Criciúma: Alta de mortes por Covid-19 entre 40 e 60 anos preocupa

Na última semana, foram 16 pessoas que perderam a vida, apenas em Criciúma, nesta faixa etária, por Covid-19. Vacinação avança em faixas etárias

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Tiago Monte

Criciúma

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Ao passo em que a vacinação das pessoas, contra a Covid-19, avança, em todo o Brasil, um outro dado assusta: o aumento de mortes de pessoas entre 40 e 60 anos. Apenas em Criciúma, nos últimos sete dias, foram 16 óbitos nessa faixa etária. É mais da metade dos 30 mortos contabilizados na cidade desde terça-feira passada. Alguns fatores contribuem para esse crescimento. “O primeiro é que, com a vacinação, felizmente houve uma redução no número de internados acima de 60 anos. Então, por um lado, é uma boa noticia. Por outro lado, as pessoas mais jovens costumam circular mais e acabam, de certa forma, se expondo mais ao vírus”, explica o pneumologista Renato Piucco Matos.

Outro ponto importante é o maior índice de infestação e mortalidade ocasionados pela cepa P1 – uma das variantes do novo coronavírus que circula em Criciúma e região. “Ela é diferente da cepa original, digamos assim, do coronavírus e que parece ter ocorrido com uma infectividade e maior mortalidade nas faixas etárias mais jovens. Acredito que seja uma combinação destes três fatores”, pontua o médico.

As pessoas, de uma forma geral, têm descumprido os protocolos de prevenção da doença e isso também ocasiona um aumento no número de casos de Covid-19. “Independente da cepa – que seja a P1, brasileira, indiana ou sul-africana – as medidas são as mesmas: distanciamento, uso de máscara, álcool gel, evitar aglomerações. No feriado, as cidades de Gramado (RS) e Campos do Jordão (SP) estavam lotadas, por exemplo”, adverte Matos.

Segunda onda da doença ainda está vigente

Muitos profissionais de saúde e políticos têm feito alertas para uma terceira onda de infecção por Covid-19. Entretanto, Matos acredita que a segunda onda nem foi estabilizada da forma adequada. “Eu vou ser bem sincero: no meu ponto de vista, a gente nem saiu da segunda onda direito. A gente chama de terceira onda, mas não conseguimos nem estabilizar bem a segunda onda. Estabilizou com números altos de internações, por exemplo”, destaca.

Plantonista em hospitais da cidade, o médico alerta para o aumento no número de casos entre 40 e 60 anos. “Tem gente que chama de terceira onda, mas, entre nós, médicos, é notável que o fluxo de pacientes tem aumentado. O número de pessoas jovens só aumenta: nessa faixa de 40 e 60 anos. A partir dos 30 anos, já tem crescido bastante”, diz.

O médico acredita que, da forma como os casos estão crescendo, uma terceira onda é inevitável. “Nós, como profissionais de saúde, gostaríamos que a economia retomasse, que as coisas voltassem ao normal, mas não deste jeito. Assim, estamos caminhando a passos largos para uma terceira onda”, comenta.

Inicia a vacinação a partir dos 58 anos

Desde ontem, diversos municípios do Sul do Estado iniciaram vacinação em pessoas acima de 58 anos, caminhoneiros, motoristas e cobradores do transporte coletivo rodoviário de passageiros urbanos e de longo curso, trabalhadores da limpeza urbana e trabalhadores do transporte ferroviário de passageiros e de cargas, com declarações e documentos comprobatórios. Em Criciúma, a imunização é feita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e para fazer a vacina é necessário estar cadastrado no Portal Minha Vacina.

Matos acredita que a retomada da vacinação é correta, mas sugere um aumento nas indicações de pessoas a serem imunizadas. “A volta da vacinação por faixa etária é correta. Outro exemplo: IMC. Hoje o corte é 40, mas são poucas pessoas que têm esse número. Eu acredito que acima de 30 ou 35 seria um corte mais baixo e vacinaria mais gente, protegeria mais pessoas”, comenta.

O médico alerta que o importante é a vacina ser aplicada nas pessoas e não fazer estoque do imunizante nos municípios. “Muitas vezes, quando restringimos a vacinação, acabamos fazendo estoque do imunizante. É isso que não queremos. Nós buscamos ampliar as distribuições de vacinas”, diz. “Eu penso que algumas coisas poderiam ser mais flexibilizadas para que mais pessoas tivessem acesso à vacina e a gente conseguir sair dessa mais rápido. A vacina tem que chegar no braço das pessoas rapidamente”, finaliza.

Número de mortes em Criciúma por faixa etária entre 01 e 07/06

Menos de 40 anos – 4 mortes

40 a 50 anos – 8 mortes

51 a 60 anos – 8 mortes

61 a 70 anos – 1 morte

71 a 79 anos – 5 mortes

80+ anos – 4 mortes

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