Criciúma: Um alerta para a conduta dos jovens

Crime bárbaro, que aconteceu em Saudades, na terça-feira, liga o alerta para os pais em relação ao comportamento dos adolescentes

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Tiago Monte

Criciúma

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A barbárie que chocou o país, na terça-feira, quando três crianças e duas professoras foram mortas por um jovem de 18 anos, ligou o alerta, em pais e responsáveis para os comportamentos dos adolescentes. O assassino apresenta indícios de esquizofrenia, apesar disso, trabalhava e tinha um comportamento recluso. Essas, inclusive, podem ser características de algum distúrbio psicológico. “Na verdade, o jovem é investigado em alguns fatores. Hoje em dia, se os pais prestarem bem atenção, até mesmo o olhar diz algo. Estávamos conversando, entre alguns psicólogos, sobre o quanto o olhar daquele rapaz já dizia algo. Era um olhar vazio. Dava para ver que ele tinha algum problema psiquiátrico”, indica o psicólogo Alexsandro Honório.

Por outro lado, o profissional indica que é difícil traçar um perfil mais propenso a cometer alguma atrocidade. “É difícil traçar um perfil, porque nós, como terapeutas, precisamos estudar a história do cliente, entender como é formatada a personalidade, o que essa pessoa passou durante a história de vida e entender o que houve. Então, fica um pouco difícil dar um juízo de valor sem entender a situação”, comenta.

Alexsandro reforça a ideia de que o criminoso tenha um transtorno esquizofrênico. “Da para levantar algumas hipóteses. Em princípio, esse jovem é provável que tenha algum transtorno esquizofrênico. Pelo fato que ocorreu: assassinato com crianças e professores, parece que ele estava em um surto. Um ato bárbaro”, pontua.

Prazer em ver o sofrimento alheio

Outro ponto que pode ser levado em consideração, na hora de traçar um possível perfil de agressor, é um prazer da pessoa em ver o sofrimento alheio. “Essa questão de sentir prazer no sofrimento do outro, infelizmente, a gente recebe em relatos dos pais. ‘Parece que ele se sente bem quando me vê mal’ é o que eles dizem. Alguns relatos assim chamam a atenção. Pode ser o que os pais sentem ou uma distorção na vida deles, mas vai chamando a atenção”, enfatiza a psicóloga Erica Ramos Teixeira.

O jovem que cometeu o crime em Saudades teria sofrido bullying na escola. O fato não é comprovado, mas pode ajudar a explicar o comportamento. “Por que ele sente necessidade dessa dor? Ou um isolamento exagerado? As crianças que sofrem bullying, normalmente se isolam, não tem voz. Quando ela descobre a força que ela tem, vem com uma agressividade muito forte”, ressalta a profissional.

Erica, porém, trata com cuidado do tema, sem emitir um olhar de julgamento sobre o caso do Oeste do Estado. “ ‘O fulaninho é mau, errado ou culpado de tudo’. Muitas vezes, ele, enquanto criança, mostrou que tinha algo inadequado, errado. Talvez não com ele, mas socialmente falando, na conduta de quem está ao redor. A criança é o sintoma e ela cresce, cria força e desenvolve alguns comportamentos e ações que podem chegar nesse momento”, comenta.

Alexsandro corrobora com o conceito da colega de profissão e destaca a atenção necessária aos pais de adolescentes e jovens. “Muitos pais que não entendem os transtornos, que acham que é ‘frescura’ e que o jovem é preguiçoso ou algo assim. Tratam o jovem com indiferença e criam situações bem difíceis. O ambiente em que esse jovem (de Saudades) cresceu pode ter sido acompanhado por bullying na escola e agressividade. Até mesmo, esse menino pode ter passado por trauma em creche com professores ou outras crianças. Desta forma, ele cresce com uma personalidade agressiva e explodiu uma crise psiquiátrica”, ressalta.

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