição.

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Muitos autistas necessitam de uma atenção especial, cuidadosa e inclusiva. É com base nisso que o professor de educação física, Rodrigo Brunel Alves, tem feito a diferença na vida desses pacientes. “Eu atendo crianças com idades a partir de um ano e nove meses, até adolescentes e adultos com 21 anos. Os atendimentos que eu faço são de forma presencial, aqui em Içara, na minha academia, e também realizo em todo o Brasil remotamente. Ano passado, devido à pandemia, eu acabei expandindo um pouco mais o meu trabalho de maneira online, onde eu atingi a marca de 837 alunos autistas atendidos de forma particular, hoje está na faixa de 950”, explica.

Atualmente, de forma presencial, 79 alunos autistas de toda a região recebem atendimento exclusivo na academia, desses, 49 são atendidos de forma gratuita. “Eu fiz uma seleção daqueles que tem uma condição financeira mais baixa, que não conseguem ter um tratamento específico, então hoje recebo alunos de Tubarão até Meleiro, nesse percurso todo. Essas crianças recebem atendimentos de forma presencial e têm direito a duas aulas por semana. Esse projeto tem duração de um ano, estamos concluindo agora o terceiro mês”, acrescenta o professor de educação física.

As atividades desenvolvidas na academia são exclusivas para pessoas autistas e envolvem toda a parte de coordenação motora ampla, fina, equilíbrio e concentração, com foco em desenvolver a questão de mobilidade, interação social, pré-esportivas, funcionais de forma geral e, também, brincadeiras lúdicas para os menores.

Propósito desde a faculdade

Abrir uma academia exclusiva para atendimento infantil já era um sonho desde a faculdade. Mas, com as dificuldades no caminho, a prioridade, por algum tempo, acabou tornando-se outra. “Esse era o meu propósito, mas naquele momento não era realidade. Comecei aos poucos, trabalhando com os públicos em geral”, enfatiza Brunel.

Com o tempo, o projeto voltou à vida do professor. “Eu vi que estava crescendo essa demanda de alunos autistas e pensei: está aí um nicho bem legal. Eu tenho esse amor em ter domínio de trabalhar com crianças em si, já era um propósito meu, que eu vinha trabalhando e lapidando. Apareceu um aluno autista e eu pensei, esse é o foco e onde eu quero chegar, uma academia para crianças, mas não uma academia qualquer, e sim, para crianças que precisam de um atendimento exclusivo e específico. Foi a partir daí que foram aparecendo autistas e mais autistas”, completa.

Desde o ano passado, o professor desenvolve atividades online para alunos autistas de todo o Brasil. “Quando começou a pandemia, aumentou mais a demanda dos meus alunos de forma presencial e eu comecei a expandir mais na internet, foi muito legal e desafiador, estou conseguido muitos resultados”, comenta. “Oferto de maneira online para pais de autistas e profissionais que estão querendo inserir carreira nessa área e também alguns trabalhos de mentoria e consultoria, que é um conteúdo específico para cada família”, finaliza.

A academia Rodrigo Brunel, exclusiva para alunos com autismo, fica localizada na Rua Vitória, área central do município de Içara.

Resiliência além do diagnóstico

Elisângela Aparecida Ramos é graduada em Pedagogia, Artes Visuais e é especialista em Educação Especial, especificamente na área do autismo. Dentro das vivências no ensino básico, sempre acreditou que pudesse fazer a diferença, principalmente como educadora.

“Não existe uma “receita” para ensinar crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Hoje, nós professores, sabemos que mesmo que dois sujeitos apresentam o mesmo diagnóstico, eles podem reagir de modos diferentes a uma mesma proposta pedagógica. Por isso, o que funciona para um estudante com autismo pode não funcionar para o outro”, enfatiza.

Para a educadora, o professor não precisa ser especialista no transtorno, porque o recomendado é conhecer todos os alunos de forma individual, a fim de possibilitar um aprendizado direcionado a cada um. “Mais do que um conhecimento específico, a inclusão dessas crianças e adolescentes requer uma mudança no modo como a escola pensa e faz educação”, finaliza Elisângela.

 

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