Criciúma: Banco de leite opera com estoque abaixo do ideal

Número reduzido de doadoras traz alerta, já que muitos bebês dependem do alimento para terem um desenvolvimento saudável enquanto estão hospitalizados

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN

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Criciúma

Prestes a completar dois anos de fundação, o Banco de Leite de Criciúma, localizado no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (HIMSC), opera com o estoque abaixo do ideal. A situação gera alerta da equipe que atua na unidade, tendo em vista que muitos recém-nascidos dependem do alimento para garantir um desenvolvimento saudável enquanto estão hospitalizados. Atualmente, 27 mulheres lactantes são doadoras, sendo que 15 residem na Capital do Carvão.

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“No começo do mês tínhamos 30 doadoras, agora, na semana passada, fomos contabilizar e temos 27. É pouco. Nós precisaríamos de uns 70 litros ao mês e 50 mulheres doadoras para suprir a demanda de todo o hospital, no caso, dos bebês que estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI)”, explica a enfermeira do Banco de Leite Dr. Dino Gorini, Hariele Teixeira Barcelos.

A técnica em enfermagem do Banco de Leite, Ana Carolina Colombo, é responsável por controlar o estoque do alimento. “Quando está baixo, nós conversamos com os médicos da UTI, porque neste caso, somente os prematuros extremos recebem o leite pasteurizado, senão eles acabam trocando pela fórmula para não zerar totalmente o estoque e as crianças ficarem com deficiência”, acrescenta Hariele.

Os prematuros considerados casos extremos são os bebês com menos de 900 gramas. ”O leite materno é rico em nutrientes e proteínas. Por isso, auxilia no rápido desenvolvimento destas crianças. Tem estudos que mostram que o desenvolvimento é muito maior para um bebê que toma leite materno do que a fórmula. Sem contar que, às vezes, a fórmula pode agredir o intestino e acabar evoluindo para uma doença gastrointestinal”, acrescenta a enfermeira.

Embora o número de captações de leite materno seja abaixo do ideal para suprir toda a demanda, ainda assim, não há risco do banco ser fechado. Isso porque, a quantidade disponível, em média, permanece a mesma desde o início das atividades, em 2019. “A gente sempre veio nessa linha, dois anos assim. O que mais traz alerta é a baixa atenção da população. Muitas pessoas não têm essa conscientização. Existem até mesmo médicos pediatras que pedem para as mamães doadoras, que já têm o bebê com peso ideal, para não doar mais”, frisa Hariane.

De acordo com a técnica de enfermagem, 99% das doadoras de leite materno são oriundas do pré-natal particular. “É mais um tabu na nossa sociedade, ter que explicar para a mãe que quando ela está doando leite, não está deixando de dar para o bebê dela, e sim, que ela vai conseguir suprir e auxiliar”, comenta. “A gente precisa falar para as mulheres para que elas consigam entender que o nosso leite não é um estoque, é uma máquina de produção. Quanto mais a gente estimular, mais vamos produzir”, completa Ana Carolina.

Para quem tiver interesse em ser uma doadora de leite humano, o contato pode ser realizado através do (48) 3445-8780 ou pelo WhatsApp 93300-4083. “É feito um pré-cadastro, elas têm que estar com os exames em dia, nós coletamos sangue e algumas informações do pré-natal. Depois, o nosso médico avalia a questão imunológica da paciente. Tem todo um processo. Se a doadora conseguir vir, nós fizemos o cadastro aqui, senão agendamos e vamos até a residência da mamãe e captamos lá. Pode ser de outro município ou de Criciúma”, finaliza Hariele.

Mais de 735 litros doados

No fim de agosto, o Banco de Leite Dr. Dino Gorini completa dois anos de fundação. De lá para cá, o projeto, que é administrado através do Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, já captou mais de 735 litros do alimento e foi responsável pelo desenvolvimento saudável de centenas de bebês de toda a região.

No dia 28, sábado, será realizada uma ação na Praça Nereu Ramos, em Criciúma, em celebração aos dois anos de funcionamento do Banco de Leite, mas também com o objetivo de conscientizar novas doadoras sobre a importância de doar o alimento.

Agosto Dourado reforça importância da amamentação

O mês de agosto é conhecido por simbolizar a luta pelo incentivo à amamentação. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas, cerca de seis milhões de vidas são salvas anualmente por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de idade.

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